A greve dos caminhoneiros
veio trazer luzes sobre temas extremamente importantes para o desenvolvimento
sustentável do Brasil: matriz energética e malha ferroviária.
O petróleo e o carvão
mineral são fontes não-renováveis altamente poluentes. Essas fontes representam
mais da metade da matriz energética brasileira.
O Brasil tem fontes
naturais de energia que não poluem e são acessíveis a todas as classes sociais
e setores da economia: a energia solar e a eólica.
A energia eólica é a
transformação da energia do vento em energia útil. A “presidenta” Dilma
Rousseff afirmava que não podia investir na energia eólica porque ninguém tinha
inventado um modo de “engarrafar o vento”. As pessoas de mínima inteligência
sabem que, para gerar a energia eólica, não há necessidade de “engarrafar o
vento”. E a tecnologia para a geração da energia eólica já existe e vem sendo
aplicada na sua instalação nas regiões costeiras do Nordeste, pela livre
iniciativa. Basta investir no desenvolvimento dessa tecnologia e na ampliação
dessa matriz energética.
Energia solar é a captada
da luz e do calor do Sol. É inesgotável do ponto de vista humano. O seu
potencial é excepcional em comparação com todas as outras fontes de energia. É
energia limpa e pura. A instalação de painéis solares em edificações gera
energia barata, além de contribuir para reduzir as emissões de gases do efeito
estufa e a nossa dependência dos combustíveis fósseis, como o petróleo.
A energia hidráulica é
obtida a partir da massa de água represada pelas usinas. É de custo elevado e
promove danos ambientais irreparáveis.
A malha ferroviária
brasileira possui, em 2018, 29 mil quilômetros de extensão.
Na Era Vargas (1939/1945),
o governo federal optou, equivocadamente, pelo transporte rodoviário, deixando
de lado uma rede ferroviária que exerceu papel imprescindível no
desenvolvimento regional e nacional. Em 1948, havia apenas 35.623 km para o
nosso Brasil continental. Em 1961, Jânio Quadros, em seu desastrado desgoverno,
extinguiu milhares quilômetros de ramais ferroviários, incluindo a ferrovia que
ligava o Rio de Janeiro a Itaocara, passando por Cantagalo, região rica em
minério, agora, transportado em caminhões. A década de 50/60 marca o declínio
do sistema ferroviário, com a criação de uma estatal, a Rede Ferroviária
Federal S/A (Refesa), integrada por 22 ferrovias. Em 1960, tínhamos 38.339km de
ferrovias, em 2018, temos 29.000km, dos quais 34% foram construídos por Dom
Pedro II.
Segundo dados oficiais, o
Brasil é o único país continental com uma rede ferroviária tão insignificante
para o seu tamanho e importância econômica. A opção pelo transporte rodoviário,
de cargas e de passageiros, consome elevados custos de manutenção e uso, além
de contribuir para níveis significativos de poluição do meio ambiente.
Em 2018, as rodovias
brasileiras são responsáveis por 61% do transporte de cargas, as ferrovias por
21%, as hidrovias por 13% e os 5% restantes por dutos e via aérea. Em países
continentais como o Brasil – EUA, Rússia, China, Índia e a Comunidade Europeia
– as ferrovias são o principal meio de transporte de pessoas e cargas. E com
alto nível de segurança, qualidade e pontualidade.
A opção pelo transporte
rodoviário gerou monstrengos: a Belém-Brasília ou Transbrasiliana (BR-153), com
4.355 km de extensão, meio século de construção, inacabada e com trechos sem
asfalto, intransitáveis em épocas de chuva; a Transamazônica (BR-230), parte de
João Pessoa (PB) até Cruzeiro do Sul (AC), com a previsão de chegar ao Oceano
Atlântico, quando o governo do Peru concluir a construção de uma estrada até a
divisa com o Acre; foi projetada para ter oito mil quilômetros, no governo do
Presidente Garrastazu Médici (1969/1974), passados mais de quarenta anos, tem
4.965 km de extensão, com trechos em precárias condições de tráfego.
Enquanto isso, a
estratégica ferrovia Norte-Sul continua inacabada, com a previsão de 4.155 km
de extensão. Sua construção iniciada há mais de trinta anos foi projetada para
ser a espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, com interligação às
principais malhas ferroviárias das cinco regiões do país.
A greve dos caminhoneiros,
justa, mas danosa às pessoas e à economia do País, tem a seu favor o fato de
voltar a atenção dos possíveis candidatos à Presidência da República, em
outubro vindouro, para temas que merecem planejamento a curto/médio/longo
prazo: desenvolvimento da malha ferroviária e investimento na matriz energética
pura – eólica e solar. O Poder Público está falido, em todos os sentidos.
Assim, deve estimular e apoiar a livre iniciativa nessa área, com incentivos
tributários e financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES). Em vez do BNDES financiar empreiteiras para obras em Cuba,
Venezuela, Equador, Bolívia, a juros e prazos baixíssimos, em relação aos
praticados pelos bancos comerciais, deve priorizar obras para ampliação da
malha ferroviária e da matriz energética limpa, pura e barata. •
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