domingo, 30 de dezembro de 2018

Jair Bolsonaro: quem viver verá


Jair Messias Bolsonaro toma posse, no próximo dia 1º, no cargo de Presidente do Brasil, autoridade máxima do Poder Executivo. Até agora, Bolsonaro e sua equipe de transição revelam alguns detalhes do plano de governo, de caráter liberal democrático e de um Estado mínimo.
O Brasil tem hoje 418 empresas controladas direta ou indiretamente por União, Distrito Federal, estados e municípios. Dessas, 138 são federais e alvos de privatização no governo de Jair Bolsonaro. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o país que tem o maior número de estatais entre as 36 nações que constituem essa organização internacional.  Um dos motivos que conduzem à privatização da maioria absoluta dessas estatais foi revelado no mais recente relatório do Tesouro Nacional. A União gastou, em 2017, R$ 9,3 bilhões a mais com empresas estatais do que arrecadou. O governo federal recebeu R$ 5,5 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio das estatais federais em 2017, mas desembolsou R$ 14,8 bilhões em gastos com pessoal, investimento ou manutenção dessas empresas. Caso fossem empresas privadas, os seus acionistas teriam pela frente uma escolha drástica: fechar suas empresas ou colocar na liderança e gestão das mesmas profissionais competentes, que terão que cumprir metas. As estatais, até agora, são geridas por políticos ou “técnicos” indicados pelos partidos que integram a base de governo no Congresso Nacional – PT, MDB, PP e outros partidecos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Petrobrás, as mais badalas, têm vice-presidentes e diretores. Seus conselhos administrativos têm uma composição estritamente política. O déficit público é monumental, fruto de governos irresponsáveis e populistas, sem qualquer zelo pela população. Creio que nenhuma das atuais estatais está fora da privatização, especialmente, a Petrobrás. As que não devem ser privatizadas, vão sofrer uma “operação pente fino” em seu quadro de diretores e segundo escalão, para cortar suas “gorduras”.
A transformação no atual Ministério da Justiça, que ficará sob a gestão de Sérgio Moro, o juiz federal que deu vida à Operação Lavajato, ao lado de procuradores e policiais federais, vai combater com rigor a corrupção, que tomou conta do Estado brasileiro. Outro alvo será a segurança pública, um caos na maioria dos estados brasileiros. O ministro Moro terá, sob o seu controle, uma plêiade de órgãos que vai permitir rastrear com mais amplitude os reais da corrupção, que fazem um turismo financeiro pelo planeta, com passagem obrigatória em paraísos fiscais.
A educação pública, outro desafio para o novo governo, deverá sofrer uma reformulação profunda, invertendo a aplicação do dinheiro público. No mais recente relatório da Secretaria do Tesouro Nacional, o Brasil está entre os países que mais gastam com a educação pública. Todavia, está nas últimas colocações em avaliações internacionais de qualidade do ensino. O relatório revela que o nosso país gasta 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação pública por ano. Esse índice é superior à média observada pela OCDE, que é de 5,5%, e também acima de nações como Estados Unidos (5,4), México (5,3%), Argentina (5,3%), Chile (4,8%) e Colômbia (4,7%). É um quadro estarrecedor, que revela uma gestão pública ineficiente e ineficaz. Por outro lado, os gatos com a educação superior são bem maiores do que os aplicados na educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A equipe de transição já equacionou esse problema e deve, nos próximos quatro anos, reverter esta esdrúxula distribuição dos recursos públicos em educação.
A saúde pública, outra calamidade nacional, terá que mostrar competência gerencial e aplicação racional dos recursos públicos: União, Distrito Federal, estados e municípios. A mídia mostra, diariamente, a situação calamitosa do SUS, que nenhum médico cubano vai resolver. O Ministério da Saúde terá que reformular sua política de distribuição financeira e técnica para as unidades federadas e os municípios.
As políticas públicas para o Nordeste serão o diferencial entre o governo Bolsonaro e seus antecessores: em vez de esmola, empregos, desenvolvimento sustentável. A dessalinização de águas marítimas e outros recursos paralelos para irrigar o Nordeste será a revolução mais ampla do novo governo.
Quem viver verá...¨

domingo, 23 de dezembro de 2018

Jair Bolsonaro: um presidente fora da caixinha


Jair Messias Bolsonaro nasceu em Glicério (SP), em 21 de março de 1955. Glicério é um pequeno município do interior de São Paulo. Tem 4.801 habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2018. Filho de Olinda e Geraldo Bolsonaro. É descendente de imigrantes italianos, portugueses e alemães.
