A pedagogia para o
século 21 foi delineada no final da década de 90, em Paris, em Congresso da
Unesco. Nesse evento foi aprovado os quatro pilares para a educação no século
21, aqui adaptados do livro Educação: um tesouro a descobrir (São Paulo:
Cortez; Brasília: MEC: Unesco, 2006, p. 89/102):
Þ
APRENDER A CONHECER. Combinar uma
cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em
profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender
a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação
ao longo de toda a vida. Educação continuada. Aprender sempre.
Þ
APRENDER A FAZER. Adquirir qualificação profissional e competências que tornem
o educando apto a enfrentar situações diversificadas. Aprender a fazer, no
âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho; o desenvolvimento do
ensino alternado com o trabalho. O ensino com aplicações práticas. Teoria e
prática juntas.
Þ
APRENDER A SER. Desenvolver a personalidade do educando para estar à altura
de agir cada vez com maior capacidade de autonomia, de discernimento e de
responsabilidade pessoal. Desenvolver valores éticos e as potencialidades de
cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, aptidão para
comunicar-se. Ética e cidadania.
Þ
APRENDER A VIVER JUNTOS. Desenvolver a compreensão do outro
e a percepção das interdependências, o relacionamento inter e intrapessoal;
respeitar e conviver com as diferenças e os diferentes; trabalhar em equipe e
preparar-se para gerir conflitos no respeito pelos valores do pluralismo, da
compreensão mútua e da paz. Discordar sem gostar menos. Alteridade.
As metodologias de aprendizagem ativa
decorrem desses quatro pilares, descritos de forma reduzida, mas clara,
objetiva e densa na publicação citada.
As metodologias ativas estão-se multiplicando.
A cada dia surgem novas modalidades e experiências negativas e positivas,
fracassos e sucessos, erros e acertos.
Praticamente todas levam em consideração a pirâmide de aprendizagem de
William Glasser. Ele afirmava que “a boa educação é aquela em que o professor pede para
que seus alunos pensem e se dediquem a promover um diálogo para
promover a compreensão e o crescimento dos estudantes”. É o
que pretendem as metodologias ativas de aprendizagem, desenvolvendo no educando
a capacidade de apropriação de competências e habilidades indispensáveis ao seu
domínio do conhecimento, mediante reflexão e ações autônomas e participativas.
Apenas para trazer à nossa reflexão as
possibilidades múltiplas de desenvolvimento de metodologias ativas de
aprendizagem, destacamos as mais usadas nos meios acadêmicos mais avançados ou
em pequenos grupos de profissionais inovadores e criativos, comprometidos com o
desenvolvimento das potencialidades do aprendiz:
Þ Problem Based Learnin ou aprendizagem
baseada em problemas. É a problematização como método educacional. Nesse método
o estudante trabalha com o objetivo de solucionar um problema real ou simulado,
a partir de um contexto. É um dos métodos em que a aprendizagem é centrada no
educando. Ele deixa o papel de receptor passivo das informações e assume o
lugar de protagonista de seu próprio aprendizado por meio da pesquisa. Foi
adotado, no Brasil, por alguns cursos de graduação em Medicina, inicialmente,
em Marília (SP) e Maringá (PR).
Þ Mobile Learning (Aprendizagem
móvel). Esse método utiliza o laptop, celular ou tablet na
aprendizagem. Esta é uma forma de reduzir o tempo reservado apenas para o
aprendizado, permitindo a atualização mais rápida de conteúdos, em relação aos
métodos mais tradicionais de ensino, o que dá maior qualificação aos
profissionais que as instituições formam.
Þ Blended learning ou B-learning (Aprendizado misto ou
semipresencial ou aprendizagem híbrida). Combina atividades educacionais
presenciais e a distância, realizadas por meio das tecnologias digitais de
informação e comunicação (TDICs). A sala de aula invertida ou flipped classroom
é uma das metodologias que usam o Blended learning. Inclui a
aprendizagem com diferentes recursos, como palestras, debates, prática
orientada, leitura, jogos, estudo de caso.
Þ Flipped Classroom ou sala de aula
invertida. Essa metodologia ativa inverte a lógica de organização da sala de
aula. Os alunos aprendem o conteúdo onde quiserem, por meio de videoaulas ou
outros recursos interativos, como jogos de computador, textos, vídeos ou outro
conteúdo adicional para estudo. O professor torna-se o mediador e a tecnologia
suporte para que os estudantes acessem conteúdos e informações antes da aula. O
tempo em sala é otimizado, dedicado às discussões, diálogos, dúvidas,
pontos-chave e dinâmicas em grupos. O professor é o dinamizador para a
realização de exercícios, atividades em grupo e realização de projetos.
Þ Game-based learning ou aprendizagem
baseada em jogos. Segundo Marc Prensky,
a aprendizagem baseada em jogos digitais é qualquer união entre conteúdo
educacional e jogos de computador. É possível combinar videogames e jogos de
computador com uma grande variedade de conteúdos educacionais, atingindo
resultados tão bons quanto ou até melhores que aqueles obtidos por meio de
métodos tradicionais de aprendizagem no processo.
