domingo, 16 de dezembro de 2018

Mediunidade & médiuns: o caso “João de Deus”


O fato. Na madrugada do último dia 7, sexta-feira, o programa Conversa com Bial, da TV Globo, apresentou entrevistas em off e ao vivo com dez mulheres que se diziam abusadas sexualmente pelo médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Os relatos entraram em detalhes dos assédios sexuais provocados pelo médium, chegando até ao estupro. As palavras mais presentes nesses relatos eram pênis e sexo anal, passando pela masturbação. A TV Globo, ante o sensacionalismo da notícia, passou a repeti-la sucessivamente em seus noticiários matutinos e vespertinos, com as mesmas entrevistas do Conversa com Bial e outras, em horário acessível a crianças e adolescentes. Pela audiência a ética é jogada no lixo.
Espiritismo & espírita. Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em O Livro dos Espíritos (Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 15), assim define o Espiritismo:
Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas. (grifo no original)
Simplificando: Espiritismo – Doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e em suas manifestações. Espírita:  O que tem relação com o Espiritismo; adepto do Espiritismo; aquele que crê nas manifestações dos Espíritos.
Mediunidade. A mediunidade é a faculdade que permite o intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual. É o que revela Allan Kardec em O Livro dos Médiuns (Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 461):
O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade. Os Caldeus, os Assírios tinham médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele lhe ouvia a voz. Todos os povos tiveram seus médiuns. As inspirações de Joana d’Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.
O mediunismo pode ser definido com a prática empírica da mediunidade, sem filiação a qualquer crença ou presente em diversas crenças. O mediunato é definido por Joana D’Arc como uma missão providencial dos médiuns. Esta palavra foi criada pelos Espíritos (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns Segunda Parte, Cap. XXXI, item XII. Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 462)
Herculano Pires (1914/1979), professor e espírita, um dos mais fiéis tradutores da Codificação Espírita, define a mediunidade como a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.
A mediunidade cristã deve ser exercida gratuitamente, sem privilégios ou atendimentos especiais. “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus, 10:8), instrução dada por Jesus aos seus apóstolos. Os médiuns cristãos-espíritas não devem cobrar, sob qualquer forma, por seus trabalhos mediúnicos, fieis aos ensinos do Cristo.
Médiuns. Médium significa medianeiro, intermediário. Segundo Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, capítulo XIV, Questão 159. Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 203):
Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, peneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos. (grifos no original)
Posteriormente à Codificação Espírita, outras faculdades mediúnicas foram surgindo, como, por exemplo, a psicopictografia, popularmente conhecida como pintura mediúnica, muito comum em médiuns brasileiros. Luiz Antonio Gasparetto (1949/2018) foi o mais famoso, com faculdades extraordinárias.
Para que o fenômeno se produza, faz-se mister a intervenção de uma ou muitas pessoas dotadas de especial aptidão, que se designam pelo nome de médiuns.
A melhor definição de médium e que pode ser aplicada ao caso em tela, encontramos em André Luiz (Nos domínios da mediunidade / ditado pelo Espírito André Luiz; [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 9):
Na grande romagem, todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superi­or, ou às forças perturbadoras e deprimentes, se ainda nos escravi­zamos às sombras da vida primitivista ou torturada. Cada criatura, com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima, emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica.
João de Deus. A Casa Dom Inácio de Loyola, segundo informa o saite <http://joaodedeus.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=a-casa>, foi criada em 1976 por João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus, na cidade de Abadiânia, Estado de Goiás (GO). É onde o médium exerce o mediunismo de cura espiritual por 42 anos seguidos. Abadiânia dista de Brasília 113km, pela rodovia BR-060, que liga a Capital da República a Goiânia.
A entidade foi denominada Casa Dom Inácio de Loyola em homenagem a uma das principais entidades que guiam o médium João de Deus, também conhecida como Santo Inácio de Loyola (1491/1556), fundador da Companhia de Jesus, nascido na Espanha, canonizado pela Igreja Católica, Apostólica Romana em 1622.
João de Deus, segundo informa o portal da Casa Dom Inácio de Loyola, “é um homem nascido em família simples, que tem problemas como qualquer homem comum. Tem defeitos, limitações e é capaz de errar e sofrer como qualquer outro ser humano”. Segundo o médium, “se fosse perfeito, não estaria nessa missão na Terra”. João Teixeira de Faria nasceu no vilarejo de Cachoeira da Fumaça, no estado de Goiás, em 24 de junho de 1942, sendo o mais novo de seis filhos.
O próprio médium diz ser “apenas um homem” que, há mais de trinta e cinco anos, instalou a Casa de Dom Inácio “neste solo sagrado de Abadiânia, esta terra bendita, onde Deus me colocou para cumprir minha missão”. Diz mais: “Eu não curo ninguém. Quem cura é Deus, que, em sua infinita bondade, permite as Entidades (bons espíritos) que me assistem proporcionar cura e consolo aos meus irmãos, ao passo que sou apenas um instrumento em suas divinas mãos”.
