Há
82 anos, em 21 de setembro de 1938, Chico Xavier concluía a psicografia das
mensagens do Espírito Emmanuel, reunidas no livro A Caminho da Luz –
História da Civilização à Luz do Espiritismo, cuja primeira edição é de 1939,
publicada pela Federação Espírita Brasileira. Às páginas 208 a 210, Emmanuel
faz uma previsão para as Américas, o Novo Mundo, a seguir transcrita na
íntegra:
Embora compelida
a participar das lutas próximas, pelo determinismo das circunstâncias de sua
vida política, a América está destinada a receber o cetro da civilização e da
cultura, na orientação dos povos porvindouros. Em torno dos seus celeiros
econômicos, reunir-se-ão as experiências europeias, aproveitando o esforço
penoso dos que tombaram na obra da civilização do Ocidente para a edificação do
homem espiritual, que há de sobrepor-se ao homem físico do planeta, no pleno
conhecimento dos grandes problemas do ser e do destino. Para esse desiderato
grandioso, apresta-se o plano espiritual, no afã de elucidação dos nobres
deveres continentais. O esforço sincero de cooperação no trabalho e de
construção da paz não é aí uma utopia, como na Europa saturada de preconceitos
multisseculares. Nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas
as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro.
Há no mundo um
movimento inédito de armamentos e munições. Teria começado neste momento? Não.
A corrida armamentista do século XX começou antes da luta de Porto Artur, em
1904. As indústrias bélicas atingem culminâncias imprevistas. Os campos estão
despovoados. Os homens se recolheram às zonas de concentração militar,
esperando o inimigo, sem saber que o adversário está em seu próprio espírito. A
Europa e o Oriente constituem um campo vasto de agressão e terrorismo, com
exceção das Repúblicas Democráticas, que se veem obrigadas a grandes programas
de rearmamento, em face do Moloque do extremismo. Onde os valores morais da
Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e
política. Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas,
executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil do
homem ignorante do seu glorioso destino, barco que ameaça voltar às correntes
da força e da violência, longe das plagas iluminadas da Razão, da Cultura e do
Direito. Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas
próprias forças, mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres.
Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais, e agora que o
mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas, os espaços mais próximos
da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz, a
caminho de uma nova era. Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma
nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar, da qual é
Jesus um dos membros divinos. Reunir-se-á, de novo, a sociedade celeste, pela
terceira vez, na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada
missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade, decidindo novamente sobre os
destinos do nosso mundo. Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito?
Deus o sabe. Nas grandes transições do século que passa, aguardemos o seu amor
e a sua misericórdia.
Um ano antes, em
1938, a Federação Espírita Brasileira publicava outro livro psicografado por
Chico Xavier – Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho –, de
autoria do Espírito Humberto de Campos, então sob o pseudônimo Irmão X. Segundo
Emmanuel, no Prefácio do livro, Humberto de Campos pretende esclarecer as
origens remotas da formação da Pátria do Evangelho, “recolhidas nas tradições
do mundo espiritual, onde falanges desveladas e amigas se reúnem constantemente
para os grandes desafios em prol da Humanidade sofredora”.
Emmanuel conclui
o seu prefácio rogando a Jesus que “inspire os homens públicos, atualmente no
leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a
inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam
eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres”.
O
gaúcho Getúlio Vargas governava o Brasil desde 1930. Foi deposto em 1945, após
o fim da segunda guerra mundial. Getúlio legou ao Brasil, em alguns aspectos,
leis sociais relevantes, ao lado da industrialização. Mas os crimes cometidos em
seu governo, empanaram o brilho dos aspectos positivos, durante os quinze anos
da ditadura, carimbada como Estado Novo.
O
destino do Brasil, delineado em Brasil, coração do mundo e pátria do
Evangelho, será objeto de comentários no próximo blog.¨


