domingo, 23 de setembro de 2018

Política & políticos: arte ou ciência ou...


A política é classificada pelos dicionaristas como a arte ou ciência de governar. Já começamos com uma dúvida: arte ou ciência?
Recorrendo livremente aos dicionários mais respeitados, ficamos sabendo que Arte é uma atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, sendo que cada obra de arte possui um significado único e diferente.
Vamos refletir sobre essa classificação genérica de Arte como definição de política, com manifestações de ordem estética e a afirmação de que cada obra de arte possui um significado único e diferente.
A política é isso? Claro que não. Só se for em outro planeta. Na Terra, a política não é arte. Será uma ciência?
A ciência, do latim scientia (conhecimento), em sentido lato, refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemático. Stricto sensu relaciona-se ao sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico.
A política é ciência? Claro que não.
Então, o que é a política? Não é a arte e nem a ciência de governar. Poderia ser, numa definição aberta, a competência para governar. Assim, a incompetência de governar não é política.
E os políticos, o que são?
A Wikipédia diz que um político (do grego transliterato politikós) ou estadista é quem se ocupa da política. O político é, segundo Sócrates, um homem público que lida com a chamada "coisa pública". Já Platão afirma que é o filiado a um partido ou “ideologia filosófica de conduta". Ainda de acordo com a Wikipédia, o político é uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada.
Por essas definições, chegamos à conclusão de que o político brasileiro não faz política. É um político que não faz política. Pode fazer tudo, menos política. O que a maioria quase absoluta faz é politicalha. Estou generalizando. Sei que há raras exceções, talvez, em prefeituras. Na Presidência da República ou na governadoria dos estados e do Distrito Federal não conheço nenhuma, desde o término da segunda guerra mundial, em 1945.
Primeiro, nenhum político que está no governo planeja o seu governo. Faz promessas – que não cumpre –, mas não planeja. Até agora, uma única exceção, Juscelino Kubitschek, que foi presidente da República entre 1956 e 1961, com o seu “Cinquenta anos em cinco”. Não, não! Não me venham com o PAC da infernal dupla Lula/Dilma. Aquilo foi um estelionato eleitoral ou uma brincadeira de mau gosto, praticado por dois governantes incompetentes e demagogos contumazes. Não foi um plano estratégico de governo.
Os governantes brasileiros governam por problema, “apagam incêndios”. Surge uma rebelião num presídio, prepara-se uma ação específica. Não há plano estratégico para o sistema, como um todo. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro (Grande Rio) está tomada pelo narcotráfico e o crime organizado, faz-se uma intervenção militar somente na segurança pública, por um ano... Quem conhece o Rio de Janeiro, a partir do desgoverno Leonel Brizola, sabe que é um Estado entregue à corrupção e à incompetência dos pretensos políticos. Para o Grande Rio tem que haver um plano estratégico de longo prazo, mediante intervenção militar federal plena, com metas e ações definidas, monitoradas e avaliadas continuamente, por especialistas em segurança pública, uma espécie de Conselho Consultivo. O resto é paliativo. Não resolve o problema e vai agravá-lo até virar um campo de guerrilha urbana.
E o Nordeste? Lá é campo fértil para o populismo. O representante do Lula como candidato à Presidência da República, que foi prefeito de São Paulo e não conseguiu a reeleição – obteve 16% dos votos dos eleitores paulistanos e perdeu no primeiro turno −, vai para o Nordeste caçar voto, com o manto do bolsa-família e mentindo que os outros candidatos vão acabar com esse programa assistencialista. Para que a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Banco do Nordeste? Simples cabides de empregos burocráticos. A transposição do São Francisco, planejada por Dom Pedro II e “descoberta” pelo presidente Lula, chegou quando o São Francisco está definhando. Não há um planejamento para resolver o problema da seca e gerar trabalho, para eliminar, progressivamente, programas como o bolsa-família, com minúscula mesmo.
O Globo noticiou, no último sábado, que “após incêndio no Museu Nacional, MEC irá ajudar no reparo de outros prédios da UFRJ”. Depois do incêndio, acordaram para a situação do estado precário de prédios da UFRJ. É o conhecido “apagar incêndio”. E os prédios das demais universidades federais que estão em piores condições do que os da UFRJ? E os demais museus? Jamais houve um plano para a gestão e conservação dos museus, assim como em outros serviços públicos – educação (em primeiríssimo lugar), saúde, transporte, segurança... O Estado brasileiro é governado de improviso. No tranco.
Política & políticos: uma definição clássica contra uma realidade cristalina. Será que teremos um novo tempo a partir das eleições de 2018? Espero que sim, senão será o caos.¨


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