Þ Adaptive learning ou aprendizagem adaptativa. Esse método é um dos sistemas de aprendizagem
adaptativa para obter informações do educando, como ele age quando um conceito
é apresentado, sua dificuldade, a resolução de problemas ou tarefas, e a
natureza das sugestões e feedbacks recebidos. O processo de aprendizagem
é adaptado a cada aprendiz, a partir dessas informações e das observações do
professor-orientador.
Þ Project Based Learning ou aprendizagem baseada em projetos.
Trata-se de metodologia de aprendizagem em que os estudantes se envolvem
com tarefas e desafios para desenvolver um projeto ou um produto. A
aprendizagem baseada em projetos integra diferentes conhecimentos e estimula o
desenvolvimento de competências e habilidades, como trabalho em equipe,
protagonismo e pensamento crítico.
Þ Team-based Learning (TBL) ou aprendizagem baseada em equipe. É uma estratégia instrucional
direcionada para grandes classes de estudantes ou pequenos grupos de
aprendizagem, de modo que se possa formar equipes de 5 a 7 estudantes, no mesmo
espaço físico. Pode ser usado para grupos com mais de cem estudantes e turmas
menores, com até 25 alunos. O TBL pode substituir ou complementar cursos
desenhados a partir de aulas expositivas, ou mesmo ser aplicado a outras
metodologias.
Qualquer das
metodologias ativas de aprendizagem apresentadas ou outras existentes ou a
serem criadas exige ambientes de aprendizagem inovadores e criativos. A sala de
aula deve, paulatinamente, ser reduzida em sua importância secular – o
professor conferencista, “ensinando”, e os estudantes ouvindo, passivamente, sem
direito sequer ao diálogo, “aprendendo”. Novos ambientes de aprendizagem já
surgiram e outros, nem pensados hoje, vão surgir. Mesmo a “sala de aula” pode
ser um ambiente de aprendizagem acolhedor, desde que a sua arquitetura
proporcione condições para ser uma área de trabalho em grupo, com mesas ou
nichos para pequenos grupos de estudantes. Por outro lado, o investimento nas
TDICs deve ser priorizado pelas instituições de ensino que queiram permanecer
nesse mercado, com qualidade e boa posição nos rankings.
A gestão
acadêmica e administrativa de uma IES que pretende consolidar sua marca,
desenvolver-se continuamente e permanecer no mercado indefinidamente,
adaptando-se sempre às mudanças ou a elas se antecipando, não se restringe aos
seus mais elevados gestores na hierarquia organizacional, mas deve chegar ao
“chão de fábrica”. Todos os níveis gerenciais, fora ou dentro da sala de aula,
devem atuar de forma articulada, participativa e empreendedora.
A criatividade, a inovação, o empreendedorismo e o uso das TDICs devem
estar inscritas no DNA dos gestores universitários, em todos os níveis. E essas
habilidades devem impregnar as pessoas que, nas mais diversas funções, integram
uma IES. A inovação, nas suas diversificadas facetas, “pode ser assumida como o
fruto decorrente do uso do novo conhecimento nas organizações, com sucesso
reconhecido, de tal maneira que as ideias associadas com inovação estejam
formalmente organizadas, gerenciadas, realizadas e, efetivamente, impactando na
prática” (MOTA, Ronaldo. Educando
para inovação e aprendizagem independente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014,
p. 19). O conceito de inovação deve
manter estreitas relações e conexões permanentes com a sustentabilidade
empresarial e conhecimento gerenciado e atualizado, focado no planejamento,
estratégias, ações e metas da IES.
As IES
brasileiras ainda não “descobriram” experiências de aprendizagem como as plataformas
da Khan Academy e da Singularity University, para citar apenas duas, ambas
localizadas fisicamente nos EUA.
A Khan
Academy (<https://pt.khanacademy.org/about>) é uma ONG educacional criada e mantida por Sal Khan, de etnia indiana, um
educador americano, empresário e
ex-analista de fundos Hedge. A Academia Khan é uma plataforma online de
educação livre. Tem sede em Mountain View, Califórnia, EUA. Oferece exercícios, vídeos de instrução e um painel
de aprendizado personalizado que habilita os estudantes a aprender no seu
próprio ritmo dentro e fora da sala de aula. Usa tecnologias adaptativas de
ponta que identificam os pontos fortes e lacunas ou fragilidades no
aprendizado. A Academia Khan tem, hoje, mais de sessenta milhões de usuários.
Outra plataforma de aprendizagem inovadora, sediada no
Vale do Silício, é a Singularity University (<https://su.org/>),
que oferece programas educacionais e eventos que pretendem equipar o aprendiz “com a mentalidade, os recursos
e as ferramentas para navegar com sucesso em sua jornada de transformação para
o futuro”. A
missão da Singularity University “é
educar, inspirar e capacitar os líderes a aplicarem tecnologias exponenciais
para enfrentar os grandes desafios da humanidade”. São seus fundadores Peter
Diamandis (engenheiro, médico e
empresário greco-americano),
Raymond Kurzweil (um dos principais inventores,
pensadores e futuristas do mundo, um “gênio inquieto”) e Robert D.
Richard (CEO da SU e empreendedor espacial e futurista).
A Educação 4.0 é a educação para o século 21, possível aos
empreendedores educacionais que têm visão estratégica de futuro e da perenidade
de suas IES. São poucos, no Brasil.
Voltaremos ao tema
Educação 4.0 no próximo domingo, 9

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