Foi casado três vezes: Rogéria Nantes Nunes Braga, a primeira, com quem teve três filhos Flávio (eleito senador), Carlos, vereador do município do Rio de Janeiro, e Eduardo, eleito deputado Federal por São Paulo com a maior votação da história da Câmara; Ana Cristina Valle, a segunda, com quem teve o filho Renan; e Michele de Paula Firmo Reinaldo, a atual, desde 2007, com quem teve a filha Laura. A família reside na cidade do Rio de Janeiro.
É católico confesso, mas frequenta igrejas evangélicas, com sua esposa e filhos, todos ligados a denominações protestantes.
Em Glicério, antes da maioridade, exerceu algumas atividades, como distribuidor de jornais. Ao completar dezoito anos, ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Em 1973, foi aprovado em concurso para ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Rezende (RJ). Foi diplomado em 1977.
Jair Bolsonaro serviu na artilharia de campanha e paraquedismo no Exército. Em1982, cursou a Escola de Educação Física do Exército, em 1987, a Escola de Aperfeiçoamento do Exército. Em 1988, passou para a reserva no posto de capitão, a fim de concorrer à vereança no município do Rio de Janeiro. Eleito, prosseguiu sua carreira política cumprindo sete mandatos como deputado federal, entre 1991 e 2018, por diversos pequenos partidos: Partido Democrata Cristão (PDC); Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão entre o Partido Democrático Social (PDS) e o Partido Democrata Cristão (PDC);  Partido Progressista Brasileiro (PPB), fundado com a fusão do Partido Progressista Reformador (PPR) com o Partido Progressista (PP) e o Partido Republicano Progressista (PRP), hoje apenas Progressista; Partido Trabalhista Brasileiro, criado por Getúlio Vargas, em 1945; Partido da Frente Liberal (PFL), hoje apenas Democratas (DEM),  fruto de dissidência do PDS; Partido Social Cristão (PSC); e o atual Partido Social Liberal (PSL), instituído em 1998, que defende menor participação do Estado na economia, concentrando despesas e investimentos nos serviços públicos de  educação, saúde e segurança pública. Apesar de ter pertencido a sete partidos políticos, Bolsonaro mantém fidelidade aos seus princípios liberais, mas conservador nos costumes.
Segundo levantamento dos 26 anos de atividade parlamentar na Câmara Federal, Jair Bolsonaro aprenstou 162 Projetos de Lei (PL), um Projeto de Lei Complementar (PLC) e cinco propostas de Emenda à Constituição (PEC); há 470 outras proposições, como emendas a projetos em comissões, indicações de autoridades para que prestem informações em casos analisados pela Câmara e mensagens e manifestações em plenário. Ele conseguiu aprovar dois projetos de lei e uma Emenda Constitucional, a PEC que prevê emissão de recibos junto ao voto nas urnas eletrônicas.
Sob a liderança de Jair Bolsonaro, o PSL deixou de ser um partido considerado nanico. Nas eleições deste ano, o PSL saltou de sete para 52 deputados federais, a segunda banca na Câmara Federal; sem representação no Senado, agora terá quatro senadores; sem nenhum governador, em 2019 terá três; elegeu, ainda, 875 vereadores, trinta prefeitos e 76 deputados estaduais.
