Teu lugar na vida
Hammed
“[...] Quando fordes
convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro
lugar, temendo que se encontre entre os convidados uma pessoa mais considerada
que vós, e que aquele que vos tiver convidado não venha vos dizer: Dai vosso
lugar a este...”. [...] todo aquele que se eleva será rebaixado, e todo aquele
que se rebaixa será elevado” (Capítulo 7, item 5).
Querendo
ilustrar suas prédicas, como sempre de modo claro e compreensível, Jesus de
Nazaré considerava, certa ocasião, como os convidados de uma festividade se
comportavam precipitadamente, na ânsia de tomar os lugares principais da mesa,
com isso desrespeitando os princípios básicos do bom senso e da educação.
Qual o teu lugar
à mesa? Qual a tua posição no universo de ti mesmo? Essa a grande proposta
feita pelo Mestre nesta parábola.
Será que o lugar
que ocupas hoje é teu mesmo? Ou influências externas te levam a direções
antagônicas de acordo com o teu modo de pensar e agir?
Tens escutado a
voz da alma, que é Deus em ti, ou escancarado teus ouvidos às opiniões e
conceitos dos outros?
Nada pior do que
te sentires deslocado na escola, profissão, círculo social ou mesmo entre
familiares, porque deixas parentes, amigos, cônjuges e companheiros pensarem
por ti, não permitindo que Deus fale contigo pelas vias inspirativas da alma.
Essa inadaptação
que sentes é fruto de teu deslocamento íntimo por não acreditares em tuas
potencialidades. Achas-te incapaz, não por seres realmente, mas porque te fazes
surdo às tuas escolhas e preferências oriundas de tua própria essência.
Se permaneceres
nesse comportamento volúvel, apontando frequentemente os outros como responsáveis
pela tua inadequação e conflitos, porque não assumes que és uma folha ao vento
entre as vontades alheias, te sentirás sempre um solitário, ainda que rodeado
por uma multidão.
Porém, se não
mais negares sistematicamente que tuas ações são, quase na totalidade, frutos
do consenso que fizeste do somatório de conselhos e palpites vários, estarás
sendo, a partir desse instante, convidado a sentar no teu real lugar, na mesa
da existência.
Por fim,
perceberás com maior nitidez quem é que está movimentando tuas decisões e o
quanto de participação tens nas tuas opções vivenciais.
No exame da
máxima “todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se rebaixa
será elevado”, vale considerar que não é a postura de se “dar ares” de
humildade ou a de se rebaixar de forma exagerada e humilhante que te poderá
levar à conscientização plena da tua localização dentro de ti mesmo.
Sintonizando-te na verdadeira essência da humildade, que é conceituada como
“olhar as coisas como elas são realmente”, e percebendo que a tua existência é
responsabilidade unicamente tua, é que tu serás tu mesmo.
Ser humilde é
auscultar a origem real das coisas, não com os olhos da ilusão, mas com os da
realidade, despojando-se da imaginação fantasiosa de uma ótica mental distorcida,
nascida naqueles que sempre acham que merecem os “melhores lugares em tudo.
Vale considerar
que, por não estarmos realizando um constante exercício de auto-observação,
quase sempre deduzimos ou captamos a realidade até certo ponto e depois concluímos
o restante a nosso bel-prazer, criando assim ilusões e expectativas
desgastantes que nos descentralizam de nossos objetivos.
Quem encontrou o seu lugar respeita
invariavelmente o lugar dos outros, pois divisa a própria fronteira e,
consequentemente, não ultrapassa o limite dos outros, colocando na prática o
“amor próximo”.
Para que
encontres o teu lugar, é necessário que tenhas uma “simplicidade lúcida”, e o
despojar dos teus enganos e fantasias fará com que encontres a autêntica
humildade.
Para que não
tenhas que ceder teu lugar a outro, é indispensável que vejas as coisas como
elas são realmente e que uses o bom senso como ponto de referência para o teu
aprimoramento e para a tua percepção da verdade como um todo.
Procura-te em ti
mesmo: eis a possibilidade de sempre achares o lugar que te pertence perante a
Vida Excelsa.
(Extraído do
livro Renovando atitudes / ditado
pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto.
Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 41/43)
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