sábado, 9 de junho de 2018

Greve dos caminhoneiros: um alerta oportuno

A greve dos caminhoneiros veio trazer luzes sobre temas extremamente importantes para o desenvolvimento sustentável do Brasil: matriz energética e malha ferroviária.
O petróleo e o carvão mineral são fontes não-renováveis altamente poluentes. Essas fontes representam mais da metade da matriz energética brasileira.
O Brasil tem fontes naturais de energia que não poluem e são acessíveis a todas as classes sociais e setores da economia: a energia solar e a eólica.
A energia eólica é a transformação da energia do vento em energia útil. A “presidenta” Dilma Rousseff afirmava que não podia investir na energia eólica porque ninguém tinha inventado um modo de “engarrafar o vento”. As pessoas de mínima inteligência sabem que, para gerar a energia eólica, não há necessidade de “engarrafar o vento”. E a tecnologia para a geração da energia eólica já existe e vem sendo aplicada na sua instalação nas regiões costeiras do Nordeste, pela livre iniciativa. Basta investir no desenvolvimento dessa tecnologia e na ampliação dessa matriz energética.
Energia solar é a captada da luz e do calor do Sol. É inesgotável do ponto de vista humano. O seu potencial é excepcional em comparação com todas as outras fontes de energia. É energia limpa e pura. A instalação de painéis solares em edificações gera energia barata, além de contribuir para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e a nossa dependência dos combustíveis fósseis, como o petróleo.
A energia hidráulica é obtida a partir da massa de água represada pelas usinas. É de custo elevado e promove danos ambientais irreparáveis.
A malha ferroviária brasileira possui, em 2018, 29 mil quilômetros de extensão.
Na Era Vargas (1939/1945), o governo federal optou, equivocadamente, pelo transporte rodoviário, deixando de lado uma rede ferroviária que exerceu papel imprescindível no desenvolvimento regional e nacional. Em 1948, havia apenas 35.623 km para o nosso Brasil continental. Em 1961, Jânio Quadros, em seu desastrado desgoverno, extinguiu milhares quilômetros de ramais ferroviários, incluindo a ferrovia que ligava o Rio de Janeiro a Itaocara, passando por Cantagalo, região rica em minério, agora, transportado em caminhões. A década de 50/60 marca o declínio do sistema ferroviário, com a criação de uma estatal, a Rede Ferroviária Federal S/A (Refesa), integrada por 22 ferrovias. Em 1960, tínhamos 38.339km de ferrovias, em 2018, temos 29.000km, dos quais 34% foram construídos por Dom Pedro II.
Segundo dados oficiais, o Brasil é o único país continental com uma rede ferroviária tão insignificante para o seu tamanho e importância econômica. A opção pelo transporte rodoviário, de cargas e de passageiros, consome elevados custos de manutenção e uso, além de contribuir para níveis significativos de poluição do meio ambiente.
Em 2018, as rodovias brasileiras são responsáveis por 61% do transporte de cargas, as ferrovias por 21%, as hidrovias por 13% e os 5% restantes por dutos e via aérea. Em países continentais como o Brasil – EUA, Rússia, China, Índia e a Comunidade Europeia – as ferrovias são o principal meio de transporte de pessoas e cargas. E com alto nível de segurança, qualidade e pontualidade.
A opção pelo transporte rodoviário gerou monstrengos: a Belém-Brasília ou Transbrasiliana (BR-153), com 4.355 km de extensão, meio século de construção, inacabada e com trechos sem asfalto, intransitáveis em épocas de chuva; a Transamazônica (BR-230), parte de João Pessoa (PB) até Cruzeiro do Sul (AC), com a previsão de chegar ao Oceano Atlântico, quando o governo do Peru concluir a construção de uma estrada até a divisa com o Acre; foi projetada para ter oito mil quilômetros, no governo do Presidente Garrastazu Médici (1969/1974), passados mais de quarenta anos, tem 4.965 km de extensão, com trechos em precárias condições de tráfego.
Enquanto isso, a estratégica ferrovia Norte-Sul continua inacabada, com a previsão de 4.155 km de extensão. Sua construção iniciada há mais de trinta anos foi projetada para ser a espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, com interligação às principais malhas ferroviárias das cinco regiões do país.

A greve dos caminhoneiros, justa, mas danosa às pessoas e à economia do País, tem a seu favor o fato de voltar a atenção dos possíveis candidatos à Presidência da República, em outubro vindouro, para temas que merecem planejamento a curto/médio/longo prazo: desenvolvimento da malha ferroviária e investimento na matriz energética pura – eólica e solar. O Poder Público está falido, em todos os sentidos. Assim, deve estimular e apoiar a livre iniciativa nessa área, com incentivos tributários e financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em vez do BNDES financiar empreiteiras para obras em Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, a juros e prazos baixíssimos, em relação aos praticados pelos bancos comerciais, deve priorizar obras para ampliação da malha ferroviária e da matriz energética limpa, pura e barata. •

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