Encerrei a postagem anterior sobre almas gêmeas com uma frase do
posicionamento dos dirigentes da FEB sobre esse tema: “A tese, todavia, é mais
complexa do que parece ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação às
tendências do século...”.
Emmanuel, em resposta,
reconhece que houve “pequeno equívoco”, que atribuiu à “filtragem mediúnica”, somente
na resposta à Questão 378, que não trata de almas gêmeas, mas solicita a
conservação, nas questões 323, 324, 325 e 326, da sua “humilde exposição relativa
à tese das almas gêmeas, [...] mais complexa do que parece ao primeiro exame, e
sugere mais vasta meditação às tendências do século, [...] mesmo porque, com a
expressão ‘almas gêmeas’, não desejamos dizer “metades eternas [...]”.
As respostas e a
explicação de Emmanuel, em O Consolador, e a nota de Kardec, em O Livro dos Espíritos, deixam claro que:
a)
o Espírito não é criado uno e, em seguida, dividido em duas
metades, feminina e masculina, para se juntarem novamente na eternidade, ao fim
do processo reencarnatório; mas,
b)
os espíritos são criados uns para os outros, pois “no sagrado
mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua,
companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade”.
O Consolador aprofunda,
em 1940, essas e outras questões abordadas na Codificação, em 1857, esclarecendo,
atualizando e complementando a obra Kardequiana, sob a responsabilidade do
mesmo Espírito, em duas encarnações: Allan Kardec (1804-1869) e Chico Xavier
(1910-2002)[1].
Nessa
questão das almas gêmeas, podemos verificar o real significado da tarefa de
Chico Xavier e de Emmanuel. Quando ambos sentiram que haveria necessidade de
aprofundar os esclarecimentos a respeito do tema, ainda obscuro em O Livro dos Espíritos, não titubearam em
contrariar os dirigentes da FEB.
Em Nosso Lar[2],
ditado pelo Espírito André Luiz a Chico Xavier, encontramos referências às
almas gêmeas e almas irmãs ou afins. À página 122, dona Laura, mãe de Lísias,
informa:
Na fase evolutiva do
planeta, existem na esfera carnal raríssimas uniões de almas gêmeas, reduzidos
matrimônios de almas irmãs ou afins, e esmagadora porcentagem de ligações de
resgate. O maior número de casais humanos é constituído de verdadeiros
forçados, sob algemas.
Judite, uma das filhas de dona Laura, em momento anterior,
esclarece a André Luiz[3]:
Aprendemos em Nosso Lar que
a vida terrestre se equilibra no amor, sem que a maior parte dos homens se
aperceba. Almas gêmeas, almas irmãs, almas afins, constituem pares e grupos
numerosos. Unindo-se umas às outras, amparando-se mutuamente, conseguem
equilíbrio no plano de redenção. Quando, porém, faltam companheiros, a criatura
menos forte costuma sucumbir em meio da jornada.
Encontramos farto material
sobre almas gêmeas na
série Romances de Emmanuel, editada
pela Federação Espírita Brasileira, integrada pelos livros Paulo e Estêvão, Há dois mil
anos, Cinquenta anos depois, Ave Cristo! e Renúncia, o tema alma gêmea é frequente entre os múltiplos
personagens dessa coletânea, psicografada por Chico Xavier. Alguns desses
personagens são reencarnações de Emmanuel, como o senador Públio Lentulus
Cornelius, em Há dois mil anos, e o
escravo Nestório, em Cinquenta anos
depois. Em Há dois mil anos, Emmanuel reencontra sua alma gêmea, Lívia,
em uma relação plena de amor, orgulho e conflitos. Separados pelo orgulho do senador,
reencontram-se no Mundo Espiritual.
O que se observa
em nosso mundo real é o sonho de que a alma gêmea surge em sua vida do nada e,
em seguida, haverá uma união eterna. Aí está o erro de interpretação, após a
leitura dos romances de Emmanuel. A alma gêmea é uma construção complexa, ao
longo dos milênios. Os dois Espíritos nem sempre reencarnam juntos, podem
reencarnar, em diversas oportunidades, como amigos(as), pai, mãe, irmão(ã),
colegas de trabalho, namorados, casados. Essas oportunidades são infinitas e as
afinidades vão sendo construídas. É um longo processo de aprendizagem no saber
conviver com o(a) outro(a), aceitar as diferenças e os diferentes. A
reencarnação é um processo educacional, nele estando incluído os resgates
cármicos. E é por meio desse processo que se constrói a ligação entre dois
espíritos singulares, no retorno ao Pai.▲
(Crédito da
imagem: <https://www.imagick.com.br/?p=15710>
[1] FRAUCHES, Celso da Costa. O Mundo Espiritual, Kardec e Chico Xavier. Brasília: Andragogia,
2011, p. 207-214.
[2] ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar
/ [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro: Federação
Espírita Brasileira, 2003, p. 122.
[3] Idem, p. 110.

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