sábado, 11 de abril de 2020

OS PRETOS-VELHOS E A FILOSOFIA CRISTÃ




É devagar.
É devagarinho.
Quem caminha com Preto
Nunca fica no caminho.
(De um ponto cantado dos Pretos-Velhos)
A imigração dos africanos
Jesus, conta-nos o Irmão X (Humberto de Campos), pela mediunidade de Chico Xavier, procurado por Ismael, mentor espiritual de nossa pátria, que demonstrava preocupação ante os desvios da colonização brasileira com o uso da escravidão dos negros africanos pelos portugueses, afirmou-lhe que “havia determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas” (Os trechos entre aspas foram extraídos do livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, ditado pelo Espírito Irmão X ao médium Chico Xavier, edição FEB, 1977).
Para plantar as sementes vivas do Evangelho no Coração do Mundo – o Brasil –, Jesus contava com a participação dos negros africanos, espíritos humildes reencarnados na África.
E os negros foram trazidos para o Brasil...
... E, aqui, “foram humilhados e abatidos...; o Senhor, porém, lhes sustenta o coração oprimido, iluminando o calvário dos seus indivisíveis padecimentos com a lâmpada suave do seu inesgotável amor. Através das linhas tortuosas dos homens, realizou Jesus seus grandes e benditos objetivos, porque os negros das costas africanas foram uma das pedras angulares do monumento evangélico do Coração do Mundo. Sobre os seus ombros flagelados, carrearam-se quase todos os elementos materiais para a organização física do Brasil, ao lado dos indígenas, e, do manancial de humildade de seus corações resignados e tristes, nasceram lições comovedoras, imunizando todos os espíritos contra os excessos do imperialismo e do orgulho injustificáveis das outras nações do planeta, dotando-se a alma brasileira dos mais belos sentimentos de fraternidade, de ternura e de perdão”.
A reencarnação de brancos como negros.
Paralelamente à imigração dos negros de África, recomenda Jesus a Ismael que promova a reencarnação, como negros, no Brasil, de Espíritos dotados de sabedoria, mas, ainda, necessitados de provas no campo do Amor, como condição para a regeneração.
Assim, Ismael arrebanhou, nas regiões inferiores da crosta terrestre, espíritos que suplicaram essa prova a Jesus: “antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados”.
Como negros e escravos, “buscaram as pérolas da humildade e do sentimento com que se apresentaram mais tarde a Jesus, no dia que lhes raiou, da redenção e glória”.
O negro como Guia Espiritual.
Os espíritos reencarnados, vindos da África, e os desencarnados, atraídos das regiões espirituais inferiores do planeta, pela afinidade adquirida ao longo dos anos como escravos, no Brasil, reuniram-se, no plano astral brasileiro, e criaram a colônia espiritual, conhecida como Aruanda, que mantém vilas, postos e sobpostos de socorro e assistência espiritual, em alguma dimensão da área geográfica reservada ao Brasil.
Encarnados ou desencarnados, continuaram a cumprir as instruções do Alto, laborando pela implantação do Amor e do Perdão na Pátria do Evangelho.
Feita a aliança do Amor com a Sabedoria, duas asas que conduzem o espírito à presença de Deus, segundo Emmanuel, trataram de criar um movimento religioso, pelo qual, através da mediunidade, pudessem prolongar o trabalho iniciado quando encarnados, como escravos negros: servir, amando e perdoando, sempre. Na chamada “mesa branca kardecista” ou nas reuniões espíritas eram rechaçados e expulsos como obsessores ou impostores. A estratégia era criar condições para a manifestação desses espíritos, para o cumprimento das tarefas que lhes foi confiada pela Espiritualidade.
Estavam lançadas as sementes da Umbanda. E com esta, o trabalho amoroso dos Pretos-Velhos e Pretas-Velhas, como humildes viveram, enquanto encarnados, como escravos do branco. Ou já libertos, mas largados, abandonados pela maioria de seus antigos “senhores”.
Ao longo dessa jornada, os Pretos-Velhos têm desenvolvido intensa atividade, junto a encarnados e desencarnados, arrebanhando ovelhas para o Pastor Divino.
Os Pretos-Velhos, consoladores ou magistas, tendo vivenciado o perdão, a tolerância, a resignação e o amor fraterno e universal, adquiriram as condições espirituais necessárias para empreenderem a tarefa evangelizadora no Brasil.
Ninguém, como eles, quando encarnados como negros escravos, viveu, com tanto realismo, as Bem-aventuranças (Mateus, 5 : 3 a 1) ...
... Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados...
...  Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados...
... Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus...
... Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra...
... Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus...
... Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia...
Os aflitos, os famintos, os perseguidos, os pobres de espírito (os simples), os puros de coração (sentimento), os brandos, os pacíficos e os misericordiosos são os negros escravos que sofreram resignadamente todas as provações que lhes foram colocadas no caminho, de acordo com a pedagógica Lei da Reencarnação. Tiveram oportunidade de provar sua fé, sua esperança e sua submissão aos desígnios da Lei Divina. E, hoje, são os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas consoladores e fraternos, ou os magistas, que “baixam” nos terreiros de Umbanda ou, quando é permitido, nas reuniões espíritas. Viveram e pregam a filosofia cristã do “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
São os evangelizadores e consoladores do povo, os apóstolos do Cristo a pregarem, pelos médiuns de boa vontade, a mensagem viva da Fé, do amor e da caridade. São os mensageiros do Cristo para a convocação feita por Jesus e registrada por Mateus (11: 28 a 30):
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu ajugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é asuave, e o meu fardo é leve.
¨
(Crédito da imagem: Araquém Álvaro, artista fluminense)

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