Considerado do “baixo clero” na Câmara, em 2014 Bolsonaro resolveu que seria candidato a Presidente da República, em 2018. Alguns amigos dele entenderam como um objetivo impossível. Ele seguiu com o seu propósito. Viajou pelo mundo. Conheceu novas culturas e várias experiências de países que venceram os obstáculos da natureza, como Israel e Japão. Conversou com lideranças exitosas da livre iniciativa e de governos democráticos. No Brasil, visitou todas as regiões, ouviu e observou as necessidades das pessoas, em particular, no Nordeste e Norte. Como deputado, não foi inoperante. Como pertencia a partidos nanicos, seus projetos, emendas e demais proposições tinham poucas possibilidades de ser vitoriosas. Participou de votações polêmicas. Enfrentou lideranças radicais. Jamais se deixou abater por suas derrotas na Câmara. Parece que quanto mais ele perdia, mais ele se fortalecia para embates maiores, que o futuro lhe reservou. E esse momento chegou. Tentou ser indicado pelo partido ao qual estava filiado, o PSC, que lhe negou a legenda para ser candidato a Presidente da República. Migrou para o PSL e conseguiu o apoio necessário. Teve dificuldade de conseguir a parceria de outros partidos e de atrair um nome de peso para ser seu companheiro de chapa, a Vice-presidência. Seu percentual de preferência do eleitorado estava parado em um por cento. Ele não se abateu. Continuou a sua luta, sem dar importância às dificuldades e com mais força de vontade foi superando todas. Como não tinha horário na TV e nem recursos do fundo partidário, partiu para o corpo a corpo nas ruas e o uso intenso das redes sociais. Parentes, amigos e admiradores serviram de divulgadores, como voluntários, com ênfase para os grupos do WhatsApp. A sua trajetória parecia ter sido interrompida no atentado terrorista de um militante petista, no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, em uma passeata que reuniu milhares de pessoas. A facada que recebeu no abdome revelava a fragilidade do corpo físico do candidato à agressão violenta sofrida. Mas a dedicação e vontade do espírito que anima aquele corpo não se deixou abater. Não pode mais ir às ruas para receber o abraço do povo e de seus adeptos. Ficou hospitalizado, mas os voluntários militantes, sem qualquer remuneração, continuaram, com mais afinco, na tarefa de divulgar suas ideias e seus propósitos à frente da Presidência da República. Foi alvo de críticas infundadas, de mentiras e agressões verbais e de fake news de seus principais adversários. Venceu no primeiro turno das eleições, mas não conseguiu maioria absoluta. Foi para o segundo turno e venceu de goleada um candidato de campanha milionária. Haddad consumiu em sua campanha R$ 34.400,867, mas arrecadou somente R$ 32.672,599, um déficit de R$ 1.728,268; Haddad está mendigando ajuda dos militantes comuno-petistas para pagar os credores de sua campanha milionária, com dinheiro do povo via tributos escorchantes (94,5% [R$ 32.508.819] veio do Fundo de Financiamento Público da Campanha; apenas 5,5% [R$ 724.065] de financiamento coletivo e doações). Bolsonaro gastou somente R$ 1.721,537 e arrecadou R$ 2.547,640, com um superávit de R$ 826,103. A campanha do candidato PT/PCdoB custou aos cofres públicos R$ 32.508.819. A de Jair Bolsonaro não consumiu nenhum centavo de dinheiro público, foi totalmente financiada por seus eleitores e militantes.
O candidato Haddad, doutor pela USP em questões comunistas, ia semanalmente à Polícia Federal, em Curitiba, buscar orientações do presidiário Lula para sua campanha milionária pela TV. Enquanto isso, o candidato Bolsonaro liderava os seus militantes, com orientações práticas e seguras e aparecimentos estratégicos nas redes sociais. Não precisou ir a nenhum debate na TV, enquanto seus adversários inventavam práticas que Bolsonaro nunca fez.
Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente eleito nesta Nova República que comemorou sua eleição com uma prece a Deus e a Jesus Cristo, como católico com apoio da grande maioria dos evangélicos, de diversas denominações. Isso é significativo. O Estado é laico, mas o Presidente da República será, na próxima legislatura, um homem que terá Jesus Cristo como o Guia Supremo de suas ações em benefício do povo brasileiro. Irá construir um Estado liberal mínimo e reconstruir os serviços públicos de educação, saúde e segurança.
O presidente eleito e diplomado Jair Bolsonaro assume a Presidência da República no próximo dia 1º de janeiro de 2019, sob as bênçãos do Cristo e sob sua luz vai governar. O materialismo conduziu o Brasil nas últimas décadas e nos levou a uma crise histórica de valores. Não deu certo. Agora, o espiritualismo tomará conta do Poder Executivo, sob a batuta do presidente Jair Messias Bolsonaro. É, por tudo isso, um presidente fora da caixinha...

domingo, 16 de dezembro de 2018

Mediunidade & médiuns: o caso “João de Deus”


O fato. Na madrugada do último dia 7, sexta-feira, o programa Conversa com Bial, da TV Globo, apresentou entrevistas em off e ao vivo com dez mulheres que se diziam abusadas sexualmente pelo médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Os relatos entraram em detalhes dos assédios sexuais provocados pelo médium, chegando até ao estupro. As palavras mais presentes nesses relatos eram pênis e sexo anal, passando pela masturbação. A TV Globo, ante o sensacionalismo da notícia, passou a repeti-la sucessivamente em seus noticiários matutinos e vespertinos, com as mesmas entrevistas do Conversa com Bial e outras, em horário acessível a crianças e adolescentes. Pela audiência a ética é jogada no lixo.
