O mundo espiritual, de Kardec a Chico Xavier, antes e depois, é a morada
essencial do Espírito, criado à imagem e semelhança de Deus. Em todos os
planos, dimensões e faixas vibratórias da Terra e das muitas moradas do Pai há
vida pulsante. Há Espíritos e condições para o desenvolvimento pleno da Vida.
Os minerais, vegetais, animais e o ser humano estão presentes nos
múltiplos planos, estágios ou moradas de nosso planeta, em condições
correspondentes a cada nível de desenvolvimento espiritual, moral, ético.
O espírito imortal manifesta-se em todos os reinos da natureza, de
acordo com as características de cada um. “Dorme no mineral, sonha no vegetal,
sente no animal”, segundo Léon Denis. Quando adquire a razão, na roupagem do
ser humano, o Espírito inicia uma nova e longa jornada. Nessa caminhada, evolui
ou estaciona, ao longo dos muitos milênios, de acordo com o ritmo de cada um. Mas
todos, sem exceção, retornarão ao Pai. O chamado livre arbítrio é usado nessa
trajetória, na proporção do estágio evolutivo de cada espírito.
Machado, um poeta Catalão, diz que “no hay camino; el camino
se hace al andar”. O Espírito Ermance Dufaux traduz essa jornada individual em Escutando sentimentos (Ditado pelo
Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por] Wanderley Oliveira. Belo Horizonte:
Dufaux, 2006, p. 20):
Quando conseguirmos melhor desenvoltura para mapear
nossa vida moral com intenções nobres, renovaremos a conduta manifestando
serenidade e autocontrole. O caminho é universal. É o mesmo para todos: o bem e
o amor. A forma de caminhar, porém, é essencialmente individual, particular.
O mesmo diz André Luiz, em Obreiros
da vida eterna: “Cada espírito, herdeiro e filho do Pai Altíssimo, é um
mundo em si com as suas leis e características próprias” (Ditado pelo Espírito
André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação
Espírita Brasileira, 2003, p. 52).
O Espírito reencarna no plano físico e desencarna, voltando ao mundo
espiritual, sua verdadeira morada, em dimensão correspondente ao seu peso
específico, como diz André Luiz (Evolução em dois mundos. Ditado pelo
Espírito André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro:
Federação Espírita Brasileira: 2006, pp. 84 e 96). Esse processo
evolutivo, na aplicação da Lei de Deus, proporciona ao Espírito oportunidades
educacionais, na atual fase de nosso planeta, de regeneração e progresso,
podendo sair do cenário de provas e expiações.
O mundo espiritual oferece ao Espírito condições de aprendizagem para
que, no plano denso, possa experienciar, praticar o aprendizado. É aqui, no
mundo material, que ele vai reeducar os sentimentos e emoções, reordenando ou
redirecionando as energias do orgulho, do egoísmo, do apego, no exercício
permanente do amor.
Quando o Espírito permanece em seu mundo de ilusões na vida física, esquecendo-se
do aprendizado do mundo espiritual, realiza sucessivas e repetitivas
reencarnações, sem maiores proveitos para o seu aprimoramento íntimo. As lições
aprendidas e não vivenciadas, contudo, ficam guardadas em seus arquivos
mentais, aguardando o momento adequado para o desabrochar do ser para as
realidades da vida plena, integral, em harmonia com o Criador.
O Espírito Bezerra de Menezes (Seara
Bendita / Espíritos diversos / [psicografado por] Maria José C. Soares e
Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Inede, 2000, p. 41) diz que os primeiros
setenta anos do Espiritismo “constituíram o período da consagração das origens
e das bases que se assentam a Doutrina, que lhe conferem legitimidade”. Foi o
tempo de Kardec. O segundo período, de mais setenta anos, “foi o tempo da
proliferação” dessa mesma Doutrina. Foi o tempo de Chico Xavier. E o terceiro
portal, de mais setenta anos, consagrará “a maioridade das ideias espíritas”. É
o tempo do Espírito; é a chamada “Era do Espírito”, século 21. Pode-se afirmar
que os dois primeiros períodos foram de construção de um perfil filosófico-doutrinário
e o atual de foco nas relações humanas, no desenvolvimento do amor
incondicional. A meta primordial, no atual período, ainda segundo o nosso
amorável Bezerra de Menezes, “é aprendermos a amarmo-nos uns aos outros, para
que tudo o que for criado em nome da causa espírita reflita a essência do
Espiritismo em nossas movimentações. Nossa meta essencial é o amor, a atitude
que reflete Deus em nós”.
