domingo, 17 de junho de 2018

A parábola da ostra e da pérola


Airton Santos nos conta a parábola da ostra e da pérola (disponível em: <https://www.pensador.com/a_ostra_e_a_perola/>):
A Ostra dialogava com a Perola.
A Ostra: Por que precisa aparecer? Está bem aqui dentro, segura e abrigada. Você se lembra que já sofreu por se expor, por isto faço força para não me abrir, é uma maneira de te proteger das incertezas ou dúvidas que venham a te destruir. 
A Perola: Só tenho a agradecer pelo cuidado, eu sei que é muito importante ter ficado um tempo aqui, para amadurecimento e crescimento, concordo que tens razão sobre o que me falou sobre o “certo e duvidoso”, mas sei que ficando aqui, jamais serei admirada por ninguém.
A Ostra é o medo, o casulo, o comodismo e segurança. A Perola é o sentimento de liberdade e do novo que existe dentro de nós, que precisa sair para ser notado, por que é essencial para a vida, é belo.
Quem não se lembra de um dito popular antigo – “Quem não arrisca não petisca”? Ou “errar é humano, persistir no erro é burrice”?
Essas expressões populares traduzem a moral da parábola da ostra e da pérola.
No lar, a superproteção dos pais com os filhos, que gera o medo e o comodismo, mas, também a insegurança e não a segurança que pensam dar aos seus filhos. A liberdade, com limites de acordo com a idade dos rebentos, desperta no ser humano as suas potencialidades internas, inatas.
Na educação, os professores “professoram”, ditam aulas, querem a decoreba, o xis no quadradinho, mais fácil e rápido para corrigir e avaliar para dar a nota ou conceito. Não desejam a liberdade do educando, para ler, refletir, dialogar, pesquisar, produzir textos e ser avaliado pela informação que transformou em conhecimento e não pela memória de guardar coisas, a maioria delas inúteis para vida ou disponíveis em saites da internet. Ou em periódicos digitais, em tempo real.
Johann Heinrich Pestalozzi (1746/1827), educador suíço, pioneiro da reforma educacional em seu país, com reflexos altamente positivos na Alemanha, já enunciava, no século 18, que as escolas deveriam ser verdadeiros centros de educação, “nos quais as forças morais, intelectuais e físicas, que Deus colocou em nossa natureza, possam ser despertadas e desenvolvidas, de forma que o educando possa ser capacitado para viver uma vida digna, contente em si mesmo e para contentar os outros”. Desenvolver o “sentimento de liberdade e do novo que existe dentro de nós, que precisa sair para ser notado, por que é essencial para a vida, é belo”. Despertar as potencialidades inatas.
Arriscar para petiscar. Esse é o desafio para a geração digital, marca do século 21. Errar pode ser sinônimo de aprendizagem, como pode ser de medo. Tudo depende das potencialidades inatas e da educação no lar e na escola. Ou na vida, quando as duas primeiras não funcionarem corretamente.
As nossas escolhas no presente geram consequências no futuro, próximo ou distante. Escolha sempre arriscar, de forma consciente e consequente. Errar por errar é burrice. Errar com planejamento, estratégia, objetivos e metas claramente definidos, com análise de todos os riscos e ter um “Plano B”, deve fazer parte da vida pessoal e profissional da geração digital, longe da minha geração, nascida antes da segunda guerra mundial, sem os recursos das tecnologias digitais da informação e da comunicação. Se o lar e a escola na educaram, eduque-se. É a vida em ação. Não olhe para trás, não viva com os olhos no retrovisor. Pense, reflita, planeje e vá em frente. O Universo vai entender e trabalhar a seu favor. Sempre.·

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