Brasil ― Pátria do Evangelho
Humberto de Campos
Com
a República, atingiu o Brasil a sua maioridade coletiva e as falanges do
Infinito, naturalmente, concentraram as suas possibilidades e esforços no
desenvolvimento da obra de Ismael no país do Cruzeiro.
Seus
maiores eventos puramente políticos não deixaram, no entanto, de ser
acompanhados pelos mensageiros do Bem, objetivando a tranquilidade comum e a
evolução geral.
Todavia,
com o grande feito de 15 de novembro de 1889, terminamos este escorço, à guisa
de história.
Outros,
por certo, consultando as razões dos fatos relacionados no tempo, poderão
apresentar trabalho mais pormenorizado e melhor, no domínio dos estudos transcendentes
do psicólogo e do historiador, onde se emaranham as causas profundas dos
menores acontecimentos, englobando as atividades de quantos, ainda encarnados,
se encontram em evidência no país e são suscetíveis de apresentar, de futuro,
mais amplos esclarecimentos.
Nosso
objetivo, trazendo alguns apontamentos à história espiritual do Brasil, foi
tão-somente encarecer a simultaneamente, que cada nação, como cada indivíduo,
tem sua tarefa a desempenhar no concerto dos povos. Todas elas têm seus ascendentes
no mundo invisível, de onde recebem a seiva espiritual necessária à sua
formação e conservação.
E um dos fins principais do nosso escorço foi examinar, aos olhos de todos, a
necessidade da educação pessoal e coletiva, no desdobramento de todos os
trabalhos do país. Porque, a realidade é que o Brasil, na sua situação
especialíssima e com o seu patrimônio imenso de riquezas, não poderá insular-se
do resto do mundo ou acastelar-se na sua posição de Pátria do Evangelho, embora
a época seja de autarquias detestáveis, neste período de decadência e transição
de todos os sistemas sociais.
O
maior problema é o da educação nacional, para que os filhos das outras terras,
necessários e indispensáveis ao progresso econômico da nação, não se sintam
dispostos a reviver, no Brasil, as taras de suas antigas organizações e sim,
absorvidos no círculo espiritual do país do Evangelho, possam integrar as suas
fileiras de fraternidade e evolução.
Apesar
da recente filosofia do "bastar-se a si mesmo", nenhum país do mundo
pode viver independente da comunidade internacional. Toda a grandeza material
de um povo repousa na regularidade dos fenômenos da troca e todas as guerras,
quase sempre, têm origem na desarmonia do comércio entre as nações. No Brasil,
a chamada contribuição estrangeira é indispensável; e o único recurso, contra a
incursão do elemento nocivo ou ameaçador da estabilidade das instituições
brasileiras, é a educação ampla do povo, em cujos labores sagrados deveriam
viver todos os programas do bom nacionalismo.
Se
muitas escolas existem no Sul, onde somente se ensina o idioma alemão, em
muitos casos é porque os professores do Brasil não se decidiram a enfrentar as
surpresas da região, a fim de zelarem pelo patrimônio intelectual dos novos
operários da pátria. Se algumas dezenas de agrônomos vieram diretamente de
Tóquio para os riquíssimos vales do Amazonas, é que os agrônomos brasileiros
não se animaram a trabalhar no sertão hostil, receosos do sacrifício.
Entretanto, não faltariam espíritos abnegados e corajosos, no seio do povo
fraterno que floresce no coração geográfico do mundo, ansiosos por participarem
da grande obra construtiva de organização cultural e econômica da terra em que
se desenvolvem numa grande tarefa de amor, se os ambientes universitários, com
as suas habilitações oficiais, não estivessem abertos somente à aristocracia do
ouro. A palavra de um mestre custa uma fortuna, apenas suscetível de ser
remunerada pelas famílias mais abastadas e mais favorecidas, e nem sempre
nesses ambientes confortáveis se encontram as almas apaixonadas pela luta em
prol do progresso comum.
Nesta época de confusão e amargura, quando, com
as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem
econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o patrimônio de
tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de
repressão e de segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das
instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não
elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria
tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a
incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do
trabalho, em favor da concórdia universal. (grifei)
Não
nos deteremos a falar, depois da República, de quantos se encontram ainda no
cenáculo das atividades e dos feitos do país, porquanto semelhante ação de nossa
parte constituiria uma intervenção indébita nas iniciativas e empreendimentos
dos "vivos". Jesus, que é a suprema personificação de toda a
misericórdia e de toda a justiça, auxiliará a cada qual, no desdobramento dos
seus esforços para glória da nacionalidade.
