sábado, 28 de março de 2020

A Caminho da Luz: o Brasil e as américas



Há 82 anos, em 21 de setembro de 1938, Chico Xavier concluía a psicografia das mensagens do Espírito Emmanuel, reunidas no livro A Caminho da Luz – História da Civilização à Luz do Espiritismo, cuja primeira edição é de 1939, publicada pela Federação Espírita Brasileira. Às páginas 208 a 210, Emmanuel faz uma previsão para as Américas, o Novo Mundo, a seguir transcrita na íntegra:
Embora compelida a participar das lutas próximas, pelo determinismo das circunstâncias de sua vida política, a América está destinada a receber o cetro da civilização e da cultura, na orientação dos povos porvindouros. Em torno dos seus celeiros econômicos, reunir-se-ão as experiências europeias, aproveitando o esforço penoso dos que tombaram na obra da civilização do Ocidente para a edificação do homem espiritual, que há de sobrepor-se ao homem físico do planeta, no pleno conhecimento dos grandes problemas do ser e do destino. Para esse desiderato grandioso, apresta-se o plano espiritual, no afã de elucidação dos nobres deveres continentais. O esforço sincero de cooperação no trabalho e de construção da paz não é aí uma utopia, como na Europa saturada de preconceitos multisseculares. Nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro.
Há no mundo um movimento inédito de armamentos e munições. Teria começado neste momento? Não. A corrida armamentista do século XX começou antes da luta de Porto Artur, em 1904. As indústrias bélicas atingem culminâncias imprevistas. Os campos estão despovoados. Os homens se recolheram às zonas de concentração militar, esperando o inimigo, sem saber que o adversário está em seu próprio espírito. A Europa e o Oriente constituem um campo vasto de agressão e terrorismo, com exceção das Repúblicas Democráticas, que se veem obrigadas a grandes programas de rearmamento, em face do Moloque do extremismo. Onde os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil do homem ignorante do seu glorioso destino, barco que ameaça voltar às correntes da força e da violência, longe das plagas iluminadas da Razão, da Cultura e do Direito. Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais, e agora que o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a caminho de uma nova era. Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar, da qual é Jesus um dos membros divinos. Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela terceira vez, na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo. Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe. Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor e a sua misericórdia.
Um ano antes, em 1938, a Federação Espírita Brasileira publicava outro livro psicografado por Chico Xavier – Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho –, de autoria do Espírito Humberto de Campos, então sob o pseudônimo Irmão X. Segundo Emmanuel, no Prefácio do livro, Humberto de Campos pretende esclarecer as origens remotas da formação da Pátria do Evangelho, “recolhidas nas tradições do mundo espiritual, onde falanges desveladas e amigas se reúnem constantemente para os grandes desafios em prol da Humanidade sofredora”.
Emmanuel conclui o seu prefácio rogando a Jesus que “inspire os homens públicos, atualmente no leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres”.
O gaúcho Getúlio Vargas governava o Brasil desde 1930. Foi deposto em 1945, após o fim da segunda guerra mundial. Getúlio legou ao Brasil, em alguns aspectos, leis sociais relevantes, ao lado da industrialização. Mas os crimes cometidos em seu governo, empanaram o brilho dos aspectos positivos, durante os quinze anos da ditadura, carimbada como Estado Novo.
O destino do Brasil, delineado em Brasil, coração do mundo e pátria do Evangelho, será objeto de comentários no próximo blog.¨