Espiritismo & espírita. Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em O Livro dos Espíritos (Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 15), assim define o Espiritismo:
Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas. (grifo no original)
Simplificando: Espiritismo – Doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e em suas manifestações. Espírita:  O que tem relação com o Espiritismo; adepto do Espiritismo; aquele que crê nas manifestações dos Espíritos.
Mediunidade. A mediunidade é a faculdade que permite o intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual. É o que revela Allan Kardec em O Livro dos Médiuns (Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 461):
O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade. Os Caldeus, os Assírios tinham médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele lhe ouvia a voz. Todos os povos tiveram seus médiuns. As inspirações de Joana d’Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.
O mediunismo pode ser definido com a prática empírica da mediunidade, sem filiação a qualquer crença ou presente em diversas crenças. O mediunato é definido por Joana D’Arc como uma missão providencial dos médiuns. Esta palavra foi criada pelos Espíritos (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns Segunda Parte, Cap. XXXI, item XII. Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 462)
Herculano Pires (1914/1979), professor e espírita, um dos mais fiéis tradutores da Codificação Espírita, define a mediunidade como a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.
A mediunidade cristã deve ser exercida gratuitamente, sem privilégios ou atendimentos especiais. “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus, 10:8), instrução dada por Jesus aos seus apóstolos. Os médiuns cristãos-espíritas não devem cobrar, sob qualquer forma, por seus trabalhos mediúnicos, fieis aos ensinos do Cristo.
Médiuns. Médium significa medianeiro, intermediário. Segundo Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, capítulo XIV, Questão 159. Brasília: Federação Espírita Brasileira: 2005, p. 203):
Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, peneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos. (grifos no original)
Posteriormente à Codificação Espírita, outras faculdades mediúnicas foram surgindo, como, por exemplo, a psicopictografia, popularmente conhecida como pintura mediúnica, muito comum em médiuns brasileiros. Luiz Antonio Gasparetto (1949/2018) foi o mais famoso, com faculdades extraordinárias.
Para que o fenômeno se produza, faz-se mister a intervenção de uma ou muitas pessoas dotadas de especial aptidão, que se designam pelo nome de médiuns.
A melhor definição de médium e que pode ser aplicada ao caso em tela, encontramos em André Luiz (Nos domínios da mediunidade / ditado pelo Espírito André Luiz; [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 9):
Na grande romagem, todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superi­or, ou às forças perturbadoras e deprimentes, se ainda nos escravi­zamos às sombras da vida primitivista ou torturada. Cada criatura, com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima, emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica.
João de Deus. A Casa Dom Inácio de Loyola, segundo informa o saite <http://joaodedeus.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=a-casa>, foi criada em 1976 por João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus, na cidade de Abadiânia, Estado de Goiás (GO). É onde o médium exerce o mediunismo de cura espiritual por 42 anos seguidos. Abadiânia dista de Brasília 113km, pela rodovia BR-060, que liga a Capital da República a Goiânia.
A entidade foi denominada Casa Dom Inácio de Loyola em homenagem a uma das principais entidades que guiam o médium João de Deus, também conhecida como Santo Inácio de Loyola (1491/1556), fundador da Companhia de Jesus, nascido na Espanha, canonizado pela Igreja Católica, Apostólica Romana em 1622.
João de Deus, segundo informa o portal da Casa Dom Inácio de Loyola, “é um homem nascido em família simples, que tem problemas como qualquer homem comum. Tem defeitos, limitações e é capaz de errar e sofrer como qualquer outro ser humano”. Segundo o médium, “se fosse perfeito, não estaria nessa missão na Terra”. João Teixeira de Faria nasceu no vilarejo de Cachoeira da Fumaça, no estado de Goiás, em 24 de junho de 1942, sendo o mais novo de seis filhos.
O próprio médium diz ser “apenas um homem” que, há mais de trinta e cinco anos, instalou a Casa de Dom Inácio “neste solo sagrado de Abadiânia, esta terra bendita, onde Deus me colocou para cumprir minha missão”. Diz mais: “Eu não curo ninguém. Quem cura é Deus, que, em sua infinita bondade, permite as Entidades (bons espíritos) que me assistem proporcionar cura e consolo aos meus irmãos, ao passo que sou apenas um instrumento em suas divinas mãos”.
