sábado, 4 de abril de 2020

Brasil ― Pátria do Evangelho


Brasil ― Pátria do Evangelho
Humberto de Campos
Com a República, atingiu o Brasil a sua maioridade coletiva e as falanges do Infinito, naturalmente, con­centraram as suas possibilidades e esforços no desen­volvimento da obra de Ismael no país do Cruzeiro.
Seus maiores eventos puramente políticos não deixa­ram, no entanto, de ser acompanhados pelos mensagei­ros do Bem, objetivando a tranquilidade comum e a evolução geral.
Todavia, com o grande feito de 15 de novembro de 1889, terminamos este escorço, à guisa de história.
Outros, por certo, consultando as razões dos fatos relacionados no tempo, poderão apresentar trabalho mais pormenorizado e melhor, no domínio dos estudos transcendentes do psicólogo e do historiador, onde se emaranham as causas profundas dos menores aconte­cimentos, englobando as atividades de quantos, ainda encarnados, se encontram em evidência no país e são suscetíveis de apresentar, de futuro, mais amplos escla­recimentos.
Nosso objetivo, trazendo alguns apontamentos à história espiritual do Brasil, foi tão-somente encarecer a simultaneamente, que cada nação, como cada indiví­duo, tem sua tarefa a desempenhar no concerto dos po­vos. Todas elas têm seus ascendentes no mundo invisí­vel, de onde recebem a seiva espiritual necessária à sua formação e conservação. E um dos fins principais do nosso escorço foi examinar, aos olhos de todos, a ne­cessidade da educação pessoal e coletiva, no desdobra­mento de todos os trabalhos do país. Porque, a realida­de é que o Brasil, na sua situação especialíssima e com o seu patrimônio imenso de riquezas, não poderá insu­lar-se do resto do mundo ou acastelar-se na sua posição de Pátria do Evangelho, embora a época seja de autar­quias detestáveis, neste período de decadência e transi­ção de todos os sistemas sociais.
O maior problema é o da educação nacional, para que os filhos das outras terras, necessários e indispen­sáveis ao progresso econômico da nação, não se sintam dispostos a reviver, no Brasil, as taras de suas antigas organizações e sim, absorvidos no círculo espiritual do país do Evangelho, possam integrar as suas fileiras de fraternidade e evolução.
Apesar da recente filosofia do "bastar-se a si mes­mo", nenhum país do mundo pode viver independente da comunidade internacional. Toda a grandeza material de um povo repousa na regularidade dos fenômenos da troca e todas as guerras, quase sempre, têm origem na desarmonia do comércio entre as nações. No Brasil, a chamada contribuição estrangeira é indispensável; e o único recurso, contra a incursão do elemento nocivo ou ameaçador da estabilidade das instituições brasileiras, é a educação ampla do povo, em cujos labores sagrados deveriam viver todos os programas do bom nacionalis­mo.
Se muitas escolas existem no Sul, onde somente se ensina o idioma alemão, em muitos casos é porque os professores do Brasil não se decidiram a enfrentar as surpresas da região, a fim de zelarem pelo patrimônio intelectual dos novos operários da pátria. Se algumas dezenas de agrônomos vieram diretamente de Tóquio para os riquíssimos vales do Amazonas, é que os agrô­nomos brasileiros não se animaram a trabalhar no ser­tão hostil, receosos do sacrifício. Entretanto, não falta­riam espíritos abnegados e corajosos, no seio do povo fraterno que floresce no coração geográfico do mundo, ansiosos por participarem da grande obra construtiva de organização cultural e econômica da terra em que se desenvolvem numa grande tarefa de amor, se os ambi­entes universitários, com as suas habilitações oficiais, não estivessem abertos somente à aristocracia do ouro. A palavra de um mestre custa uma fortuna, apenas sus­cetível de ser remunerada pelas famílias mais abastadas e mais favorecidas, e nem sempre nesses ambientes confortáveis se encontram as almas apaixonadas pela luta em prol do progresso comum.
Nesta época de confusão e amargura, quando, com as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem econômico da filosofia marxis­ta, que vem destruir todo o patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de segurança devem ser toma­das a bem das coletividades e das instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia uni­versal. (grifei)
Não nos deteremos a falar, depois da República, de quantos se encontram ainda no cenáculo das atividades e dos feitos do país, porquanto semelhante ação de nos­sa parte constituiria uma intervenção indébita nas inici­ativas e empreendimentos dos "vivos". Jesus, que é a suprema personificação de toda a misericórdia e de toda a justiça, auxiliará a cada qual, no desdobramento dos seus esforços para glória da nacionalidade.
O Brasil está cheio de ideologias novas, refletindo a paisagem do século; cabe aos bons operários do Evan­gelho concentrar suas atividades no esclarecimento das almas e na educação dos espíritos