sábado, 21 de março de 2020

COVID-19: um convite ao amor, à paz, à união e à caridade



A crise mundial, provocada pela pandemia do coronavírus, oferece-nos a oportunidade de desenvolvermos sentimentos de Amor, união, paz e caridade.
Mas a crise pode ser também oportunidades de dissensões, rupturas, exploração econômica, desamor, guerras, ambição.
As crises que atingem casais, provocadas por problemas financeiros, traições, egoísmo, ciúmes geralmente conduzem ao ódio, à separação. O orgulho é um sentimento destruidor que aparece nesses momentos e assume o controle das pessoas envolvidas. Por outro lado, essas crises são oportunidades de desenvolvermos a empatia, a compreensão, a tolerância. O sentimento que prevalece é o Amor, mola mestra da paz, união, entendimento.
A pandemia COVID-19 gera crises na sociedade, como um todo, incluindo legisladores, executivos, magistrados. Esses momentos sombrios que vivemos, podem desenvolver dois sentimentos: Amor ou orgulho. E o que estamos presenciando é a prevalência do orgulho, a desgraça da humanidade. Gestores governamentais, por motivos mesquinhos, políticos, ideológicos, estão em crises e, com apoio da mídia tradicional, escolheram a oportunidade de dissensões, guerras midiáticas. É o orgulho: eu estou com a razão, eu sou melhor, eu sou o escolhido para atuar neste momento. É um “eu sou” em minúscula, miserável, mesquinho, destruidor.
O orgulho, que domina na política brasileira, é fruto do orgulho das pessoas, eleitores, líderes em todas as áreas socioeconômicas, incluindo organizações que se classificam como religiões, mas não cultivam a religiosidade, o Deus, nosso Pai, em nós.
Orgulho e egoísmo nos aproximam da natureza animal inferior. O orgulho, às vezes, é irmão da razão. Orgulho e ambição caminham juntos. O orgulho é uma chaga da humanidade.
Léon Denis, no livro Depois da morte (pág. 262), afirma que “de todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem o germe de quase todos os vícios. É uma hidra monstruosa, sempre a procriar e cuja prole é bastante numerosa”.
Mas existe a oportunidade do Amor, sentimento que constrói para a eternidade, a ser desenvolvido no dia a dia de nossa existência. O Amor é latente em todos seres, mas exige aprendizagem, ao longo de nossa vida eterna.
Na crise pandêmica que estamos passando, que não tem prazo fixo para terminar, o Amor pode ser desenvolvido pelo respeito ao isolamento das pessoas, fator indispensável para controlar o COVID-19, e às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Aos empresários, o alerta é de caridade, não obedecendo aos critérios de “demanda e oferta” para fixar o preço de seus produtos, mas o respeito pelo ser humano comum, que não detém poderes e nem recursos financeiros infindáveis para comprar medicamentos, produtos de limpeza, como o álcool gel, a preços abusivos. Caridade!
É o momento de refletirmos sobre uma mensagem secular, transmitida à humanidade por um de seus maiores líderes e pensadores – Paulo de Tarso:
O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Que assim seja!
(Crédito da imagem: Foto ilustrativa: kieferpix by Getty Images.