Registra ainda, no mesmo espaço da internet, que foi garimpeiro e sabe “que a pedra preciosa, para mostrar sua beleza, precisa sofrer o desgaste da lapidação, sendo que, antes de polida, quem não conhece não lhe dá valor algum. Cada filho é um diamante raro da criação, mas que necessita ser polido implicando em dores e sofrimento, para realizar sua superior destinação”. João de Deus é analfabeto funcional.
Pelas características da Casa parece ser um ambiente ecumênico, com alguma influência do Espiritismo, sem ser a este ligado.
Os médiuns com tarefas definidas são espíritos altamente devedores na contabilidade cármica ou divina. Não são missionários, com raríssimas exceções. Geralmente, foram totalitários, sanguinários, perversos, prejudicando milhões de pessoas. Voltam, pela reencarnação, para quitarem seus débitos. A reencarnação é o divino processo pedagógico de reeducação do Espírito, ser imortal, criado à imagem e semelhança de Deus, “inteligência suprema, causa de todas as coisas”.
Podemos afirmar que o exercício da mediunidade é um processo acelerado de aprendizagem. Na escola da vida nem todos conseguem “passar de ano”, ter êxito em todas as disciplinas. Muitos médiuns são repetentes contumazes.
João de Deus atrai para Abadiânia, anualmente, cerca de 120 mil fiéis, 40% deles estrangeiros. Segundo notícias da mídia, ele sacou R$ 35 milhões de suas contas bancárias, nos últimos dias. Até o momento é considerado foragido, porém, nesta manhã de domingo, 16, há informações de que ele deve se apresentar hoje à política goiana.
Idolatria. Os médiuns de cura geralmente estão sujeitos à divinização, ao endeusamento ou à idolatria, ato de cultuar ídolos. É o caso do médium João Teixeira de Faria, idolatrado como João de Deus. Os idolatrados se sentem deuses, cercados de uma corte de bajuladores e de adoradores, que acabam por ser “hipnotizados” pelo ídolo. Esses “ídolos de barro” geralmente gozam de uma falsa superioridade moral, com uma autoridade inquestionável, “sagrada”. Às vezes usam, indevidamente, o seu guardião, guia ou mentor espiritual para falar ou fazer o que gosta, para encobrir suas verdadeiras intenções ou desejos.
Há casos, contudo, em que o médium é idolatrado, mas continua na sua humilde condição de simples intermediário entre os Espíritos desencarnados e os encarnados. Um exemplo universal foi o médium Francisco Cândido Xavier, o querido Chico Xavier, além de outros que atuam na Doutrina Espírita. Ele dizia ser um “cisco” e somente comunicar o que vinha do Além: “o telefone toca de lá pra cá”, dizia.
As vítimas. As pessoas que recorrem a esses “milagreiros”, como João de Deus, estão fragilizadas emocionalmente pela desesperança, por sofrimentos gerados por doenças psíquicas ou físicas ditas incuráveis pelos médicos terrenos. A sua única esperança é o médium curador, no caso, João de Deus.
Após as denúncias de dez mulheres que sofreram abusos sexuais pelo médium João de Deus, no Conversa com Bial, na madrugada do passado dia 7, as vítimas já chegam a mais de 330, segundo noticía a mídia neste fim de semana. Pior. Uma de suas filhas – Dalva Teixeira –, de 49 anos, em matéria de capa da revista Veja deste domingo, declara “Meu pai é um monstro” e revela que, entre os dez e os catorze anos de idade, sofria abusos sexuais de seu pai, “em casa, no carro e em viagem”.
As vítimas, pelas denúncias até agora reveladas, são meninas − crianças e adolescentes − e mulheres adultas até os quarenta nos de idade. As mulheres entrevistadas pela mídia, até agora, que dizem jamais terem sido abusadas sexualmente por João de Deus, aparentam ter mais de quarenta anos.
O médium nega as acusações e há muitas pessoas, espalhadas pelo planeta, que alegam ter sido curadas por João de Deus.
O inquérito que apura as denúncias corre na polícia civil de Goiás. Ontem, sábado, a Justiça determinou a prisão preventiva de João de Deus.
