Na
Questão 257, em O Livro dos Espíritos (Rio de Janeiro: Federação
Espírita Brasileira, 2005, p. 194), Allan Kardec, em Ensaio teórico da
sensação nos Espíritos, recomenda:
Dome
suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho;
não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos;
pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e,
então, embora revestido do invólucro corporal, já estará depurado, já estará
liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse invólucro, não mais lhe
sofrerá a influência. Nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos
físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradável eles lhe deixarão,
porque apenas terão atingido o corpo e não a alma. Sentir-se-á feliz por se
haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer
sofrimento moral.
Kardec, na Questão 292 (p. 209), pergunta aos
Espíritos: “Alimentam ódio entre si os Espíritos?”. E a resposta é imediata e
clara: “Só entre os
Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as
dissensões”.
Espíritos impuros, aqueles que ainda não
alcançaram a luz, que não seguem os ensinos do Cristo. Normalmente, o Espírito
para alcançar o estágio de não praticar essas paixões animais leva alguns
milênios. O progresso é individual. Há uma regra, delineada por Kardec, mas
cada Espírito tem o seu ritmo de volta ao Pai, da periferia para o Centro, onde
reina o Amor incondicional, pleno, sem quaisquer resquícios de ódio, inveja,
ciúme, egoísmo, orgulho.
O poeta espanhol Antonio Machado,
em um de seus poemas, tem uns versos que esclarecem essa jornada individual: “Caminante,
no hay camiño; el camiño se hace al andar”. O caminhante abre o seu próprio
caminho. Os bons espíritos orientam, ajudam, mas a decisão de seguir a retidão
dos ensinos cristãos, pela voz de Kardec, é individual, porque ninguém consegue
mudar ninguém, caso não haja empatia, boa vontade.
O ódio é um dos sentimentos mais
destruidores entre as paixões animalescas. É uma doença do Espírito.
O Espírito Hammed, pela
psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, no livro Estamos prontos (Catanduva-SP: Boa Nova, 2012, p.
45), esclarece que: “A inconstância emocional é compreensível em nossa idade
evolutiva e ela pode ser considerada um
caminho para o equilíbrio, um indicativo para a saúde mental, pois faz
emergir de nossas profundezas as emoções negadas, trazendo-as à luz da
consciência”. E conclui, sabiamente: “Tanto nosso corpo como nosso espírito
abrigam possibilidades de renovação, fazendo aumentar a nossa capacidade de
desenvolvimento. Guardamos em nossas mãos livre-arbítrio, mudança e
flexibilidade para compor e recompor nosso modo de agir, de pensar; enfim, de
viver”.
O ódio que sentimos por outra
pessoa nós temos a capacidade de transformar em perdão ou, pelo menos, em
esquecimento, para aliviar nossa alma desse peso doentio. E quando nós somos alvo
do ódio de outra pessoa? Como agir?
Para Emmanuel, o ódio asfixia
corações e anula energias; é fogo invisível na consciência. Mas ele nos dá, pela
psicografia do divino médium Chico Xavier, em Pão
Nosso, um conselho infalível para
quando nos odeiam: “Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos
laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no
endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento
oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio,
cheio de expressões infernais” (Rio de
Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 348) ‒ “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se
tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo
sobre a sua cabeça.” – Paulo. (Romanos, 12:20).¨
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