Em 31 de março
de 1964, com 28 anos de idade, eu estava na cidade de Cantagalo, na região
centro-norte fluminense. Meu pai, Henrique Luiz Frauches, era prefeito do
município e eu o Secretário da Prefeitura. Havia somente uma secretaria.
Atuava, ainda, como professor de Organização
Social e Política no curso
Ginasial do Colégio Cenecista, sob a direção do meu amigo e professor Ewandro
do Valle Moreira.
Eu e meu pai
estávamos filiados ao Partido Trabalhista Brasileiro , fundado sob a inspiração
de Getúlio Vargas, um partido que, à época, poderia ser considerado de
centro-esquerda. Os comunistas e socialistas estavam em seus respectivos
partidos ou infiltrados em partidos nanicos.
Os partidos
políticos mais fortes eram o Partido Social Democrático (PSD), de centro e
centro-direita, a União Democrática Nacional (UDN), de direita e
extrema-direita, e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de centro-esquerda,
em uma classificação livre em relação aos padrões políticos da época.
O Brasil caminhava,
sob a insegura e ambígua liderança de João Goulart, para a esquerda, infiltrada
na parte inferior da hierarquia das Forças Armadas (sargentos e cabos). Jânio Quadros (1917/1992) tinha sido eleito
presidente da República, em 3 de outubro de 1960, tomado posse em 31 de janeiro
de 1961 e renunciado em 25 de agosto de 1961. Em oito meses de desgoverno Jânio
Quadros deu uma virada à esquerda, encantado com a ditadura de Castro em Cuba,
com a condecoração de Ernesto Che Guevara, seis dias antes de sua renúncia, com
a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
Com a renúncia
de Jânio Quadros, assumiu a Presidência da República o Vice-presidente, João
Goulart, do PTB. Àquela época, a eleição do presidente e do vice era separada.
O vice de Jânio Quadros, Milton Campos, foi derrotado por João Goulart. Jânio,
candidato a UDN, com apoio de outros partidos foi eleito com a maior votação da
história brasileira, até 1960 – 5,6 milhões de votos; João Goulart foi eleito
vice-presidente com 4,5 milhões.
As lideranças
civis de direita, centro-direita e extrema-direita, tendo à frente os
governadores de Minas Gerais, Magalhães Pinto, do Rio de Janeiro, Carlos
Lacerda, ambos da UDN, e Ademar de Barros (PRP), de São Paulo, desenvolveram
uma campanha junto à sociedade civil para a derrubada de João Goulart. Os
militares deram apoio às lideranças civis e ao apelo de jornais importantes,
como, por exemplo, O Globo, chegando
ao golpe, movimento ou revolução de 64.
Passaram-se 54
anos. Em 2018, a história se repete. Todavia, agora a revolução veio pelas
urnas, com a vitória esmagadora de Jair Messias Bolsonaro, de um partido nanico
(Partido Social Liberal-PSL), com 55 milhões de votos, 11 milhões à frente do candidato derrotado.
A esquerda e a extrema esquerda – socialistas e comunistas –
classificam o movimento de 64 e a eleição de Jair Bolsonaro como golpes, como
fizeram com o impeachment constitucional de Dilma Rousseff. Foi realmente um golpe em suas pretensões
político-eleitoreiras de poder. O Globo,
em 1964, ficou a favor do “golpe” militar; em 2018, ficou contra o “golpe” da
eleição democrática de Jair Bolsonaro. Uma contradição que deve estar causando
arrepios a Roberto Marinho, onde quer que ele esteja.
O Grupo Globo, que cresceu graças ao apoio da “ditadura”
militar, pode estar definhando, quando atenta contra a inteligência e a vontade
popular, que elegeu Jair Bolsonaro para liderar, democraticamente, uma
revolução na máquina estatal e nas estratégias de governança. À sua declarada
“guerra” ao presidente Bolsonaro, a Rede Globo continua destilando sobre os
seus teleouvintes, as novelas onde os bordéis predominam e os BBBs, lixo
internacional, elevam sua baixa audiência, à busca de patrocinadores que não
têm responsabilidade social, líderes do capitalismo selvagem.
Curto e grosso: duas revoluções aconteceram no Brasil, a
partir de 1964: uma à margem da Constituição (1964) e outra sob a proteção da
Constituição (2018). Em ambas a maioria do povo foi vitorioso.
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