domingo, 6 de dezembro de 2020

CONSTITUIÇÃO: É VEDADA A RECONDUÇÃO

 

O art. 57 da Constituição dispõe que “O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006)

O § 4º desse artigo diz que “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, de 2006) (grifei).

O § 4º da Constituição diz clara e objetivamente que é “vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”. Este é o caso dos atuais presidentes da Câmara e do Senado, que almejam a recondução. Até eu, um analfabeto funcional, sei que vedar é o mesmo que proibir. Não há firula jurídica que consiga transformar o verbo vedar em autorizar. Qualquer interpretação do STF diferente de vedar ou proibir é mera decisão política, que a ele não cabe.

É o tradicional toma lá dá cá:

a) não haverá impeachment ou destituição de qualquer ministro do STF;

b) nenhum membro do Congresso Nacional será condenado ou preso.

Esse é o real motivo da interpretação “jurídica” do STJ, cada vez mais longe da sua competência constitucional.

Se não, vamos reler alguns dispositivos da Constituição de 1988, alcunhada, num momento de euforia alucinante, de “Constituição Cidadã”, por Ulysses Guimarães, o seu primeiro signatário:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I [...] II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)    

Art. 53. [...] § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

Ao STF compete, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe (Art. 102): I - processar e julgar, originariamente: a) [...]; b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República; c) [...]; d) habeas corpus , sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal;  [...].” (grifei).



Os possíveis leitores façam a sua reflexão sobre os dispositivos constitucionais e a decisão STF permitindo a reeleição dos atuais presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados,  ambos sendo investigados por crimes cujo julgamento caberá ao mesmo STF. Por outro lado, tramita no Senado vários pedidos de impeachment ou destituição de membros do STF, que estão engavetados pelo presidente da Casa, um enigmático David Samuel Alcolumbre Tobelem, comerciante do Amapá filiado ao Democratas. E o presidente da Câmara, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, também do Democratas, é um político profissional, nascido no Chile, naturalizado brasileiro, filho do não menos conhecido César Maia, vereador no Rio de Janeiro. O Maia é um velho conhecido dos fluminenses. Dispensa apresentação. E o Alcolumbre. Ora,  o Alcolumbre está somente interessado em eleger seu irmão prefeito de Macapá, neste domingo. A sua reeleição está assegurada pelo STF, numa interpretação inédita, lato sensu...¨

1920/1930: A migração de suíços para Cantagalo

 

Nova Friburgo comemorou, em 2018, o seu bicentenário de fundação. Desmembrado por Decreto de D. João VI, de 16 de maio de 1818, da região que, então, pertencia a Cantagalo. Por esse ato, D. João VI estabelecia as condições para o estabelecimento da Colônia Suíça em terras brasileiras.

Os suíços foram instalados na Fazenda Morro Queimado, em terras de Cantagalo, em local desfavorável para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária.

Diversos colonos iniciaram a migração para regiões mais favoráveis, a partir de 1820, como Cantagalo, rico nas plantações de café e banhado pelos rios Paraíba do Sul, ao longo de São Sebastião Paraíba, e Negro, na então Santa Rita do Rio Negro, posteriormente,  Euclidelândia, em homenagem ao famoso escritor cantagalense Euclides da Cunha.



Os primeiros colonos a buscarem melhores condições de trabalho em Cantagalo, segundo registra Henrique Bon no livro Imigrantes – A saga do primeiro movimento migratório organizado rumo ao Brasil às portas da independência (Nova Friburgo-RJ: Imagem Virtual, 2004, p. 149), foram Adrien Daumas, Louis Chevrand, Jean Abram Frauche, Louis Wermellinger, Henri Bom e Lugon-Moulim. Muitos outros colonos seguiram esse mesmo destino, como os Bapst, Bardy, Boechat, Cortat, Cosandey, Cretton, Curty, Dafflon, Folly, Gachet, Graff, Gremaud, Herdy, Jaccoud, Jeveaux, Lambert, Leimgruber, Lugon, Luterbach, Meyer, Monnerat, Müller, Musy, Robadey, Schuler, Stutz, Tardin, Thürler, Volluz e muitos outros.

A Prefeitura de Nova Friburgo comemorou “com pompa e circunstância” o seu bicentenário de fundação.

A Prefeitura de Cantagalo deveria, também, celebrar a migração para o nosso município de grande parte de famílias de suíços trazidos para a Colônia Nova Friburgo, a partir de 1820. O prefeito Guga de Paula pode, perfeitamente, formar uma comissão, composta pelos descendentes dos imigrantes suíços, que ainda residem em Cantagalo, para, junto com a administração municipal, planejarem, organizarem em realizarem essa celebração, em 2021. O médico, pesquisador e escritor Henrique Bom é a pessoa mais indicada, por sua dedicação às pesquisas sobre a colonização de suíços, para coordenar ou ser o consultor dessa celebração.

