Jota era o apelido de minha babá,
quando residia na Fazenda Serra, no distrito cantagalense de São Sebastião do
Paraíba. Era filha da Alzira, empregada lá de casa e benzedeira das melhores.
Durante os onze anos em que residi na Fazenda, somente precisei de médico uma única
vez, quando “peguei” uma pneumonia, em tempos sem antibióticos. A Alzira cuidou
de mim nas gripes e alguns achaques da infância, e livrou-me do “mau olhado”, “olho
grande”, “espinhela caída” e tudo mais...
Mas a Jota cuidava do garoto
Celso. Até hoje não sei o verdadeiro nome da Jota. Um “pecado” imperdoável. Não
era uma simples letra do alfabeto. Era – e continua a ser, onde quer que se
encontre – um anjo encarnado. Não me lembro das travessuras que fazia, mas não
esqueço do amoroso carinho e disponibilidade que a Jota me dedicava. Na fazenda,
ela me carregava nos ombros, brincando, cantando, rindo. Humildade suprema. A
humildade segundo Jesus Cristo, em suas Bem-aventuranças: "Bem-aventurados
os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus, 5:3). “Pobres
de espírito”, ricos de coração, de amor. Aos 82 anos de idade tenho uma memória
“seletiva” – bela desculpa para a falta de memória –, mas, entre as seletivas,
destacam-se vivas as lembranças da Jota, na minha bucólica infância.
Aos onze anos de idade mudamos
para a cidade de Cantagalo, para continuar meus estudos. A jota ficou na fazenda.
Eu a reencontrei anos mais tarde, em Cantagalo, na residência dos queridos tios
Walter e Nita. Era a mesma Jota. Quando eu ia visitar meus tios ela me tratava
como se fosse aquela criança dos anos 30/40. Não se esquecia do angu e da
banana frita. Angu, feijão, arroz e banana frita. Às vezes um ovo frito. Pra
que mais!?
Tinha apenas uma foto da Jota,
que não sei mais onde ficou, depois de tantas mudanças, como um cigano. Está
apenas na minha memória, para sempre.
Este não é um artigo para ser
lido. Mas eu não consegui refrear esse desejo de registrar neste blog o encanto
de ter vivido sob o amor de um Anjo. E não sabia...▲
(Crédito da imagem: <https://twitter.com/blancaluza>)

Fiquei mt emocionada ao ler seu texto sobre Jota, a nossa Jota.
ResponderExcluirEla foi trabalhar na casa de meus pais no dia em queminha irmã Waldevina nasceu: 18-07-1944.Ficou conosco exatos 50 anos,pois faleceu em 18-07-1994.Seu nome era Francisca Maria Amarante.Fazia parte de minha família. Era minha madrinha (madrinha de toalha no Batismo), madrinha de meu filho Ricardo e de muitos primos.Era de fato um anjo.Era muito amada na família e nos amava muito.
Vou mandar uma foto dela para vc.Abraços.