O
Brasil está cheio de ideologias novas, refletindo a paisagem do século; cabe
aos bons operários do Evangelho concentrar suas atividades no esclarecimento
das almas e na educação dos espíritos
Todas
as fórmulas humanas, dentro das concepções que exprimam, por mais alevantadas
que se afigurem, são perecíveis e transitórias. A política sofrerá, no curso
dos séculos, as alternativas do direito da força e da força do direito, até
que o planeta possa atingir relativa perfeição social, com a cultura
generalizada. A Ciência, como a Filosofia e as escolas sectárias, viverá entre
dúvidas e vacilações, assentando seus feitos na areia instável das convenções
humanas. Só o legítimo ideal cristão, reconhecendo que o reino de Deus ainda
não é deste mundo, poderá, com a sua esperança e o seu exemplo, espiritualizar
o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes
produtivas na construção da sociedade do futuro.
Conhecedores
dessa grande verdade, supliquemos a Jesus se digne derramar do orvalho de seu
amor sobre os vermes da Terra.
Que
as falanges de Ismael possam, aliadas a quantos se desvelam pela sua obra
divina, reunir o material disperso e que a Pátria do Evangelho mais ascenda e
avulte no concerto dos povos, irradiando a paz e a fraternidade que alicerçam,
indestrutivelmente, todas as tradições e todas as glorias do Brasil.
¨
Comentários
Esse
é o capítulo final do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho,
publicado, em 1938, pela Federação Espírita Brasileira, ditado pelo espírito
que se identificava, à época, como Irmão X, na psicografia do médium de Jesus,
Chico Xavier. Mais tarde, o autor assumiu o seu nome na mais recente encarnação
no Brasil: Humberto de Campos (1886/1934), jornalista, escritor e político,
radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O livro já vendeu mais de 400 mil
exemplares em meio impresso e e-book.
Resgata
as origens remotas do Brasil, extraídas nas tradições do mundo astral, sob a
orientação de Ismael, o governador espiritual de nossa pátria, sob as
diretrizes de Jesus, o Mestre dos Mestres, luz da humanidade terrena. Ao mesmo
tempo revela a missão de nossa nação, à luz das orientações de Jesus.
Muitos
brasileiros criticam o livro por suas previsões otimistas, especialmente, em
relação à Pátria do Evangelho. Reclamam que a previsão de 1938 ainda não se
realizou, após setenta anos de sua publicação. Esquecem-se de que os espíritos,
nas dimensões mais evoluídas, não medem o nosso mundo físico por anos ou
séculos.
Espíritos
altamente evoluídos são enviados a reencarnações sucessivas, em nosso planeta,
para atuarem em todos os setores da economia, da sociedade, da educação, da
política. Nem todos, contudo, ao vestirem o corpo físico, conseguem cumprir
integralmente a sua tarefa. Poder, dinheiro, sexo, exercidos sem ética, mas com
orgulho e egoísmo, são alguns dos atrativos que, geralmente, desviam o ser
humano dos seus mais legítimos propósitos, delineados em sua comunidade
espiritual, na pré-reencarnação, por uma equipe de espíritos superiores. Um
exemplo para essa afirmação. Jesus convoca à sua presença o Espírito Longinus, para
reencarnar no Brasil, no corpo de D. Pedro II, a fim de realizar a nossa independência
em relação a Portugal, abolir a escravatura, abrir os nossos portos ao comércio
internacional, a ser um rei ou imperador de caráter impecável, generoso,
competente no exercício de seu mandato político. Quem é Longinus? O mesmo
Espírito que animou o corpo físico do apóstolo Pedro, fiel servidor do Grande
Mestre. Longinus já havia cumprido várias missões, ao longo dos séculos, sob as
ordens de Jesus. E o médium encarregado de transmitir ao mundo as mensagens
insertas no Brasil, Coração do
Mundo, Pátria do Evangelho,
foi Francisco Cândido Xavier, o nosso querido Chico Xavier. Longinus cumpriu,
aos tropeços, grande parte de sua missão, mas caiu em algumas tentações que
prejudicaram, sensivelmente, todo o seu planejamento reencarnatório. Chico Xavier
cumpriu integralmente a sua tarefa. Não por acaso animou o corpo físico do apóstolo
amado do Mestre Jesus – João Evangelista.
Deus,
Supremo Arquiteto do Universo, e Jesus, nosso Mestre, Senhor da Terra, criam, planejam,
orientam e protegem os seus filhos e discípulos, além dos demais espíritos, mas
não interferem no livre arbítrio dos espíritos com missões relevantes em nosso
planeta, exceto em casos extremos. Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier,
deixa-nos um ensino que esclarece essa questão:
“Se não guardas o favor do Alto, respeitando-o em ti mesmo, se não usas
os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria felicidade, se
não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a dedicação dos
mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de amor e
paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de tua vontade, ao
programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão imprestáveis.” (Extraído do livro Pão Nosso, da Coleção Fonte Viva.
Ditado pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Chico Xavier. Rio de
Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 114).¨
(Crédito
da imagem: <https://mundomaior.com.br/brasil-corac-o-do-mundo-patria-do-evangelho.html.html>)

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