domingo, 8 de março de 2020

Nova Era – A Era do Espírito


O mundo espiritual, de Kardec a Chico Xavier, antes e depois, é a morada essencial do Espírito, criado à imagem e semelhança de Deus. Em todos os planos, dimensões e faixas vibratórias da Terra e das muitas moradas do Pai há vida pulsante. Há Espíritos e condições para o desenvolvimento pleno da Vida.
Os minerais, vegetais, animais e o ser humano estão presentes nos múltiplos planos, estágios ou moradas de nosso planeta, em condições correspondentes a cada nível de desenvolvimento espiritual, moral, ético.
O espírito imortal manifesta-se em todos os reinos da natureza, de acordo com as características de cada um. “Dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal”, segundo Léon Denis. Quando adquire a razão, na roupagem do ser humano, o Espírito inicia uma nova e longa jornada. Nessa caminhada, evolui ou estaciona, ao longo dos muitos milênios, de acordo com o ritmo de cada um. Mas todos, sem exceção, retornarão ao Pai. O chamado livre arbítrio é usado nessa trajetória, na proporção do estágio evolutivo de cada espírito.
Machado, um poeta Catalão, diz que “no hay camino; el camino se hace al andar”. O Espírito Ermance Dufaux traduz essa jornada individual em Escutando sentimentos (Ditado pelo Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por] Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Dufaux, 2006, p. 20):
Quando conseguirmos melhor desenvoltura para mapear nossa vida moral com intenções nobres, renovaremos a conduta manifestando serenidade e autocontrole. O caminho é universal. É o mesmo para todos: o bem e o amor. A forma de caminhar, porém, é essencialmente individual, particular.
O mesmo diz André Luiz, em Obreiros da vida eterna: “Cada espírito, herdeiro e filho do Pai Altíssimo, é um mundo em si com as suas leis e características próprias” (Ditado pelo Espírito André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2003, p. 52).
O Espírito reencarna no plano físico e desencarna, voltando ao mundo espiritual, sua verdadeira morada, em dimensão correspondente ao seu peso específico, como diz André Luiz (Evolução em dois mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz / [psicografado por] Chico Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira: 2006, pp. 84 e 96). Esse processo evolutivo, na aplicação da Lei de Deus, proporciona ao Espírito oportunidades educacionais, na atual fase de nosso planeta, de regeneração e progresso, podendo sair do cenário de provas e expiações.
O mundo espiritual oferece ao Espírito condições de aprendizagem para que, no plano denso, possa experienciar, praticar o aprendizado. É aqui, no mundo material, que ele vai reeducar os sentimentos e emoções, reordenando ou redirecionando as energias do orgulho, do egoísmo, do apego, no exercício permanente do amor.
Quando o Espírito permanece em seu mundo de ilusões na vida física, esquecendo-se do aprendizado do mundo espiritual, realiza sucessivas e repetitivas reencarnações, sem maiores proveitos para o seu aprimoramento íntimo. As lições aprendidas e não vivenciadas, contudo, ficam guardadas em seus arquivos mentais, aguardando o momento adequado para o desabrochar do ser para as realidades da vida plena, integral, em harmonia com o Criador.
O Espírito Bezerra de Menezes (Seara Bendita / Espíritos diversos / [psicografado por] Maria José C. Soares e Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Inede, 2000, p. 41) diz que os primeiros setenta anos do Espiritismo “constituíram o período da consagração das origens e das bases que se assentam a Doutrina, que lhe conferem legitimidade”. Foi o tempo de Kardec. O segundo período, de mais setenta anos, “foi o tempo da proliferação” dessa mesma Doutrina. Foi o tempo de Chico Xavier. E o terceiro portal, de mais setenta anos, consagrará “a maioridade das ideias espíritas”. É o tempo do Espírito; é a chamada “Era do Espírito”, século 21. Pode-se afirmar que os dois primeiros períodos foram de construção de um perfil filosófico-doutrinário e o atual de foco nas relações humanas, no desenvolvimento do amor incondicional. A meta primordial, no atual período, ainda segundo o nosso amorável Bezerra de Menezes, “é aprendermos a amarmo-nos uns aos outros, para que tudo o que for criado em nome da causa espírita reflita a essência do Espiritismo em nossas movimentações. Nossa meta essencial é o amor, a atitude que reflete Deus em nós”.
O Espírito Eurípedes Barsanulfo (Lírios de esperança / ditado pelo Espírito Ermance Dufaux / [psicografado por] Wanderley Oliveira. Belo Horizonte: Dufaux, 2005, p. 36) diz que “a ciência e a religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da forma do pensamento espírita” na Era do Espírito:
A ciência e a religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da força do pensamento espírita, sobrepujando o materialismo que grassa. Nenhum deles, no entanto, servirá de via preferencial. Por essa razão, urge desenvolver um novo significado para a comunidade adepta da verdade consoladora face ao predominante caráter religiogista. Religião com religiosidade. Religião com educação. Se a religião não educar, ficará retida no dogmatismo. Se a ciência não educar, será sovinice. Se a filosofia não educar, transformará em cátedra de vaidade. Se a arte não educar, constituirá um palco para exibicionismo. O momento converge todas as conquistas humanas para a espiritualização da criatura e pelo desenvolvimento de seus valores nobres e divinos.
As informações sobre a vida no mundo astral, de Kardec aos dias atuais, passando por Chico Xavier, servem para despertar-nos para a realidade da vida do Espírito, em qualquer plano ou morada. Essas informações, por si só, não conduzem à nossa reforma íntima.
Na Era do Espírito, todos temos que retomar a caminhada de volta ao Pai. E esta é uma jornada individual, e há que ser promovida mediante aprendizado e prática contínuos no bem e no amor, partindo do autoamor, em tempos de regeneração e progresso. No mundo espiritual, em suas múltiplas dimensões, e no mundo físico.
Se não guardas o favor do alto, respeitando-o em ti mesmo, se não usas os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria felicidade, se não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a dedicação dos mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de amor e paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de sua vontade, ao programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão imprestáveis.
Ante a Era do Espírito, Emmanuel roga a Jesus, em benefício de todos nós, encarnados e desencarnados, que estamos nesses momentos de transição entre a era de provas e expiações para uma era de regeneração e progresso (Na Era do Espírito / ditado pelo Espírito Emmanuel e espíritos diversos / [psicografado por] Chico Xavier.  São Bernardo do Campo, SP: GEEM, 2009, págs. 11-13.):
Senhor Jesus!
Ante a Era do Espírito, clareia-nos a razão, a fim de compreendermos a tua palavra em dimensões mais altas.
Agora que os homens erguem o facho da indagação, além dos conhecimentos habituais, concede-nos os meios precisos para caminhar com eles ao encontro da verdade em luz de amor que lhes honorificará o futuro, segundo os teus ensinos.
A inteligência terrestre fixa hoje elevadas perspectivas na conquista da Consciência Cósmica. 
A cultura científica abre novas áreas de trabalho e perquirição. 
A Psiquiatria, a Psicologia e a Análise examinam a vida extrassomática. 
A Física Nuclear apresenta recursos destinados à elucidação de muitas das ocorrências paranormais. 
A Fotografia requinta processos de observação e consegue deter imagens do corpo espiritual. 
O Motor encurta distâncias. 
A Eletrônica altera a experiência comunitária e aperfeiçoa o relacionamento entre os povos. 
A Astronáutica cria engenhos que controlam a gravidade e partem na direção de outros mundos.
Quando a era tecnológica exige consequentemente a Civilização do Espírito, ampara-nos o diálogo com os homens — nossos irmãos encarnados — de modo que nós todos, eles e nós, venhamos a responder construtivamente aos desafios dos tempos novos, sem que as pedras do exclusivismo, seja na Religião ou na Ciência, nos obstruam as sendas iluminadas à frente do progresso.
Livra-nos:
· da ignorância;
· do orgulho;
· do ilogismo;
· da divisão;
· do fanatismo;
· da vaidade;
· da intolerância;
· do ódio;
· do farisaísmo;
· da prepotência;   
e consente, Senhor, que possamos humanizar-te as lições na Doutrina Espírita, a fim de que a imortalidade seja reconhecida na Terra, estabelecendo o teu reino de paz e amor nos homens, com os homens, pelos homens e para os homens, agora, hoje e sempre.
Assim seja.