Registra ainda, no mesmo espaço da internet, que foi garimpeiro e sabe “que a pedra preciosa, para mostrar sua beleza, precisa sofrer o desgaste da lapidação, sendo que, antes de polida, quem não conhece não lhe dá valor algum. Cada filho é um diamante raro da criação, mas que necessita ser polido implicando em dores e sofrimento, para realizar sua superior destinação”. João de Deus é analfabeto funcional.
Pelas características da Casa parece ser um ambiente ecumênico, com alguma influência do Espiritismo, sem ser a este ligado.
Os médiuns com tarefas definidas são espíritos altamente devedores na contabilidade cármica ou divina. Não são missionários, com raríssimas exceções. Geralmente, foram totalitários, sanguinários, perversos, prejudicando milhões de pessoas. Voltam, pela reencarnação, para quitarem seus débitos. A reencarnação é o divino processo pedagógico de reeducação do Espírito, ser imortal, criado à imagem e semelhança de Deus, “inteligência suprema, causa de todas as coisas”.
Podemos afirmar que o exercício da mediunidade é um processo acelerado de aprendizagem. Na escola da vida nem todos conseguem “passar de ano”, ter êxito em todas as disciplinas. Muitos médiuns são repetentes contumazes.
João de Deus atrai para Abadiânia, anualmente, cerca de 120 mil fiéis, 40% deles estrangeiros. Segundo notícias da mídia, ele sacou R$ 35 milhões de suas contas bancárias, nos últimos dias. Até o momento é considerado foragido, porém, nesta manhã de domingo, 16, há informações de que ele deve se apresentar hoje à política goiana.
Idolatria. Os médiuns de cura geralmente estão sujeitos à divinização, ao endeusamento ou à idolatria, ato de cultuar ídolos. É o caso do médium João Teixeira de Faria, idolatrado como João de Deus. Os idolatrados se sentem deuses, cercados de uma corte de bajuladores e de adoradores, que acabam por ser “hipnotizados” pelo ídolo. Esses “ídolos de barro” geralmente gozam de uma falsa superioridade moral, com uma autoridade inquestionável, “sagrada”. Às vezes usam, indevidamente, o seu guardião, guia ou mentor espiritual para falar ou fazer o que gosta, para encobrir suas verdadeiras intenções ou desejos.
Há casos, contudo, em que o médium é idolatrado, mas continua na sua humilde condição de simples intermediário entre os Espíritos desencarnados e os encarnados. Um exemplo universal foi o médium Francisco Cândido Xavier, o querido Chico Xavier, além de outros que atuam na Doutrina Espírita. Ele dizia ser um “cisco” e somente comunicar o que vinha do Além: “o telefone toca de lá pra cá”, dizia.
As vítimas. As pessoas que recorrem a esses “milagreiros”, como João de Deus, estão fragilizadas emocionalmente pela desesperança, por sofrimentos gerados por doenças psíquicas ou físicas ditas incuráveis pelos médicos terrenos. A sua única esperança é o médium curador, no caso, João de Deus.
Após as denúncias de dez mulheres que sofreram abusos sexuais pelo médium João de Deus, no Conversa com Bial, na madrugada do passado dia 7, as vítimas já chegam a mais de 330, segundo noticía a mídia neste fim de semana. Pior. Uma de suas filhas – Dalva Teixeira –, de 49 anos, em matéria de capa da revista Veja deste domingo, declara “Meu pai é um monstro” e revela que, entre os dez e os catorze anos de idade, sofria abusos sexuais de seu pai, “em casa, no carro e em viagem”.
As vítimas, pelas denúncias até agora reveladas, são meninas − crianças e adolescentes − e mulheres adultas até os quarenta nos de idade. As mulheres entrevistadas pela mídia, até agora, que dizem jamais terem sido abusadas sexualmente por João de Deus, aparentam ter mais de quarenta anos.
O médium nega as acusações e há muitas pessoas, espalhadas pelo planeta, que alegam ter sido curadas por João de Deus.
O inquérito que apura as denúncias corre na polícia civil de Goiás. Ontem, sábado, a Justiça determinou a prisão preventiva de João de Deus.
Uma experiência pessoal. Em 2014, fui à Casa Dom Inácio para buscar a cura ou o alívio para dores na coluna vertebral, por causa de três vértebras com pouca cartilagem. Os médicos especialistas que tinham me atendido diziam que o meu caso poderia ser resolvido com cirurgia, mas eles não garantiam o sucesso dessa intervenção cirúrgica. Outra saída seria a infiltração periódica de analgésicos para aliviar as dores. Os analgésicos comuns nem sequer aliviavam essas dores. Desisti da cirurgia e da infiltração e procurei socorro com João de Deus.
