É devagar.
É devagarinho.
Quem caminha com Preto
Nunca fica no caminho.
(De um ponto cantado
dos Pretos-Velhos)
A imigração dos africanos
Jesus,
conta-nos o Irmão X (Humberto de Campos), pela mediunidade de Chico Xavier,
procurado por Ismael, mentor espiritual de nossa pátria, que demonstrava
preocupação ante os desvios da colonização brasileira com o uso da escravidão
dos negros africanos pelos portugueses, afirmou-lhe que “havia determinado que
a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a
colaboração dos povos sofredores das regiões africanas” (Os
trechos entre aspas foram extraídos do livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, ditado pelo Espírito
Irmão X ao médium Chico Xavier, edição FEB, 1977).
Para
plantar as sementes vivas do Evangelho no Coração do Mundo – o Brasil –, Jesus
contava com a participação dos negros africanos, espíritos humildes
reencarnados na África.
E os
negros foram trazidos para o Brasil...
... E,
aqui, “foram humilhados e abatidos...; o Senhor, porém, lhes sustenta o coração
oprimido, iluminando o calvário dos seus indivisíveis padecimentos com a
lâmpada suave do seu inesgotável amor. Através das linhas tortuosas dos homens,
realizou Jesus seus grandes e benditos objetivos, porque os negros das costas
africanas foram uma das pedras angulares do monumento evangélico do Coração do
Mundo. Sobre os seus ombros flagelados, carrearam-se quase todos os elementos
materiais para a organização física do Brasil, ao lado dos indígenas, e, do
manancial de humildade de seus corações resignados e tristes, nasceram lições
comovedoras, imunizando todos os espíritos contra os excessos do imperialismo e
do orgulho injustificáveis das outras nações do planeta, dotando-se a alma
brasileira dos mais belos sentimentos de fraternidade, de ternura e de perdão”.
A reencarnação de brancos como negros.
Paralelamente
à imigração dos negros de África, recomenda Jesus a Ismael que promova a
reencarnação, como negros, no Brasil, de Espíritos dotados de sabedoria, mas,
ainda, necessitados de provas no campo do Amor, como condição para a
regeneração.
Assim,
Ismael arrebanhou, nas regiões inferiores da crosta terrestre, espíritos que
suplicaram essa prova a Jesus: “antigos batalhadores das cruzadas, senhores
feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e
revoltados”.
Como
negros e escravos, “buscaram as pérolas da humildade e do sentimento com que se
apresentaram mais tarde a Jesus, no dia que lhes raiou, da redenção e glória”.
O negro como Guia Espiritual.
Os
espíritos reencarnados, vindos da África, e os desencarnados, atraídos das
regiões espirituais inferiores do planeta, pela afinidade adquirida ao longo
dos anos como escravos, no Brasil, reuniram-se, no plano astral brasileiro, e
criaram a colônia espiritual, conhecida como Aruanda, que mantém vilas, postos
e sobpostos de socorro e assistência espiritual, em alguma dimensão da área
geográfica reservada ao Brasil.
Encarnados
ou desencarnados, continuaram a cumprir as instruções do Alto, laborando pela
implantação do Amor e do Perdão na Pátria do Evangelho.
Feita
a aliança do Amor com a Sabedoria, duas asas que conduzem o espírito à presença
de Deus, segundo Emmanuel, trataram de criar um movimento religioso, pelo qual,
através da mediunidade, pudessem prolongar o trabalho iniciado quando
encarnados, como escravos negros: servir, amando e perdoando, sempre. Na
chamada “mesa branca kardecista” ou nas reuniões espíritas eram rechaçados e
expulsos como obsessores ou impostores. A estratégia era criar condições para a
manifestação desses espíritos, para o cumprimento das tarefas que lhes foi
confiada pela Espiritualidade.
Estavam
lançadas as sementes da Umbanda. E com esta, o trabalho amoroso dos
Pretos-Velhos e Pretas-Velhas, como humildes viveram, enquanto encarnados, como
escravos do branco. Ou já libertos, mas largados, abandonados pela maioria de
seus antigos “senhores”.
Ao
longo dessa jornada, os Pretos-Velhos têm desenvolvido intensa atividade, junto
a encarnados e desencarnados, arrebanhando ovelhas para o Pastor Divino.
Os
Pretos-Velhos, consoladores ou magistas, tendo vivenciado o perdão, a
tolerância, a resignação e o amor fraterno e universal, adquiriram as condições
espirituais necessárias para empreenderem a tarefa evangelizadora no Brasil.
Ninguém,
como eles, quando encarnados como negros escravos, viveu, com tanto realismo,
as Bem-aventuranças (Mateus, 5 : 3 a 1) ...
... Bem-aventurados os aflitos, porque serão
consolados...
...
Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão
saciados...
... Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que
deles é o reino dos céus...
... Bem-aventurados os que são brandos, porque
possuirão a Terra...
... Bem-aventurados os pacíficos, porque serão
chamados filhos de Deus...
... Bem-aventurados os que são misericordiosos,
porque obterão misericórdia...
Os
aflitos, os famintos, os perseguidos, os pobres de espírito (os simples), os
puros de coração (sentimento), os brandos, os pacíficos e os misericordiosos
são os negros escravos que sofreram resignadamente todas as provações que lhes
foram colocadas no caminho, de acordo com a pedagógica Lei da Reencarnação.
Tiveram oportunidade de provar sua fé, sua esperança e sua submissão aos desígnios
da Lei Divina. E, hoje, são os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas consoladores e
fraternos, ou os magistas, que “baixam” nos terreiros de Umbanda ou, quando é
permitido, nas reuniões espíritas. Viveram e pregam a filosofia cristã do
“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
São os
evangelizadores e consoladores do povo, os apóstolos do Cristo a pregarem,
pelos médiuns de boa vontade, a mensagem viva da Fé, do amor e da caridade. São
os mensageiros do Cristo para a convocação feita por Jesus e registrada por
Mateus (11: 28 a 30):
Vinde a mim,
todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o
meu a jugo, e aprendei
de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a
vossa alma. Porque o meu jugo é a suave, e o meu
fardo é leve.
¨
(Crédito
da imagem: Araquém Álvaro, artista fluminense)

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