As comemorações desse bicentenário vão gerar oportunidades do estudo e divulgação de nossa história, além de possibilitar o debate e o diálogo sobre nossas origens e as personalidades que contribuíram para o desenvolvimento de Cantagalo. Os imigrantes suíços e seus descendentes participaram significativamente para que Cantagalo fosse – como ainda é –  um dos municípios mais importantes da região centro-norte fluminense. Essa contribuição deve ser celebrada condignamente. ¨

 

domingo, 15 de novembro de 2020

Como nossos pais. Ou não.

Antonio Carlos Belchior, conhecido como Belchior (1946-2017), foi um compositor, cantor, músico, produtor e artista plástico. Fez grande sucesso como compositor e cantor na década de 70. Uma das músicas mais marcantes de sua carreira teve vários intérpretes, inclusive ele e na voz inconfundível de Elis Regina.

Nesta manhã chuvosa de domingo, em Brasília, parei para pensar na vida. O que passou, o que está sendo e o que virá. Parodiando o ministro da Justiça, Armando Falcão, dos tempos do regime ou ditadura militar ‒ cada leitor deve ter a sua certeza ‒, q56494555671404/6114980125404594660uando um repórter perguntava a ele usando a conjunção subordinativa condicional “se”, ele respondia sempre: “O futuro só a Deus pertence”. Essa frase é um bordão que me acompanha desde que a ouvi pela primeira vez.

“Como nossos pais” é uma volta ao passado, quando o poeta fala do presente. Trata do conflito de gerações, acentuado pelos “anos de chumbo” dos anos 60/70.  É, na realidade, uma crítica amarga à inércia da juventude, acomodada, deixando a vida fluir, sem contestar o regime político da época.

Esta crônica, escrita ao léu dos pensamentos, tendo presente o poema de Belchior, faz parte do meu ócio criativo. Não se trata, no meu caso,  da teoria do professor e sociólogo italiano Domenico de Masi. Para ele, o ócio criativo seria o futuro do trabalho na sociedade, a ser marcado pela união entre estudo e lazer. Parece que a pandemia Covid-19 apressou essa união, com o teletrabalho, a telemedicina e outras teles...

O meu ócio criativo é só ócio. Nada mais. Para mim, escrever é um prazer, não é trabalho e nem lazer. Não penso se haverá leitores. É um parto sem gestação prévia. E nem espera ansiosa.

Eu não quero falar das coisas que aprendi e nem contar como eu vivi. Viver é melhor do que sonhar. E eu sei que o Amor é uma coisa boa. É divino. Também sei que qualquer canto, “Como nossos pais”, é menor que a vida de qualquer pessoa.

Há perigo na esquina. Na Vida, sempre existe. O sinal ‒ obstáculos, problemas ‒ pode estar fechado para nós. Mas podemos superá-los, transpô-los. Eles não venceram. A nossa vida está em nossas mãos, atitudes, escolhas. Nada está fechado para nós, que somos jovens no interior. Nós somos os únicos herdeiros de nosso futuro.

O meus lábios e os meus abraços foram feitos para abraçar minha menina. Quando a conheci tinha dezessete anos. E continua menina. O mesmo sorriso. A mesma postura e atitudes nobres, únicas. Ainda somos jovens, apesar da velhice, porque o Amor não envelhece, não acaba. A paixão, sim. O Amor, não. É para ela que Deus fez o meu lábio , o meu braço, o meu coração e a minha voz.

Você me pergunta pela minha paixão. Ela não existe. Há simplesmente Amor.

Eu não vou ficar nesta cidade, que me acolheu por 32 anos, onde tive glórias e derrotas. Onde caí e me levantei. “Dei a volta por cima”. Digo que estou encantado com uma nova invenção, uma nova fase na Vida. Não vou voltar para o sertão, onde nasci e vivi durante onze anos. Vou voltar para outra cidade ‒ Cantagalo, no centro-norte fluminense ‒, que me acolheu aos onze anos de idade. Onde fiz amigos e conheci o Amor. “Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação”.

Nós não somos os mesmos. Não vivemos como os nossos pais, literalmente. Agregamos, ao longo de nossas vidas, a experiência dos erros e dos acertos.

Os meus ídolos não são os mesmos. Che Guevara, Fidel Castro são ídolos de um passado que não volta mais. Ídolos de barro. Eles não me enganam mais. Ditadores e criminosos não podem ser meus ídolos. Depois deles apareceram líderes democráticos, ao redor de nosso planeta. Menos no Brasil.

Mas Você pode até dizer que eu estou por fora ou então que eu estou enganado, mas é Você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.

Estou guardado por Deus, mas não estou contando meus vis metais. Esses eu não levarei para a outra Vida.

¨

A letra de “Como nossos pais”, está disponível em: <https://www.letras.mus.br/belchior/44451/>

A música, na voz de Elis Regina, em: <https://www.youtube.com/watch?v=VMq6EMpLi4E>

Na voz de Belchior, em: <https://www.youtube.com/watch?v=Y3HTEKQ-rh8>

Proclamação da República & eleições municipais

Hoje, 15 de novembro, celebra-se a Proclamação da República e, por causa da pandemia Covid-19, estão sendo realizadas as eleições municipais para prefeitos e vereadores. Essa eleição é realizada no primeiro domingo de outubro, nos termos da Constituição de 88.