Para ser atendido ouve-se, primeiro, uma explanação evangélica de um de seus voluntários. Depois entra-se em uma fila. Quando chegou a minha vez, João de Deus segurou as minhas mãos, olhou-me com os olhos meio revirados e me despachou para um auxiliar, sem nada falar, em menos de alguns segundos. Este me passou uma receita de Passiflora, que deveria ser adquirida somente na farmácia existente na Casa Dom Inácio. Comprei esse medicamento fitoterápico por cinquenta reais. Segundo a bula, Passiflora “é um gênero botânico de cerca de 500 espécies de plantas, pertencente à família Passifloraceae”. É vendida, hoje, em qualquer drogaria, por cerca de dez reais.
Depois fui encaminhado, com minha esposa, para tomar um caldo, ofertado gratuitamente na lanchonete ali existente. O atendimento, meu e da minha esposa, foi gratuito. Há, contudo, uma engrenagem comercial na Casa Dom Inácio, onde se vende até cristais brutos ou lapidados. Os seus dirigentes justificam esse comércio como fonte de renda para sustentar as atividades da Casa. É, na realidade, uma empresa comercial, que emprega mais de quarenta servidores, com a supervisão de dezenas de voluntários.
A minha coluna vertebral continua com os mesmos problemas, antes e depois de João de Deus. Alguns espíritas devem pensar que eu não fiquei curado ou aliviei as minhas dores porque eu não tenho merecimento ou fé. É possível. João de Deus não tinha a obrigação de me curar. Era uma possibilidade apenas. Como ensina o Espiritismo, nós somos hoje o reflexo do ontem.
Assédio sexual.  O Código Penal (Art. 216-A, caput) define o assédio sexual como o ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”. O assédio pode ser realizado por palavras, escritos, gestos, ações. Admite-se somente a forma dolosa, ou seja, a intenção de ofender, mediante atos ou convites indecorosos, e que haja superioridade hierárquica. O médium idolatrado, João de Deus, está em condição hierárquica superior ao seu paciente, fragilizado emocionalmente.
Rafael Rocha, advogado criminalista (<https://www.rochadvogados.com.br/quando-uma-pessoa-comete-o-crime-de-assedio-sexual/>), entende que o núcleo do tipo penal está representado pelo verbo constranger, “se  acompanhado de algum complemento, significa compelir, coagir, obrigar ou forçar a vítima a fazer ou não fazer algo, tal como ocorre nos crimes de constrangimento ilegal (CP, art. 146) e no estupro (CP, art. 213)”. Segundo ele, raríssimas são as condenações. Talvez por conta do machismo, predominante em todos os setores da sociedade, incluindo a polícia civil e militar.
As denúncias de assédio sexual que envolvem o médium têm a mesma característica. Após um atendimento inicial coletivo com a paciente, ele a convidava para um atendimento individual num aposento privado, geralmente no amplo banheiro de sua suíte na Casa Dom Inácio, com direito a um sofá.
Nesta manhã de domingo, as denúncias recebidas pelos Ministérios Públicos de Goiás, Santa Catarina e de São Paulo chegam a mais de 450 ocorrências. 330 relatos já foram feitos. As vítimas são moradoras no Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo Rio Grande do Sul e no exterior.
Mediunidade, mediunismo & médiuns. João de Deus, em vídeos divulgados na internet, realizou milhares de intervenções cirúrgicas em seus pacientes, com detalhes impressionantes. Em algumas, abria o tecido do corpo do paciente com os dedos, retirava o tumor ou algo assim e fechava a cicatriz com os dedos, sem dor ou pontos. Muitos dos voluntários são estrangeiros que resolveram morar em Abadiânia e ajudar nos trabalhos da Casa de Dom Inácio. Na contabilidade cármica do médium, tudo parece indicar que o lado do crédito é mais volumoso do que o dos débitos, as falhas de caráter, como os abusos sexuais praticados em centenas de pacientes femininas.
Na classificação mediúnica exposta neste texto, João de Deus exerce o mediunismo, ou seja, a “prática empírica da mediunidade, sem filiação a qualquer crença ou presente em diversas crenças”. Isso não alivia os crimes praticados, segundo as vítimas que o denunciaram à Polícia Civil ou ao Ministério Público. O fato dele não ser espírita também não interfere nem a favor e nem contra os seus atos.  Ele simplesmente não quis renunciar ao prazer sexual, ao violentar as suas vítimas. Não nos cabe julgá-lo. Cabe à Justiça terrena e, em instância superior e definitiva, à Justiça Divina, que não pune e é exercida com Amor, que apura as faltas cometidas e programa as reencarnações futuras do devedor, em processo de aprendizagem contínua.
Parábola da Ovelha Perdida, presente nos quatro Evangelhos, é uma das mais expressivas de Jesus. Ele é um pastor em busca de suas ovelhas perdidas e sua missão é recuperá-las todas. Em João 10:16, Jesus diz: “Entrego minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco, as quais devo da mesma maneira trazer; elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. João de Deus parece ser uma dessas ovelhas e, pela Lei Divina, voltará ao rebanho de Jesus Cristo. Quando e onde não sei. Mas sei que voltará.
A Casa Dom Inácio e a cidade de Abadiânia (GO), após esses sórdidos acontecimentos, jamais serão as mesmas.

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