domingo, 8 de março de 2020

Nova Era – A Era do Espírito


O mundo espiritual, de Kardec a Chico Xavier, antes e depois, é a morada essencial do Espírito, criado à imagem e semelhança de Deus. Em todos os planos, dimensões e faixas vibratórias da Terra e das muitas moradas do Pai há vida pulsante. Há Espíritos e condições para o desenvolvimento pleno da Vida.
Os minerais, vegetais, animais e o ser humano estão presentes nos múltiplos planos, estágios ou moradas de nosso planeta, em condições correspondentes a cada nível de desenvolvimento espiritual, moral, ético.
O espírito imortal manifesta-se em todos os reinos da natureza, de acordo com as características de cada um. “Dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal”, segundo Léon Denis. Quando adquire a razão, na roupagem do ser humano, o Espírito inicia uma nova e longa jornada. Nessa caminhada, evolui ou estaciona, ao longo dos muitos milênios, de acordo com o ritmo de cada um. Mas todos, sem exceção, retornarão ao Pai. O chamado livre arbítrio é usado nessa trajetória, na proporção do estágio evolutivo de cada espírito.
Machado, um poeta Catalão, diz que “no hay camino; el camino se hace al andar”. O Espírito Ermance Dufaux traduz essa jornada individual em Escutando sentimentos (Ditado pelo Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por] Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Dufaux, 2006, p. 20):
Quando conseguirmos melhor desenvoltura para mapear nossa vida moral com intenções nobres, renovaremos a conduta manifestando serenidade e autocontrole. O caminho é universal. É o mesmo para todos: o bem e o amor. A forma de caminhar, porém, é essencialmente individual, particular.
O mesmo diz André Luiz, em Obreiros da vida eterna: “Cada espírito, herdeiro e filho do Pai Altíssimo, é um mundo em si com as suas leis e características próprias” (Ditado pelo Espírito André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2003, p. 52).
O Espírito reencarna no plano físico e desencarna, voltando ao mundo espiritual, sua verdadeira morada, em dimensão correspondente ao seu peso específico, como diz André Luiz (Evolução em dois mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira: 2006, pp. 84 e 96). Esse processo evolutivo, na aplicação da Lei de Deus, proporciona ao Espírito oportunidades educacionais, na atual fase de nosso planeta, de regeneração e progresso, podendo sair do cenário de provas e expiações.
O mundo espiritual oferece ao Espírito condições de aprendizagem para que, no plano denso, possa experienciar, praticar o aprendizado. É aqui, no mundo material, que ele vai reeducar os sentimentos e emoções, reordenando ou redirecionando as energias do orgulho, do egoísmo, do apego, no exercício permanente do amor.
Quando o Espírito permanece em seu mundo de ilusões na vida física, esquecendo-se do aprendizado do mundo espiritual, realiza sucessivas e repetitivas reencarnações, sem maiores proveitos para o seu aprimoramento íntimo. As lições aprendidas e não vivenciadas, contudo, ficam guardadas em seus arquivos mentais, aguardando o momento adequado para o desabrochar do ser para as realidades da vida plena, integral, em harmonia com o Criador.
O Espírito Bezerra de Menezes (Seara Bendita / Espíritos diversos / [psicografado por] Maria José C. Soares e Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Inede, 2000, p. 41) diz que os primeiros setenta anos do Espiritismo “constituíram o período da consagração das origens e das bases que se assentam a Doutrina, que lhe conferem legitimidade”. Foi o tempo de Kardec. O segundo período, de mais setenta anos, “foi o tempo da proliferação” dessa mesma Doutrina. Foi o tempo de Chico Xavier. E o terceiro portal, de mais setenta anos, consagrará “a maioridade das ideias espíritas”. É o tempo do Espírito; é a chamada “Era do Espírito”, século 21. Pode-se afirmar que os dois primeiros períodos foram de construção de um perfil filosófico-doutrinário e o atual de foco nas relações humanas, no desenvolvimento do amor incondicional. A meta primordial, no atual período, ainda segundo o nosso amorável Bezerra de Menezes, “é aprendermos a amarmo-nos uns aos outros, para que tudo o que for criado em nome da causa espírita reflita a essência do Espiritismo em nossas movimentações. Nossa meta essencial é o amor, a atitude que reflete Deus em nós”.
