sábado, 30 de novembro de 2019

Novos caminhos: el caminho se hace al andar



Novos caminhos: el caminho se hace al andar
O poeta sevilhano António Machado (1875/1939) legou à humanidade alguns versos que podem mudar vidas, resgatar sonhos, abrir novos caminhos para os seres humanos, com infindáveis perfis:
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
O caminho se faz ao andar, de acordo com o nosso grau de livre arbítrio, uma característica da espécie humana.
Em O Livro dos Espíritos (Allan Kardec; tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005), na Questão 122, os Espíritos esclarecem que “o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espí­rito adquire a consciência de si mesmo”. Referem-se “aos Espíritos que hão chegado ao ponto de terem consciência de si mes­mos e do seu livre-arbítrio” (Questão 564).
Na Questão 621, Kardec pergunta aos Espíritos: “Onde está escrita a lei de Deus?”. A resposta é direta, clara, concisa: “Na consciência”. Livre-arbítrio e consciência estão ligados intimamente.
O livre-arbítrio está conectado ao peso específico do corpo astral ou perispírito. Pietro Ubaldi, em A Grande Síntese (Campos dos Goytacazes, RJ: Pietro Ubaldi Editora, 2010, p. 328), afirma que o corpo perispiritual ocupa a dimensão de acordo com o seu peso específico. Este, na física, correspondente à divisão do peso de um corpo pelo seu volume, que é expresso em newtons por metro cúbico. A relação entre o peso de um corpo e seu volume é importante para determinar quão leves ou pesados são os diferentes materiais ou corpos. O livre-arbítrio guarda estreita ligação do Espírito com o peso específico do seu corpo astral. À medida que o peso específico vai sendo reduzido, o livre-arbítrio vai aumentado.
Ao abrir o seu caminho, a sua estrada, os Espíritos advertem, na Questão 259: “Se tomares uma estrada cheia de sul­cos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contu­do, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente”.
Segundo o Espírito Hammed, no livro As dores da alma (Catanduva, SP: Boa Nova, 1998, p. 103) a “sensatez, prudência, desempenho e erudição são patrimônios intransferíveis da alma humana, alicerçados na intimidade do próprio ser”. A prudência é um patrimônio da alma. É natural. Ao fazer o seu caminho ao andar, o ser humano deve refletir e fazer valer a prudência, latente em sua consciência, e andar cautelosamente.
Se estamos exaustos pelos descaminhos por que optamos no passado, podemos abrir um novo caminho al andar. É essencial, ao tomarmos essa decisão, escutarmos o nosso Espírito, conectados à sua sabedoria interior, e nos desligarmos “dos padrões, normas, ambientes, pessoas e filosofias contrárias à nossa felicidade e inadequadas ao caminho particular de aprimoramento”, segundo os ensinos ditados pelo Espírito Ermance Dufaux, na psicografia de Wanderley Oliveira (Escutando sentimentos e emoções. Belo Horizonte: Dufaux, 2006, p. 43).
Antes de abrirmos el camino al andar, devemos refletir sobre nossas ações passadas, à luz da razão, sobre o caminho a ser aberto e acessar a nossa consciência – que tem gravada a Lei de Deus –, sempre aberta a uma sinalização precisa do modo de caminhar nessa particular estrada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário