domingo, 30 de dezembro de 2018

Jair Bolsonaro: quem viver verá


Jair Messias Bolsonaro toma posse, no próximo dia 1º, no cargo de Presidente do Brasil, autoridade máxima do Poder Executivo. Até agora, Bolsonaro e sua equipe de transição revelam alguns detalhes do plano de governo, de caráter liberal democrático e de um Estado mínimo.
O Brasil tem hoje 418 empresas controladas direta ou indiretamente por União, Distrito Federal, estados e municípios. Dessas, 138 são federais e alvos de privatização no governo de Jair Bolsonaro. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o país que tem o maior número de estatais entre as 36 nações que constituem essa organização internacional.  Um dos motivos que conduzem à privatização da maioria absoluta dessas estatais foi revelado no mais recente relatório do Tesouro Nacional. A União gastou, em 2017, R$ 9,3 bilhões a mais com empresas estatais do que arrecadou. O governo federal recebeu R$ 5,5 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio das estatais federais em 2017, mas desembolsou R$ 14,8 bilhões em gastos com pessoal, investimento ou manutenção dessas empresas. Caso fossem empresas privadas, os seus acionistas teriam pela frente uma escolha drástica: fechar suas empresas ou colocar na liderança e gestão das mesmas profissionais competentes, que terão que cumprir metas. As estatais, até agora, são geridas por políticos ou “técnicos” indicados pelos partidos que integram a base de governo no Congresso Nacional – PT, MDB, PP e outros partidecos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Petrobrás, as mais badalas, têm vice-presidentes e diretores. Seus conselhos administrativos têm uma composição estritamente política. O déficit público é monumental, fruto de governos irresponsáveis e populistas, sem qualquer zelo pela população. Creio que nenhuma das atuais estatais está fora da privatização, especialmente, a Petrobrás. As que não devem ser privatizadas, vão sofrer uma “operação pente fino” em seu quadro de diretores e segundo escalão, para cortar suas “gorduras”.
A transformação no atual Ministério da Justiça, que ficará sob a gestão de Sérgio Moro, o juiz federal que deu vida à Operação Lavajato, ao lado de procuradores e policiais federais, vai combater com rigor a corrupção, que tomou conta do Estado brasileiro. Outro alvo será a segurança pública, um caos na maioria dos estados brasileiros. O ministro Moro terá, sob o seu controle, uma plêiade de órgãos que vai permitir rastrear com mais amplitude os reais da corrupção, que fazem um turismo financeiro pelo planeta, com passagem obrigatória em paraísos fiscais.
A educação pública, outro desafio para o novo governo, deverá sofrer uma reformulação profunda, invertendo a aplicação do dinheiro público. No mais recente relatório da Secretaria do Tesouro Nacional, o Brasil está entre os países que mais gastam com a educação pública. Todavia, está nas últimas colocações em avaliações internacionais de qualidade do ensino. O relatório revela que o nosso país gasta 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação pública por ano. Esse índice é superior à média observada pela OCDE, que é de 5,5%, e também acima de nações como Estados Unidos (5,4), México (5,3%), Argentina (5,3%), Chile (4,8%) e Colômbia (4,7%). É um quadro estarrecedor, que revela uma gestão pública ineficiente e ineficaz. Por outro lado, os gatos com a educação superior são bem maiores do que os aplicados na educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A equipe de transição já equacionou esse problema e deve, nos próximos quatro anos, reverter esta esdrúxula distribuição dos recursos públicos em educação.
A saúde pública, outra calamidade nacional, terá que mostrar competência gerencial e aplicação racional dos recursos públicos: União, Distrito Federal, estados e municípios. A mídia mostra, diariamente, a situação calamitosa do SUS, que nenhum médico cubano vai resolver. O Ministério da Saúde terá que reformular sua política de distribuição financeira e técnica para as unidades federadas e os municípios.
As políticas públicas para o Nordeste serão o diferencial entre o governo Bolsonaro e seus antecessores: em vez de esmola, empregos, desenvolvimento sustentável. A dessalinização de águas marítimas e outros recursos paralelos para irrigar o Nordeste será a revolução mais ampla do novo governo.
Quem viver verá...¨

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