Uma experiência pessoal. Em 2014, fui à Casa Dom Inácio para buscar a cura ou o alívio para dores na coluna vertebral, por causa de três vértebras com pouca cartilagem. Os médicos especialistas que tinham me atendido diziam que o meu caso poderia ser resolvido com cirurgia, mas eles não garantiam o sucesso dessa intervenção cirúrgica. Outra saída seria a infiltração periódica de analgésicos para aliviar as dores. Os analgésicos comuns nem sequer aliviavam essas dores. Desisti da cirurgia e da infiltração e procurei socorro com João de Deus.
Para ser atendido ouve-se, primeiro, uma explanação evangélica de um de seus voluntários. Depois entra-se em uma fila. Quando chegou a minha vez, João de Deus segurou as minhas mãos, olhou-me com os olhos meio revirados e me despachou para um auxiliar, sem nada falar, em menos de alguns segundos. Este me passou uma receita de Passiflora, que deveria ser adquirida somente na farmácia existente na Casa Dom Inácio. Comprei esse medicamento fitoterápico por cinquenta reais. Segundo a bula, Passiflora “é um gênero botânico de cerca de 500 espécies de plantas, pertencente à família Passifloraceae”. É vendida, hoje, em qualquer drogaria, por cerca de dez reais.
Depois fui encaminhado, com minha esposa, para tomar um caldo, ofertado gratuitamente na lanchonete ali existente. O atendimento, meu e da minha esposa, foi gratuito. Há, contudo, uma engrenagem comercial na Casa Dom Inácio, onde se vende até cristais brutos ou lapidados. Os seus dirigentes justificam esse comércio como fonte de renda para sustentar as atividades da Casa. É, na realidade, uma empresa comercial, que emprega mais de quarenta servidores, com a supervisão de dezenas de voluntários.
A minha coluna vertebral continua com os mesmos problemas, antes e depois de João de Deus. Alguns espíritas devem pensar que eu não fiquei curado ou aliviei as minhas dores porque eu não tenho merecimento ou fé. É possível. João de Deus não tinha a obrigação de me curar. Era uma possibilidade apenas. Como ensina o Espiritismo, nós somos hoje o reflexo do ontem.
Assédio sexual.  O Código Penal (Art. 216-A, caput) define o assédio sexual como o ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”. O assédio pode ser realizado por palavras, escritos, gestos, ações. Admite-se somente a forma dolosa, ou seja, a intenção de ofender, mediante atos ou convites indecorosos, e que haja superioridade hierárquica. O médium idolatrado, João de Deus, está em condição hierárquica superior ao seu paciente, fragilizado emocionalmente.
Rafael Rocha, advogado criminalista (<https://www.rochadvogados.com.br/quando-uma-pessoa-comete-o-crime-de-assedio-sexual/>), entende que o núcleo do tipo penal está representado pelo verbo constranger, “se  acompanhado de algum complemento, significa compelir, coagir, obrigar ou forçar a vítima a fazer ou não fazer algo, tal como ocorre nos crimes de constrangimento ilegal (CP, art. 146) e no estupro (CP, art. 213)”. Segundo ele, raríssimas são as condenações. Talvez por conta do machismo, predominante em todos os setores da sociedade, incluindo a polícia civil e militar.
As denúncias de assédio sexual que envolvem o médium têm a mesma característica. Após um atendimento inicial coletivo com a paciente, ele a convidava para um atendimento individual num aposento privado, geralmente no amplo banheiro de sua suíte na Casa Dom Inácio, com direito a um sofá.
Nesta manhã de domingo, as denúncias recebidas pelos Ministérios Públicos de Goiás, Santa Catarina e de São Paulo chegam a mais de 450 ocorrências. 330 relatos já foram feitos. As vítimas são moradoras no Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo Rio Grande do Sul e no exterior.
Mediunidade, mediunismo & médiuns. João de Deus, em vídeos divulgados na internet, realizou milhares de intervenções cirúrgicas em seus pacientes, com detalhes impressionantes. Em algumas, abria o tecido do corpo do paciente com os dedos, retirava o tumor ou algo assim e fechava a cicatriz com os dedos, sem dor ou pontos. Muitos dos voluntários são estrangeiros que resolveram morar em Abadiânia e ajudar nos trabalhos da Casa de Dom Inácio. Na contabilidade cármica do médium, tudo parece indicar que o lado do crédito é mais volumoso do que o dos débitos, as falhas de caráter, como os abusos sexuais praticados em centenas de pacientes femininas.
