sábado, 6 de junho de 2020

Ódio: uma doença do Espírito


Na Questão 257, em O Livro dos Espíritos (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 194), Allan Kardec, em Ensaio teórico da sensação nos Espíritos, recomenda:
Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, en­tão, embora revestido do invólucro corporal, já estará de­purado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando dei­xar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. Nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradá­vel eles lhe deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma. Sentir-se-á feliz por se haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer sofrimento moral.
Kardec, na Questão 292 (p. 209), pergunta aos Espíritos: “Alimentam ódio entre si os Espíritos?”. E a resposta é imediata e clara: “Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões”.
Espíritos impuros, aqueles que ainda não alcançaram a luz, que não seguem os ensinos do Cristo. Normalmente, o Espírito para alcançar o estágio de não praticar essas paixões animais leva alguns milênios. O progresso é individual. Há uma regra, delineada por Kardec, mas cada Espírito tem o seu ritmo de volta ao Pai, da periferia para o Centro, onde reina o Amor incondicional, pleno, sem quaisquer resquícios de ódio, inveja, ciúme, egoísmo, orgulho.
O poeta espanhol Antonio Machado, em um de seus poemas, tem uns versos que esclarecem essa jornada individual: “Caminante, no hay camiño; el camiño se hace al andar”. O caminhante abre o seu próprio caminho. Os bons espíritos orientam, ajudam, mas a decisão de seguir a retidão dos ensinos cristãos, pela voz de Kardec, é individual, porque ninguém consegue mudar ninguém, caso não haja empatia, boa vontade.
O ódio é um dos sentimentos mais destruidores entre as paixões animalescas. É uma doença do Espírito.
O Espírito Hammed, pela psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, no livro Estamos prontos (Catanduva-SP: Boa Nova, 2012, p. 45), esclarece que: “A inconstância emocional é compreensível em nossa idade evolutiva e ela pode ser considerada um  caminho para o equilíbrio, um indicativo para a saúde mental, pois faz emergir de nossas profundezas as emoções negadas, trazendo-as à luz da consciência”. E conclui, sabiamente: “Tanto nosso corpo como nosso espírito abrigam possibilidades de renovação, fazendo aumentar a nossa capacidade de desenvolvimento. Guardamos em nossas mãos livre-arbítrio, mudança e flexibilidade para compor e recompor nosso modo de agir, de pensar; enfim, de viver”.
O ódio que sentimos por outra pessoa nós temos a capacidade de transformar em perdão ou, pelo menos, em esquecimento, para aliviar nossa alma desse peso doentio. E quando nós somos alvo do ódio de outra pessoa? Como agir?
Para Emmanuel, o ódio asfixia corações e anula energias; é fogo invisível na consciência. Mas ele nos dá, pela psicografia do divino médium Chico Xavier, em Pão Nosso, um conselho infalível para quando nos odeiam: “Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais” (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 348) ‒ “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” – Paulo. (Romanos, 12:20).¨

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