Todas as fórmulas humanas, dentro das concepções que exprimam, por mais alevantadas que se afigurem, são perecíveis e transitórias. A política sofrerá, no curso dos séculos, as alternativas do direito da força e da for­ça do direito, até que o planeta possa atingir relativa perfeição social, com a cultura generalizada. A Ciência, como a Filosofia e as escolas sectárias, viverá entre dúvidas e vacilações, assentando seus feitos na areia instável das convenções humanas. Só o legítimo ideal cristão, reconhecendo que o reino de Deus ainda não é deste mundo, poderá, com a sua esperança e o seu exemplo, espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes produtivas na construção da sociedade do futuro.
Conhecedores dessa grande verdade, supliquemos a Jesus se digne derramar do orvalho de seu amor sobre os vermes da Terra.
Que as falanges de Ismael possam, aliadas a quantos se desvelam pela sua obra divina, reunir o material disperso e que a Pátria do Evangelho mais ascenda e avulte no concerto dos povos, irradiando a paz e a fra­ternidade que alicerçam, indestrutivelmente, todas as tradições e todas as glorias do Brasil.
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Comentários
Esse é o capítulo final do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, publicado, em 1938, pela Federação Espírita Brasileira, ditado pelo espírito que se identificava, à época, como Irmão X, na psicografia do médium de Jesus, Chico Xavier. Mais tarde, o autor assumiu o seu nome na mais recente encarnação no Brasil: Humberto de Campos (1886/1934), jornalista, escritor e político, radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O livro já vendeu mais de 400 mil exemplares em meio impresso e e-book.
Resgata as origens remotas do Brasil, extraídas nas tradições do mundo astral, sob a orientação de Ismael, o governador espiritual de nossa pátria, sob as diretrizes de Jesus, o Mestre dos Mestres, luz da humanidade terrena. Ao mesmo tempo revela a missão de nossa nação, à luz das orientações de Jesus.
Muitos brasileiros criticam o livro por suas previsões otimistas, especialmente, em relação à Pátria do Evangelho. Reclamam que a previsão de 1938 ainda não se realizou, após setenta anos de sua publicação. Esquecem-se de que os espíritos, nas dimensões mais evoluídas, não medem o nosso mundo físico por anos ou séculos.
Espíritos altamente evoluídos são enviados a reencarnações sucessivas, em nosso planeta, para atuarem em todos os setores da economia, da sociedade, da educação, da política. Nem todos, contudo, ao vestirem o corpo físico, conseguem cumprir integralmente a sua tarefa. Poder, dinheiro, sexo, exercidos sem ética, mas com orgulho e egoísmo, são alguns dos atrativos que, geralmente, desviam o ser humano dos seus mais legítimos propósitos, delineados em sua comunidade espiritual, na pré-reencarnação, por uma equipe de espíritos superiores. Um exemplo para essa afirmação. Jesus convoca à sua presença o Espírito Longinus, para reencarnar no Brasil, no corpo de D. Pedro II, a fim de realizar a nossa independência em relação a Portugal, abolir a escravatura, abrir os nossos portos ao comércio internacional, a ser um rei ou imperador de caráter impecável, generoso, competente no exercício de seu mandato político. Quem é Longinus? O mesmo Espírito que animou o corpo físico do apóstolo Pedro, fiel servidor do Grande Mestre. Longinus já havia cumprido várias missões, ao longo dos séculos, sob as ordens de Jesus. E o médium encarregado de transmitir ao mundo as mensagens insertas no Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, foi Francisco Cândido Xavier, o nosso querido Chico Xavier. Longinus cumpriu, aos tropeços, grande parte de sua missão, mas caiu em algumas tentações que prejudicaram, sensivelmente, todo o seu planejamento reencarnatório. Chico Xavier cumpriu integralmente a sua tarefa. Não por acaso animou o corpo físico do apóstolo amado do Mestre Jesus – João Evangelista.
Deus, Supremo Arquiteto do Universo, e Jesus, nosso Mestre, Senhor da Terra, criam, planejam, orientam e protegem os seus filhos e discípulos, além dos demais espíritos, mas não interferem no livre arbítrio dos espíritos com missões relevantes em nosso planeta, exceto em casos extremos. Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier, deixa-nos um ensino que esclarece essa questão:
“Se não guardas o favor do Alto, respeitando-o em ti mesmo, se não usas os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria felicidade, se não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a dedicação dos mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de amor e paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de tua vontade, ao programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão imprestáveis.”  (Extraído do livro Pão Nosso, da Coleção Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 114).¨


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