Na classificação mediúnica exposta neste texto, João de Deus exerce o mediunismo, ou seja, a “prática empírica da mediunidade, sem filiação a qualquer crença ou presente em diversas crenças”. Isso não alivia os crimes praticados, segundo as vítimas que o denunciaram à Polícia Civil ou ao Ministério Público. O fato dele não ser espírita também não interfere nem a favor e nem contra os seus atos.  Ele simplesmente não quis renunciar ao prazer sexual, ao violentar as suas vítimas. Não nos cabe julgá-lo. Cabe à Justiça terrena e, em instância superior e definitiva, à Justiça Divina, que não pune e é exercida com Amor, que apura as faltas cometidas e programa as reencarnações futuras do devedor, em processo de aprendizagem contínua.
Parábola da Ovelha Perdida, presente nos quatro Evangelhos, é uma das mais expressivas de Jesus. Ele é um pastor em busca de suas ovelhas perdidas e sua missão é recuperá-las todas. Em João 10:16, Jesus diz: “Entrego minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco, as quais devo da mesma maneira trazer; elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. João de Deus parece ser uma dessas ovelhas e, pela Lei Divina, voltará ao rebanho de Jesus Cristo. Quando e onde não sei. Mas sei que voltará.
A Casa Dom Inácio e a cidade de Abadiânia (GO), após esses sórdidos acontecimentos, jamais serão as mesmas.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Educação superior: insegurança jurídica


Henrique Meirelles, que ocupou vários cargos em bancos nacionais e estrangeiros e nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, certa vez, ao analisar a crise na economia da Argentina, talvez pensando no atual cenário da economia brasileira, que:
A experiência histórica mostra que finanças públicas desequilibradas, incerteza regulatória e distorções nos sistemas de preços criados pelo governo são os maiores causadores de baixa produtividade, decadência econômica e crises.
Parodiando Henrique Meirelles, em relação aos processos de avaliação, regulação e supervisão da educação superior, conduzidos pelo Ministério da Educação, poderia dizer:
A experiência histórica mostra que educação pública desequilibrada, incerteza regulatória e distorções nos sistemas de avaliação, regulação e supervisão da educação superior brasileira, criados pelo governo, são os maiores causadores de baixa qualidade e produtividade, decadência e crises nesse nível educacional.
O economista Rodrigo Constantino, em artigo publicado pela revista Veja Choque de realidade (Edição 2.382, Ano 47, nº 29, de 16/7/2014), usa a metáfora do futebol, ao final da Copa da Mundo de 2014, para analisar a economia brasileira. Em um dos trechos mais significativos de seu texto, afirma:
Eis uma importante lição que podemos extrair do futebol: as regras são conhecidas ex ante, são isonômicas e não podem ser alteradas durante o jogo. O resultado depende mais do mérito que da sorte. Comparem-se a isso as intervenções arbitrárias do governo na economia, os subsídios, as barreiras protecionistas, as isenções fiscais pontuais, tudo modificando as regras durante o jogo, criando incertezas, levando as empresas a “investir” em lobby em vez de produtividade. Não pode dar certo.
Usando a metáfora do futebol e o texto do economista Rodrigo Constantino para analisar a educação superior e as relações das instituições educacionais com o Ministério da Educação, posso afirmar que:
Eis uma importante lição que podemos extrair do futebol: as regras são conhecidas ex ante, são isonômicas e não podem ser alteradas durante o jogo. O resultado depende mais do mérito que da sorte. Comparem-se a isso as intervenções arbitrárias do governo na educação superior, modificando as regras durante o jogo. Esses atos criam incertezas, levam as instituições de educação superior (IES) particulares a “investir” em lobby e em uma parafernália jurídica, desviando recursos da educação superior para atividades meramente administrativas. Não pode dar certo.
Os dois artigos estão centrados na análise da economia, nas intervenções arbitrárias dos governos na economia, nas finanças públicas desequilibradas, gerando incerteza regulatória, distorções nos sistemas etc. Editoriais dos principais periódicos, nacionais e internacionais, também demonstram a preocupação com os rumos da economia brasileira.
Jamais li, em qualquer periódico brasileiro de expressão nacional, algum editorial ou artigo de jornalistas ou ex-ministros minimamente focado na crítica à excessiva regulação do sistema federal de ensino, que engloba as IES mantidas pela União e pela livre iniciativa. A excessiva regulação e as normas infralegais que saem aos borbotões das oficinas do MEC portarias normativas, portarias, resoluções, notas técnicas, instruções e até despachos , que modificam as regras durante o jogo e o uso de indicadores de qualidade não previstos nas regras do jogo, passam ao largo das pautas da mídia e dos articulistas mais expressivos. Televisão nem pensar. Estão todos preocupados com a economia. E a educação? E a economia da educação?