A Proclamação da República é um evento cada vez menos comemorado. Quando cai numa sexta ou segunda-feira, geralmente ocorre o chamado feriadão. Quem pode, aproveita para visitar os parentes distantes ou para o lazer os mais diversos. Os líderes do movimento nem são lembrados e, muito menos, o marechal Deodoro, o primeiro presidente da República. O nosso país saía, em 1889, de uma monarquia constitucionalista parlamentarista para o presidencialismo que conhecemos hoje.

Os que não têm memória curta devem se lembrar de que a Constituição de 1988, vigente, caminhava para estabelecer o regime parlamentarista. Um plebiscito de última hora elegeu o presidencialismo como a forma de governo da nossa República Federativa do Brasil. E deu no que deu. Um país ingovernável. Temos um “presidencialismo parlamentarista”. Mais uma jabuticaba brasileira. Só tem aqui.

Com 33 partidos e um festival de siglas exóticas MDB, PTB, PDT, PT, DEM, PCdoB, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, CIDADANIA, PV, AVANTE, PP, PSTU, PCB, PRTB, DC, PCO, PODE, PSL, REPUBLICANOS, PSOL, PL, PSD, PATRIOTA, PROS, SOLIDARIEDADE, NOVO, REDE, PMB, e o caçula, UP (Unidade Popular) torna-se inegociável qualquer projeto de interesse nacional legítimo, Os políticos brasileiros não pensam no Brasil. Pensam neles, em primeiro, segundo, terceiro lugares. Depois os parentes, os cabos eleitorais, os possíveis eleitores. Há raríssimas exceções.

O comunismo está abrigado em uma dezena de partidos PCdoB, PCO, SB, PT,  PV, PSTU, PCB, PSOL, REDE e UP , sem contar os políticos enrustidos, que pululam o PSDB, o PDT e outros. Os outros são liberais ou do chamado “centrão”, estes da turma do “toma lá dá cá”.

O Partido da Mulher Brasileira (PMB) tem candidatos do sexo masculino. Não existe o Partido do Homem Brasileiro (PHB) e nem partido de LGBTQ+. Este já nasceria com uma sigla cada vez mais longa.

Brincadeiras à parte, as eleições municipais são importantíssimas. Tudo acontece no município. Prefeitos e vereadores estão mais próximos de seus eleitores, do povo das comunas ‒  não confundir com uma abreviatura livre para classificar os comunistas...

Os serviços públicos essenciais funcionam ali, com verbas públicas do município, das unidades federativas e do governo federal. Produto dos escorchantes tributos pagos por trabalhadores e empresas. Serviços públicos de educação, saúde, segurança, transporte urbano, água, energia elétrica, infraestrutura sanitária são entregues ao público pelas prefeituras, pelos estados e pela União. A qualidade do serviço público no Brasil ainda é lastimável. A educação de qualidade está ausente em 99% das escolas públicas de educação básica. A saúde, via SUS, é outra prova de que o Estado não é competente para administrar esses serviços. Há exceções? Há, mas elas servem apenas para validar a regra geral de incompetência gerencial nesses serviços. O Estado mínimo está longe de ser realidade no Brasil, dominado pelo clientelismo.

Que o povo que está indo às urnas neste domingo possa eleger políticos comprometidos com o bem público e serviços de qualidade. Que os vereadores façam o dever de casa – fiscalizar a administração dos p

refeitos, em particular, o orçamento e a contabilidade públicos.

Ave Caesar, morituri te salutant. “Salve César, os que vão morrer te saúdam”. Palavras dirigidas pelos gladiadores ao imperador romano, antes de entrarem em luta. Ave Caesar, vivere te salutant, pode ser a saudação aos novos gestores municipais, para que tenham vida saudável, dedicada a uma administração eficiente, eficaz e transparente.¨

domingo, 23 de agosto de 2020

EDUCAÇÃO 4.0: QUEM SABE FAZ A HORA

 EDUCAÇÃO 4.0: QUEM SABE FAZ A HORA

No meu livro EDUCAÇÃO 4.0: gestão de IES em tempos de mudanças radicais, editado no formato e-book, em 2018 (Disponível para download gratuito em www.andragogia.net), transcrevo trecho do livro The End of College (O Fim da Faculdade), de Kevin Carey, editado em 2015, no qual ele afirma que “o número de faculdades que serão reduzidas será muito maior nos próximos 30 anos do que nos 30 anteriores, e que as que quiserem sobreviver precisarão mudar fundamentalmente seus modelos organizacionais”.  Carey é mestre em Administração pela Ohio State University, Columbus, Ohio (EUA), e vice-presidente da New America. Trata-se de uma fundação, com sede em Washington, que se dedica a pesquisas que tenham por objetivo promover “os ideais mais elevados” dos EUA.

