A política é classificada pelos
dicionaristas como a arte ou ciência de governar. Já começamos com uma dúvida:
arte ou ciência?
Recorrendo livremente aos dicionários
mais respeitados, ficamos sabendo que Arte é uma atividade humana ligada a
manifestações de ordem estética, sendo que cada obra de arte possui um significado único
e diferente.
Vamos refletir sobre essa classificação
genérica de Arte como definição de política, com manifestações de ordem estética e a afirmação
de que
cada obra de arte possui um significado único
e diferente.
A política é isso? Claro que não. Só se
for em outro planeta. Na Terra, a política não é arte. Será uma ciência?
A ciência, do latim scientia (conhecimento), em sentido lato, refere-se a qualquer
conhecimento ou prática sistemático. Stricto sensu relaciona-se ao sistema
de adquirir conhecimento baseado no método científico.
A política é ciência? Claro que não.
Então, o que é a política? Não é a arte
e nem a ciência de governar. Poderia ser, numa definição aberta, a competência para
governar. Assim, a incompetência de governar não é política.
E os políticos, o que são?
A Wikipédia diz que um político (do grego transliterato politikós) ou estadista é
quem se ocupa da política. O político é, segundo Sócrates, um homem público que
lida com a chamada "coisa pública". Já Platão afirma que é o filiado
a um partido ou “ideologia filosófica de conduta". Ainda de acordo
com a Wikipédia, o político é uma pessoa que influencia a maneira como a
sociedade é governada.
Por essas definições, chegamos à
conclusão de que o político brasileiro não faz política. É um político que não
faz política. Pode fazer tudo, menos política. O que a maioria quase absoluta
faz é politicalha. Estou generalizando. Sei que há raras exceções, talvez, em
prefeituras. Na Presidência da República ou na governadoria dos estados e do
Distrito Federal não conheço nenhuma, desde o término da segunda guerra
mundial, em 1945.
Primeiro, nenhum político que está no
governo planeja o seu governo. Faz promessas – que não cumpre –, mas não
planeja. Até agora, uma única exceção, Juscelino Kubitschek, que foi
presidente da República entre 1956 e 1961, com
o seu “Cinquenta anos em cinco”. Não, não! Não me venham com o PAC da infernal
dupla Lula/Dilma. Aquilo foi um estelionato eleitoral ou uma brincadeira de mau
gosto, praticado por dois governantes incompetentes e demagogos contumazes. Não
foi um plano estratégico de governo.
Os governantes brasileiros governam por
problema, “apagam incêndios”. Surge uma rebelião num presídio, prepara-se uma
ação específica. Não há plano estratégico para o sistema, como um todo. A
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (Grande Rio) está tomada pelo
narcotráfico e o crime organizado, faz-se uma intervenção militar somente na
segurança pública, por um ano... Quem conhece o Rio de Janeiro, a partir do
desgoverno Leonel Brizola, sabe que é um Estado entregue à corrupção e à
incompetência dos pretensos políticos. Para o Grande Rio tem que haver um plano
estratégico de longo prazo, mediante intervenção militar federal plena, com
metas e ações definidas, monitoradas e avaliadas continuamente, por
especialistas em segurança pública, uma espécie de Conselho Consultivo. O resto
é paliativo. Não resolve o problema e vai agravá-lo até virar um campo de
guerrilha urbana.
E o Nordeste? Lá é campo fértil para o
populismo. O representante do Lula como candidato à Presidência da República,
que foi prefeito de São Paulo e não conseguiu a reeleição – obteve 16% dos
votos dos eleitores paulistanos e perdeu no primeiro turno −, vai para o
Nordeste caçar voto, com o manto do bolsa-família e mentindo que os outros
candidatos vão acabar com esse programa assistencialista. Para que a
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Banco do Nordeste?
Simples cabides de empregos burocráticos. A transposição do São Francisco,
planejada por Dom Pedro II e “descoberta” pelo presidente Lula, chegou quando o
São Francisco está definhando. Não há um planejamento para resolver o problema
da seca e gerar trabalho, para eliminar, progressivamente, programas como o
bolsa-família, com minúscula mesmo.
O
Globo
noticiou, no último sábado, que “após incêndio no Museu Nacional, MEC irá
ajudar no reparo de outros prédios da UFRJ”. Depois do incêndio, acordaram para
a situação do estado precário de prédios da UFRJ. É o conhecido “apagar
incêndio”. E os prédios das demais universidades federais que estão em piores
condições do que os da UFRJ? E os demais museus? Jamais houve um plano para a
gestão e conservação dos museus, assim como em outros serviços públicos –
educação (em primeiríssimo lugar), saúde, transporte, segurança... O Estado
brasileiro é governado de improviso. No tranco.
Política & políticos: uma definição
clássica contra uma realidade cristalina. Será que teremos um novo tempo a
partir das eleições de 2018? Espero que sim, senão será o caos.¨
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