Penso ser o momento do novo Congresso Nacional definir claramente as normas de avaliação de qualidade, regulação credenciamento e recredenciamento institucional e autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos de graduação e supervisão da educação superior. Para as IES mantidas pela livre iniciativa, no estrito cumprimento do art. 209 da Constituição, deve proibir expressamente qualquer interferência “legislativa” do Ministério da Educação, como vem ocorrendo nos últimos anos, mediante a edição de atos administrativos “com força de lei”, usurpando a competência do Parlamento.
Esses atos “legislativos” do MEC ferem frontalmente a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.  Essa lei, em seu art. 2º, determina que a Administração Pública “obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. E exige, no parágrafo único, que, nos processos administrativos, será observado, entre outros, o critério de “atuação conforme a lei e o Direito”.
Espera-se que o novo Congresso Nacional decrete o fim da incerteza regulatória e das intervenções arbitrárias do governo na educação superior, da mudança das regras “durante o jogo”. Por uma política, diretrizes e regras estáveis para a educação superior. É o mínimo que se espera das novas lideranças que irão ocupar o Parlamento, radicalmente renovado.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Nunca antes


Alexandra Garcia
Em dois meses, minha mãe completa 100 anos de vida e diz que nunca viu nada igual ao que está testemunhando hoje. Ela passou pela ditadura Vargas, pelas tentativas comunistas de tomada do poder, a começar em novembro de 1935, depois por tantos governos diferentes e tantos planos de salvação nacional, mas nunca viu uma reação como agora, contra o estado de coisas em que enterraram o país. Uma reação popular e pacífica, de uma maioria que cansou de ser enrolada, ludibriada, enganada – desculpem usar tantos sinônimos para a mesma mentira. Eu mesmo, em meus quase 80 anos de Brasil, nunca vi nada igual. Eu diria que se trata de uma revolução de ideias, tal a força do que surgiu do cansaço de sermos enganados.
Mencionei a primeira tentativa comunista de tomada do poder, há 83 anos. Naquele 1935, houve reação pelas armas. Nas outras tentativas, no início dos anos 60, a reação veio das ruas, que atraiu as armas dos quartéis. A última, veio pelo voto, na mesma linguagem desarmada, com que começou a sutil tentativa tucana, para desaguar nos anos petistas, já com a tomada das escolas, dos meios de informação, da cultura – com aquela conversa que todos conhecemos. De repente, acordamos com a família destroçada, as escolas dominadas, os brasileiros separados por cor e renda, a cultura nacional subjugada, a História transformada. Mas acordamos.
Reagimos no voto, 57 milhões, mais alguns milhões que tão descrentes estavam que nem sequer foram votar. O candidato havia sido esfaqueado para morrer, nem fez campanha, não tinha horário na TV, nem dinheiro para marqueteiro. Mas ficou à frente do outro em 10 milhões de votos. Ainda não se recuperou da facada, a nova intentona; precisa de mais uma cirurgia delicada, mas representou a reação da maioria que não quer aquelas ideias que fracassaram no mundo inteiro, que mataram milhões para se impor e ainda assim não se impuseram.
O que minha mãe nunca viu é que antes mesmo de o vitorioso tomar posse, as ideias vencedoras da eleição já se impõem. Policiais que tiram bandidos das ruas já são aplaudidos pela população; juízes se sentem mais confiantes; pregadores do mal já percebem que não são donos das consciências; as pessoas estão perdendo o medo da ditadura do politicamente correto, a sociedade por si vai retomando os caminhos perdidos, com a mesma iniciativa que teve na eleição de outubro, sem tutor, sem protetor, sem condutor. Ela se conduz. O exemplo mais claro desse movimento prévio ao novo governo é a retirada cubana, no rompimento unilateral de um acordo fajuto, de seus médicos, alugados como escravos ao Brasil. Cuba “passou recibo” na malandragem e tratou de retirá-los antes que assumisse o novo governo, na prática confessando uma imoralidade que vai precisar ser investigada no Brasil, para apontar as responsabilidades, tal como ainda precisam ser esclarecidos créditos do BNDES a ditaduras, doação de instalações da Petrobras à Bolívia, compra de refinaria enferrujada no Texas, e tantas outras falcatruas contra as quais a maioria dos brasileiros votou em outubro.
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