O Espírito Eurípedes Barsanulfo (Lírios de esperança / ditado pelo Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por] Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Dufaux, 2005, p. 36) diz que “a ciência e a religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da forma do pensamento espírita” na Era do Espírito:
A ciência e a religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da força do pensamento espírita, sobrepujando o materialismo que grassa. Nenhum deles, no entanto, servirá de via preferencial. Por essa razão, urge desenvolver um novo significado para a comunidade adepta da verdade consoladora face ao predominante caráter religiogista. Religião com religiosidade. Religião com educação. Se a religião não educar, ficará retida no dogmatismo. Se a ciência não educar, será sovinice. Se a filosofia não educar, transformará em cátedra de vaidade. Se a arte não educar, constituirá um palco para exibicionismo. O momento converge todas as conquistas humanas para a espiritualização da criatura e pelo desenvolvimento de seus valores nobres e divinos.
As informações sobre a vida no mundo astral, de Kardec aos dias atuais, passando por Chico Xavier, servem para despertar-nos para a realidade da vida do Espírito, em qualquer plano ou morada. Essas informações, por si só, não conduzem à nossa reforma íntima.
Na Era do Espírito, todos temos que retomar a caminhada de volta ao Pai. E esta é uma jornada individual, e há que ser promovida mediante aprendizado e prática contínuos no bem e no amor, partindo do autoamor, em tempos de regeneração e progresso. No mundo espiritual, em suas múltiplas dimensões, e no mundo físico.
Se não guardas o favor do alto, respeitando-o em ti mesmo, se não usas os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria felicidade, se não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a dedicação dos mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de amor e paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de sua vontade, ao programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão imprestáveis.
Ante a Era do Espírito, Emmanuel roga a Jesus, em benefício de todos nós, encarnados e desencarnados, que estamos nesses momentos de transição entre a era de provas e expiações para uma era de regeneração e progresso (Na Era do Espírito / ditado pelo Espírito Emmanuel e espíritos diversos / [psicografado por] Chico Xavier.  São Bernardo do Campo, SP: GEEM, 2009, págs. 11-13.):
Senhor Jesus!
Ante a Era do Espírito, clareia-nos a razão, a fim de compreendermos a tua palavra em dimensões mais altas.
Agora que os homens erguem o facho da indagação, além dos conhecimentos habituais, concede-nos os meios precisos para caminhar com eles ao encontro da verdade em luz de amor que lhes honorificará o futuro, segundo os teus ensinos.
A inteligência terrestre fixa hoje elevadas perspectivas na conquista da Consciência Cósmica. 
A cultura científica abre novas áreas de trabalho e perquirição. 
A Psiquiatria, a Psicologia e a Análise examinam a vida extrassomática. 
A Física Nuclear apresenta recursos destinados à elucidação de muitas das ocorrências paranormais. 
A Fotografia requinta processos de observação e consegue deter imagens do corpo espiritual. 
O Motor encurta distâncias. 
A Eletrônica altera a experiência comunitária e aperfeiçoa o relacionamento entre os povos. 
A Astronáutica cria engenhos que controlam a gravidade e partem na direção de outros mundos.
Quando a era tecnológica exige consequentemente a Civilização do Espírito, ampara-nos o diálogo com os homens — nossos irmãos encarnados — de modo que nós todos, eles e nós, venhamos a responder construtivamente aos desafios dos tempos novos, sem que as pedras do exclusivismo, seja na Religião ou na Ciência, nos obstruam as sendas iluminadas à frente do progresso.
Livra-nos:
· da ignorância;
· do orgulho;
· do ilogismo;
· da divisão;
· do fanatismo;
· da vaidade;
· da intolerância;
· do ódio;
· do farisaísmo;
· da prepotência;   
e consente, Senhor, que possamos humanizar-te as lições na Doutrina Espírita, a fim de que a imortalidade seja reconhecida na Terra, estabelecendo o teu reino de paz e amor nos homens, com os homens, pelos homens e para os homens, agora, hoje e sempre.
Assim seja.

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