Kevin faz uma análise do cenário norte-americano. Aplica-se, todavia, ao cenário brasileiro atual, em plena pandemia da Covid-19. Centenas de instituições de educação superior (IES) da livre iniciativa passam por crises de difícil solução. Persistem em metodologias de aprendizagem do século passado, algumas remontam ao século 18; o único espaço de aprendizagem é a antiga sala de aula, com as carteiras em filas, um aluno atrás do outro; o professor continua a ser o detentor da informação e o estudante um ser passivo.

Pestalozzi (Johann Heinrich Pestalozzi 1746/1827), no século 18, já afirmava que o educando tem potencialidades inatas e que ao educador cabe provocar o desenvolvimentos dessas capacidades latentes. A maioria dos professores e, portanto, das IES persiste no processo tradicional de “ensinar”, em vez de provocar o surgimento das potencialidades inatas do educando, por meio de metodologias ativas de aprendizagem, tendo o professor na sua função mais nobre de orientar, estimular, intermediar. Novos espaços de aprendizagem podem ser desenvolvidos, presenciais ou a distância (EAD). O uso das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs), por si só, não assegura o êxito e a qualidade do processo de aprendizagem. Há que promover previamente a capacitação docente para uso dessas tecnologias na aplicação das metodologias ativas de aprendizagem. O mesmo deve ser ofertado aos estudantes ingressantes, saídos, na sua maioria, do ensino médio tradicional das escolas públicas.

Karl Paul Polanyi (1886/1954), filósofo, sociólogo, historiador da economia e economista político húngaro, defende que “o ritmo das mudanças muitas vezes não é menos importante do que a direção da própria mudança, mas enquanto esta última frequentemente não depende da nossa vontade, é justamente o ritmo no qual permitimos que a mudança ocorra que pode depender de nós”. Aplica-se ao caso presente, quando a direção da pandemia não depende das IES, mas o ritmo de adaptação e superação a esse cenário inesperado e inédito está à disposição delas, no uso da autonomia didático-pedagógica que lhes concede a legislação e normas vigentes.

Algumas instituições copiam outras, sem atentar para a sua cultura organizacional, o seu público alvo e as condições econômico-financeiras dos seus estudantes. Precisam “mudar fundamentalmente seus modelos organizacionais”. Em vez disso, copiam o chamado ensino híbrido como uma metodologia ativa, quando a definição literal dessa modalidade, segundo José Armando Valente, livre docente da Unicamp (Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Lilian Bacich e outros.  Porto Alegre: Penso, 2015, p. 13), é “uma abordagem pedagógica que combina atividades presenciais e atividades realizadas por meio de tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs)”. O semipresencial dos anos 90, colorido com o hibridismo. Um banho de loja. Sem entrar na loja, só na pintura externa.

Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial, muito antes dessa pandemia global, afirmava que “as mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”. O “momento potencialmente promissor” é a oportunidade de inovar, não ter medo das mudanças, criar novos caminhos. Avaliar permanentemente as metodologias ativas de aprendizagem adotadas; aprimorá-las.

Antonio Machado, poeta Catalão, em um de seus versos no poema Caminante, ensina: “Caminante, no hay camiño; el camino se hace al andar”. Mas a maioria das IES está acomodada, continuando a caminhar atrás de seus concorrentes, como gado indo para o matadouro, com medo de inovar, de criar o seu próprio caminho e evoluir para uma educação de qualidade, onde o educando seja o centro do processo de aprendizagem.

Vale a pena transcrever, na mesma linha de raciocínio, alguns versos do poeta norte-americano Robert Frost (1874-1963):

Daqui a mil anos, o que aconteceu,

Suspirando, contarei a ti:

Dois caminhos bifurcavam, eu

O menos pisado tomei como meu

E a diferença está toda aí.

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” já recomendava o poeta Geraldo Vandré, na década de 60, em versos do seu poema musicado: “Pra não dizer que não falei de flores”.

Em 1999, publiquei um artigo usando o título da música de Vandré. Nele, já alertava as IES para a necessidade de mudanças radicais em suas funções universitárias. Em outro artigo, da mesma épocaManual de Sobrevivência da Selva Universitária dava algumas dicas de como sobreviver no próximo milênio, prestes a se iniciar. Esse artigo, por sua atualidade, vai na íntegra em outra postagem. ¨

domingo, 12 de julho de 2020

Extensão da alma


Extensão da alma
Hammed
“... Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa...” (Capítulo 17, item 11.)
Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais íntimas.
Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e que nos serve de conexão com a vida terrena.
Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas expressa a nossa vida mental.
Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.
Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes a Deus e cultivadores da candidatura ao reino dos céus. Essas crenças neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.
Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções, emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.
Nossos pensamentos determinam nossa vida e, consequentemente, são eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do nosso eu espiritual.
A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos, atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso destino.
Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a Natureza.
Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais densa da alma. Não o separemos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das mãos carinhosas dos amigos. Através dele é que podemos identificar angústias e aflições, que são bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os que vivemos no momento.
A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos; pede-nos somente que amemos cada vez mais. Cuidemos, pois, de nosso corpo e o aceitemos plenamente. Ele é o instrumento divino que Deus nos concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 81/82)