O Espírito Eurípedes Barsanulfo (Lírios
de esperança / ditado pelo Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por]
Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Dufaux, 2005, p. 36) diz que “a ciência e a
religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da forma do
pensamento espírita” na Era do Espírito:
A ciência e a religião, a arte e a filosofia serão
caminhos propulsores da força do pensamento espírita, sobrepujando o
materialismo que grassa. Nenhum deles, no entanto, servirá de via preferencial.
Por essa razão, urge desenvolver um novo significado para a comunidade adepta
da verdade consoladora face ao predominante caráter religiogista. Religião com
religiosidade. Religião com educação. Se a religião não educar, ficará retida
no dogmatismo. Se a ciência não educar, será sovinice. Se a filosofia não
educar, transformará em cátedra de vaidade. Se a arte não educar, constituirá
um palco para exibicionismo. O momento converge todas as conquistas humanas
para a espiritualização da criatura e pelo desenvolvimento de seus valores
nobres e divinos.
As informações sobre a vida no mundo astral, de Kardec aos dias atuais,
passando por Chico Xavier, servem para despertar-nos para a realidade da vida
do Espírito, em qualquer plano ou morada. Essas informações, por si só, não
conduzem à nossa reforma íntima.
Na Era do Espírito, todos temos que retomar a caminhada de volta ao Pai.
E esta é uma jornada individual, e há que ser promovida mediante aprendizado e
prática contínuos no bem e no amor, partindo do autoamor, em tempos de
regeneração e progresso. No mundo espiritual, em suas múltiplas dimensões, e no
mundo físico.
Emmanuel nos dá um alerta para a vivência na Era do Espírito (Pão Nosso / ditado pelo Espírito Emmanuel /
[psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira,
2010, p. 114):
Se não guardas o favor do alto, respeitando-o em ti
mesmo, se não usas os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria
felicidade, se não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a
dedicação dos mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de
amor e paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de sua
vontade, ao programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão
imprestáveis.
Ante a Era do Espírito,
Emmanuel roga a Jesus, em benefício de todos nós, encarnados e desencarnados,
que estamos nesses momentos de transição entre a era de provas e expiações para
uma era de regeneração e progresso (Na Era do Espírito / ditado
pelo Espírito Emmanuel e espíritos diversos / [psicografado por] Chico Xavier. São
Bernardo do Campo, SP: GEEM, 2009, págs. 11-13.):
Senhor Jesus!
Ante a Era do
Espírito, clareia-nos a razão, a fim de compreendermos a tua palavra em
dimensões mais altas.
Agora que os
homens erguem o facho da indagação, além dos conhecimentos habituais,
concede-nos os meios precisos para caminhar com eles ao encontro da verdade em
luz de amor que lhes honorificará o futuro, segundo os teus ensinos.
A
inteligência terrestre fixa hoje elevadas perspectivas na conquista da
Consciência Cósmica.
A cultura
científica abre novas áreas de trabalho e perquirição.
A
Psiquiatria, a Psicologia e a Análise examinam a vida extrassomática.
A Física
Nuclear apresenta recursos destinados à elucidação de muitas das ocorrências paranormais.
A Fotografia
requinta processos de observação e consegue deter imagens do corpo
espiritual.
O Motor encurta
distâncias.
A Eletrônica
altera a experiência comunitária e aperfeiçoa o relacionamento entre os
povos.
A
Astronáutica cria engenhos que controlam a gravidade e partem na direção de
outros mundos.
Quando a era
tecnológica exige consequentemente a Civilização do Espírito, ampara-nos o
diálogo com os homens — nossos irmãos encarnados — de modo que nós todos, eles
e nós, venhamos a responder construtivamente aos desafios dos tempos novos, sem
que as pedras do exclusivismo, seja na Religião ou na Ciência, nos obstruam as
sendas iluminadas à frente do progresso.
Livra-nos:
· da ignorância;
· do orgulho;
· do ilogismo;
· da divisão;
· do fanatismo;
· da vaidade;
· da intolerância;
· do ódio;
· do farisaísmo;
· da prepotência;
e consente,
Senhor, que possamos humanizar-te as lições na Doutrina Espírita, a fim de que
a imortalidade seja reconhecida na Terra, estabelecendo o teu reino de paz e
amor nos homens, com os homens, pelos homens e para os homens, agora, hoje e
sempre.
Assim seja.
(Crédito da
imagem: < http://m.sabedoriapolitica.com.br/products/a-era-do-espirito/>
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