Novos caminhos: el
caminho se hace al andar
O
poeta sevilhano António Machado (1875/1939) legou à humanidade alguns versos que podem
mudar vidas, resgatar sonhos, abrir novos caminhos para os seres humanos, com
infindáveis perfis:
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
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Caminhante,
são teus rastos
o caminho,
e nada mais;
caminhante,
não há caminho,
faz-se
caminho ao andar.
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O caminho se faz ao andar, de acordo com o nosso grau de livre arbítrio,
uma característica da espécie humana.
Em
O Livro dos Espíritos (Allan Kardec; tradução de Guillon Ribeiro. Rio de
Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005), na Questão 122, os Espíritos
esclarecem que “o livre-arbítrio se desenvolve à
medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo”. Referem-se “aos
Espíritos que hão chegado ao ponto de terem consciência de si mesmos e do seu
livre-arbítrio” (Questão 564).
Na Questão 621, Kardec pergunta aos Espíritos: “Onde
está escrita a
lei de Deus?”. A resposta é direta, clara, concisa: “Na consciência”. Livre-arbítrio
e consciência estão ligados intimamente.
O livre-arbítrio está conectado ao peso
específico do corpo astral ou perispírito. Pietro Ubaldi, em A Grande
Síntese (Campos dos Goytacazes, RJ: Pietro Ubaldi Editora, 2010, p. 328),
afirma que o corpo perispiritual ocupa a dimensão de acordo com o seu peso
específico. Este, na física, correspondente à divisão do peso de um corpo pelo
seu volume, que é expresso em newtons por metro cúbico. A relação entre o peso de
um corpo e seu volume é importante para determinar quão leves ou pesados são os
diferentes materiais ou corpos. O livre-arbítrio guarda estreita ligação do
Espírito com o peso específico do seu corpo astral. À medida que o peso
específico vai sendo reduzido, o livre-arbítrio vai aumentado.
Ao abrir o seu
caminho, a sua estrada, os Espíritos advertem, na Questão 259: “Se tomares uma
estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente,
porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em que ponto
cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente”.
Segundo o Espírito Hammed, no livro As
dores da alma (Catanduva, SP: Boa Nova, 1998, p. 103) a “sensatez,
prudência, desempenho e erudição são patrimônios intransferíveis da alma
humana, alicerçados na intimidade do próprio ser”. A prudência é um patrimônio
da alma. É natural. Ao fazer o seu caminho ao andar, o ser humano deve refletir
e fazer valer a prudência, latente em sua consciência, e andar cautelosamente.
Se estamos exaustos pelos descaminhos
por que optamos no passado, podemos abrir um novo caminho al andar. É
essencial, ao tomarmos essa decisão, escutarmos o nosso Espírito, conectados à
sua sabedoria interior, e nos desligarmos “dos padrões, normas, ambientes,
pessoas e filosofias contrárias à nossa felicidade e inadequadas ao caminho
particular de aprimoramento”, segundo os ensinos ditados pelo Espírito Ermance
Dufaux, na psicografia de Wanderley Oliveira (Escutando sentimentos e
emoções. Belo Horizonte: Dufaux, 2006, p. 43).
Antes de abrirmos el camino al
andar, devemos refletir sobre nossas ações passadas, à luz da razão, sobre
o caminho a ser aberto e acessar a nossa consciência – que tem gravada a Lei de
Deus –, sempre aberta a uma sinalização precisa do modo de caminhar nessa
particular estrada.
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