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Terra-século 21: Mundo de regeneração e progresso


Terra ‒ século 21: mundo de regeneração e progresso

Teorias espíritas apontam o século 21 como início de mudanças radicais para o nosso planeta. Uma nova era. Uma profunda transformação de mundo de "provas e expiações" para um mundo de "regeneração e progresso". O expurgo dos não regenerados já está acontecendo para outros planetas. Segundo diversos médiuns espíritas, teve início no final do século 20 e ocorrerá ao longo deste século. Mas quem ficará na Terra para construir este mundo de “regeneração e progresso”? O Espírito Hammed, pela psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, dá-nos algumas dicas. Vamos a elas.

Quem são os regenerados
Hammed
“Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes, a alma que se arrepende neles encontra a calma e o repouso, acabando de se depurar. Sem dúvida, nesses mundos, o homem está ainda sujeito às leis que regem a matéria...” (Capítulo 3, item 17.)
Regenerados são todos aqueles que aprenderam a compartilhar deste mundo, contribuindo sempre para a sua manutenção e continuação, e que ao mesmo tempo, por perceberem que recebem à medida que doam, sustentam com êxito esse fenômeno de “trocas incessantes”. São os homens que descobriram que todos estamos ligados por inúmeras formas de vida, desde o micro ao macrocosmo, e que os ciclos da natureza é que vitalizam igualmente plantas, animais e eles próprios. Portanto, respeitam, cooperam e produzem, não pensando somente em si mesmos, mas na coletividade.
Sabem que ao mesmo tempo, sozinhos ou juntos, somos todos viajantes nas estradas da vida universal, em busca de crescimento e perfeição.
Voltaram-se para si mesmos e descortinaram a presença divina em sua intimidade e, em vista disso, agora não buscam somente a exterioridade da vida, mas a abundância da vida íntima, fazendo quase sempre uma jornada cósmica para dentro do seu universo interior, na intimidade da própria alma.
Regenerados são os seres humanos que notaram que não podem modificar o mundo dos outros, mas apenas o seu próprio mundo. Que os indivíduos, lugares e ambientes não podem ser mudados, e que as únicas coisas que podem e devem ser alteradas são suas atitudes pessoais, reações e atos relacionados a esses mesmos indivíduos, lugares e ambientes de sua vida.
Conseguiram angariar sabedoria em decorrência das vivências anteriores. Diferenciam o que lhes cabe fazer e, por conseguinte, o que são deveres dos outros. Só fazem, portanto, autojulgamento, deixando a cada um realizar sua própria avaliação.
Na realidade, trazem certas competências e destrezas alicerçadas no poder de observação, por já possuírem uma considerável “coleta de dados”. São consideradas criaturas sábias, por seus constantes “insights”, isto é, compreensões súbitas diante de decisões e resoluções da vida.
São homens que adquiriram a habilidade de resolver suas dificuldades com recursos novos e criativos, usando maneiras inovadoras de solucionar os acontecimentos do cotidiano. Reconhecem que a vida é uma sucessão de ocorrências interdependentes, por possuírem a capacidade de observar as relações existenciais. Sempre lançam mão dos fatos passados e os entrelaçam aos atuais, chegando à profunda compreensão das situações e de seus problemas.
Descortinaram horizontes novos, porque reservaram no dia-a-dia algum tempo para se conhecer melhor, anotando ideias e sensações a fim de esclarecer para si próprios o porquê de sentimentos desconexos, emoções variáveis e ações contraditórias, visto que tal conhecimento os ajudará a viver de forma mais serena e previsível.
Obtiveram transformações íntimas, surpreendentes, pois conseguiram se ver como realmente são.
Retiram máscaras, que inicialmente lhes davam um certo conforto e segurança, já que depois, eles mesmos reconheceram que elas os aprisionavam por entre grilhões e opressões.
Aprenderam que não vale a pena representar inúmeros papéis, como se a vida fosse um grande teatro, mas sobretudo assumir sua própria missão na Terra, porque constataram que cada um tem uma quota própria de contribuição perante a Criação, e que não nasce no Planeta nenhuma criatura cuja tarefa não tenha sido predeterminada.
Regenerados são os reabilitados à luz das verdades eternas. Adotaram Jesus como o “Sábio dos Sábios” e, por seguirem Seus passos, fazem sempre o seu melhor. Reconheceram que o erro nunca será motivo de abatimento e paralisação e sim de estímulo ao aprendizado. Por isso, seguem adiante, pacientes consigo mesmos e com os outros, ganhando cada vez mais autonomia e discernimento ante as leis de amor que regem o Universo.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 73/75)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Tempo certo


Tempo certo
Hammed
“... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho...” “... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou sessenta, ou trinta por um.” (Capítulo 17, item 5.)
Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício de cada um.
A humanidade, em geral, recebe as sementes do crescimento espiritual a todo o instante. Constantemente, a “Organização Divina” emite ideias de progresso e desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo com suas possibilidades e habilidades existenciais.
A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas por achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser todas iguais conforme nossa maneira de ver.
Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.
Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo consentimento, porque cada ser tem seu próprio “marco individual” nas estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua maneira de entender, comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que “cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria ser.
Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”?
Nossa ansiedade não faz com que as árvores deem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as possibilidades e as limitações de cada indivíduo.
Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas, comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram semeadas.
As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram, representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula. São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.
Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.
Foram logo ressecadas porque não suportaram o “calor da prova”; e, por serem qualificadas como pessoas de convicção “flutuante”, torraram rapidamente seus projetos e intenções.
Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem. São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante, nos processos de iluminação interior. Quando os “caules” não são suficientemente profundos e vetustos, há bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela informação ou ensinamento recebido.
Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona nas bases do “potencial” e da “viabilidade evolutiva” e, portanto, impor às pessoas que “sejam sensíveis” ou que “progridam”, além de desrespeito à individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de relacionamento.
Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as “ideias sociais” que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois, no tempo do Mestre, as leis do “Torah” asfixiavam e regulamentavam não somente a vida privada, mas também a pública.
Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos domínios das “normas e regras”, sem poder erguer em demasia a sua mente, restrita pelas ideias vigentes, o que os sentencia a viver numa “frustração grupal”, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis permitidos pela comunidade.
Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os “espinhos da opressão” na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo espírito de casta entre as criaturas de sua época.
As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos abundantes. O que é um “solo fértil”?
Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de discernimento não ocorrem por acaso, porquanto nenhum aprendizado nos envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e habilidades propiciadoras.
A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no conteúdo real quer dizer: “Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca”. Mas para “quebrar a noz” é preciso senso e noção, base e atributos que requerem tempo para se desenvolverem convenientemente. A consciência da criatura, para que seja receptiva, precisa estar munida de “despertamento natural” e “amadurecimento psicológico”.
Reforçando a ideia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde encontramos: “porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga” (Marcos 4:28).
O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana. Ele se opunha a todo e qualquer “nivelamento psicológico” e, portanto, lançou a Parábola do Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio que prestaríamos a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete “semear”, sem esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da “chuva da determinação humana” e do “solo generoso” da psique do ser, onde houve a semeadura.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 69/72)

sábado, 6 de junho de 2020

Ódio: uma doença do Espírito


Na Questão 257, em O Livro dos Espíritos (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 194), Allan Kardec, em Ensaio teórico da sensação nos Espíritos, recomenda:
Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, en­tão, embora revestido do invólucro corporal, já estará de­purado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando dei­xar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. Nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradá­vel eles lhe deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma. Sentir-se-á feliz por se haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer sofrimento moral.
Kardec, na Questão 292 (p. 209), pergunta aos Espíritos: “Alimentam ódio entre si os Espíritos?”. E a resposta é imediata e clara: “Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões”.
Espíritos impuros, aqueles que ainda não alcançaram a luz, que não seguem os ensinos do Cristo. Normalmente, o Espírito para alcançar o estágio de não praticar essas paixões animais leva alguns milênios. O progresso é individual. Há uma regra, delineada por Kardec, mas cada Espírito tem o seu ritmo de volta ao Pai, da periferia para o Centro, onde reina o Amor incondicional, pleno, sem quaisquer resquícios de ódio, inveja, ciúme, egoísmo, orgulho.
O poeta espanhol Antonio Machado, em um de seus poemas, tem uns versos que esclarecem essa jornada individual: “Caminante, no hay camiño; el camiño se hace al andar”. O caminhante abre o seu próprio caminho. Os bons espíritos orientam, ajudam, mas a decisão de seguir a retidão dos ensinos cristãos, pela voz de Kardec, é individual, porque ninguém consegue mudar ninguém, caso não haja empatia, boa vontade.
O ódio é um dos sentimentos mais destruidores entre as paixões animalescas. É uma doença do Espírito.
O Espírito Hammed, pela psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, no livro Estamos prontos (Catanduva-SP: Boa Nova, 2012, p. 45), esclarece que: “A inconstância emocional é compreensível em nossa idade evolutiva e ela pode ser considerada um  caminho para o equilíbrio, um indicativo para a saúde mental, pois faz emergir de nossas profundezas as emoções negadas, trazendo-as à luz da consciência”. E conclui, sabiamente: “Tanto nosso corpo como nosso espírito abrigam possibilidades de renovação, fazendo aumentar a nossa capacidade de desenvolvimento. Guardamos em nossas mãos livre-arbítrio, mudança e flexibilidade para compor e recompor nosso modo de agir, de pensar; enfim, de viver”.
O ódio que sentimos por outra pessoa nós temos a capacidade de transformar em perdão ou, pelo menos, em esquecimento, para aliviar nossa alma desse peso doentio. E quando nós somos alvo do ódio de outra pessoa? Como agir?
Para Emmanuel, o ódio asfixia corações e anula energias; é fogo invisível na consciência. Mas ele nos dá, pela psicografia do divino médium Chico Xavier, em Pão Nosso, um conselho infalível para quando nos odeiam: “Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais” (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 348) ‒ “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” – Paulo. (Romanos, 12:20).¨

domingo, 26 de abril de 2020

Teu lugar na vida


Teu lugar na vida
Hammed
“[...] Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma pessoa mais considerada que vós, e que aquele que vos tiver convidado não venha vos dizer: Dai vosso lugar a este...”. [...] todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele que se rebaixa será elevado” (Capítulo 7, item 5).


Querendo ilustrar suas prédicas, como sempre de modo claro e compreensível, Jesus de Nazaré considerava, certa ocasião, como os convidados de uma festividade se comportavam precipitadamente, na ânsia de tomar os lugares principais da mesa, com isso desrespeitando os princípios básicos do bom senso e da educação.
Qual o teu lugar à mesa? Qual a tua posição no universo de ti mesmo? Essa a grande proposta feita pelo Mestre nesta parábola.
Será que o lugar que ocupas hoje é teu mesmo? Ou influências externas te levam a direções antagônicas de acordo com o teu modo de pensar e agir?
Tens escutado a voz da alma, que é Deus em ti, ou escancarado teus ouvidos às opiniões e conceitos dos outros?
Nada pior do que te sentires deslocado na escola, profissão, círculo social ou mesmo entre familiares, porque deixas parentes, amigos, cônjuges e companheiros pensarem por ti, não permitindo que Deus fale contigo pelas vias inspirativas da alma.
Essa inadaptação que sentes é fruto de teu deslocamento íntimo por não acreditares em tuas potencialidades. Achas-te incapaz, não por seres realmente, mas porque te fazes surdo às tuas escolhas e preferências oriundas de tua própria essência.
Se permaneceres nesse comportamento volúvel, apontando frequentemente os outros como responsáveis pela tua inadequação e conflitos, porque não assumes que és uma folha ao vento entre as vontades alheias, te sentirás sempre um solitário, ainda que rodeado por uma multidão.
Porém, se não mais negares sistematicamente que tuas ações são, quase na totalidade, frutos do consenso que fizeste do somatório de conselhos e palpites vários, estarás sendo, a partir desse instante, convidado a sentar no teu real lugar, na mesa da existência.
Por fim, perceberás com maior nitidez quem é que está movimentando tuas decisões e o quanto de participação tens nas tuas opções vivenciais.
No exame da máxima “todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se rebaixa será elevado”, vale consi­derar que não é a postura de se “dar ares” de humildade ou a de se rebaixar de forma exagerada e humilhante que te poderá levar à conscientização plena da tua localização dentro de ti mesmo. Sintonizando-te na verdadeira essência da humildade, que é conceituada como “olhar as coisas como elas são realmente”, e percebendo que a tua existência é responsabilidade unicamente tua, é que tu serás tu mesmo.
Ser humilde é auscultar a origem real das coisas, não com os olhos da ilusão, mas com os da realidade, despojando-se da imaginação fantasiosa de uma ótica mental distorcida, nascida naqueles que sempre acham que merecem os “melhores lugares em tudo.
Vale considerar que, por não estarmos realizando um constante exercício de auto-observação, quase sempre deduzimos ou captamos a realidade até certo ponto e depois concluímos o restante a nosso bel-prazer, criando assim ilusões e expectativas desgastantes que nos descentralizam de nossos objetivos.
 Quem encontrou o seu lugar respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois divisa a própria fronteira e, consequentemente, não ultrapassa o limite dos outros, colocando na prática o “amor próximo”.
Para que encontres o teu lugar, é necessário que tenhas uma “simplicidade lúcida”, e o despojar dos teus enganos e fantasias fará com que encontres a autêntica humildade.
Para que não tenhas que ceder teu lugar a outro, é indispensável que vejas as coisas como elas são realmente e que uses o bom senso como ponto de referência para o teu aprimoramento e para a tua percepção da verdade como um todo.
Procura-te em ti mesmo: eis a possibilidade de sempre achares o lugar que te pertence perante a Vida Excelsa.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 41/43)

sábado, 11 de abril de 2020

OS PRETOS-VELHOS E A FILOSOFIA CRISTÃ




É devagar.
É devagarinho.
Quem caminha com Preto
Nunca fica no caminho.
(De um ponto cantado dos Pretos-Velhos)
A imigração dos africanos
Jesus, conta-nos o Irmão X (Humberto de Campos), pela mediunidade de Chico Xavier, procurado por Ismael, mentor espiritual de nossa pátria, que demonstrava preocupação ante os desvios da colonização brasileira com o uso da escravidão dos negros africanos pelos portugueses, afirmou-lhe que “havia determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas” (Os trechos entre aspas foram extraídos do livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, ditado pelo Espírito Irmão X ao médium Chico Xavier, edição FEB, 1977).
Para plantar as sementes vivas do Evangelho no Coração do Mundo – o Brasil –, Jesus contava com a participação dos negros africanos, espíritos humildes reencarnados na África.
E os negros foram trazidos para o Brasil...
... E, aqui, “foram humilhados e abatidos...; o Senhor, porém, lhes sustenta o coração oprimido, iluminando o calvário dos seus indivisíveis padecimentos com a lâmpada suave do seu inesgotável amor. Através das linhas tortuosas dos homens, realizou Jesus seus grandes e benditos objetivos, porque os negros das costas africanas foram uma das pedras angulares do monumento evangélico do Coração do Mundo. Sobre os seus ombros flagelados, carrearam-se quase todos os elementos materiais para a organização física do Brasil, ao lado dos indígenas, e, do manancial de humildade de seus corações resignados e tristes, nasceram lições comovedoras, imunizando todos os espíritos contra os excessos do imperialismo e do orgulho injustificáveis das outras nações do planeta, dotando-se a alma brasileira dos mais belos sentimentos de fraternidade, de ternura e de perdão”.
A reencarnação de brancos como negros.
Paralelamente à imigração dos negros de África, recomenda Jesus a Ismael que promova a reencarnação, como negros, no Brasil, de Espíritos dotados de sabedoria, mas, ainda, necessitados de provas no campo do Amor, como condição para a regeneração.
Assim, Ismael arrebanhou, nas regiões inferiores da crosta terrestre, espíritos que suplicaram essa prova a Jesus: “antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados”.
Como negros e escravos, “buscaram as pérolas da humildade e do sentimento com que se apresentaram mais tarde a Jesus, no dia que lhes raiou, da redenção e glória”.
O negro como Guia Espiritual.
Os espíritos reencarnados, vindos da África, e os desencarnados, atraídos das regiões espirituais inferiores do planeta, pela afinidade adquirida ao longo dos anos como escravos, no Brasil, reuniram-se, no plano astral brasileiro, e criaram a colônia espiritual, conhecida como Aruanda, que mantém vilas, postos e sobpostos de socorro e assistência espiritual, em alguma dimensão da área geográfica reservada ao Brasil.
Encarnados ou desencarnados, continuaram a cumprir as instruções do Alto, laborando pela implantação do Amor e do Perdão na Pátria do Evangelho.
Feita a aliança do Amor com a Sabedoria, duas asas que conduzem o espírito à presença de Deus, segundo Emmanuel, trataram de criar um movimento religioso, pelo qual, através da mediunidade, pudessem prolongar o trabalho iniciado quando encarnados, como escravos negros: servir, amando e perdoando, sempre. Na chamada “mesa branca kardecista” ou nas reuniões espíritas eram rechaçados e expulsos como obsessores ou impostores. A estratégia era criar condições para a manifestação desses espíritos, para o cumprimento das tarefas que lhes foi confiada pela Espiritualidade.
Estavam lançadas as sementes da Umbanda. E com esta, o trabalho amoroso dos Pretos-Velhos e Pretas-Velhas, como humildes viveram, enquanto encarnados, como escravos do branco. Ou já libertos, mas largados, abandonados pela maioria de seus antigos “senhores”.
Ao longo dessa jornada, os Pretos-Velhos têm desenvolvido intensa atividade, junto a encarnados e desencarnados, arrebanhando ovelhas para o Pastor Divino.
Os Pretos-Velhos, consoladores ou magistas, tendo vivenciado o perdão, a tolerância, a resignação e o amor fraterno e universal, adquiriram as condições espirituais necessárias para empreenderem a tarefa evangelizadora no Brasil.
Ninguém, como eles, quando encarnados como negros escravos, viveu, com tanto realismo, as Bem-aventuranças (Mateus, 5 : 3 a 1) ...
... Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados...
...  Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados...
... Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus...
... Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra...
... Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus...
... Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia...
Os aflitos, os famintos, os perseguidos, os pobres de espírito (os simples), os puros de coração (sentimento), os brandos, os pacíficos e os misericordiosos são os negros escravos que sofreram resignadamente todas as provações que lhes foram colocadas no caminho, de acordo com a pedagógica Lei da Reencarnação. Tiveram oportunidade de provar sua fé, sua esperança e sua submissão aos desígnios da Lei Divina. E, hoje, são os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas consoladores e fraternos, ou os magistas, que “baixam” nos terreiros de Umbanda ou, quando é permitido, nas reuniões espíritas. Viveram e pregam a filosofia cristã do “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
São os evangelizadores e consoladores do povo, os apóstolos do Cristo a pregarem, pelos médiuns de boa vontade, a mensagem viva da Fé, do amor e da caridade. São os mensageiros do Cristo para a convocação feita por Jesus e registrada por Mateus (11: 28 a 30):
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu ajugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é asuave, e o meu fardo é leve.
¨
(Crédito da imagem: Araquém Álvaro, artista fluminense)