domingo, 30 de junho de 2019

Jota: um Anjo encarnado


 (Crédito da imagem: <https://twitter.com/blancaluza>)

Jota era o apelido de minha babá, quando residia na Fazenda Serra, no distrito cantagalense de São Sebastião do Paraíba. Era filha da Alzira, empregada lá de casa e benzedeira das melhores. Durante os onze anos em que residi na Fazenda, somente precisei de médico uma única vez, quando “peguei” uma pneumonia, em tempos sem antibióticos. A Alzira cuidou de mim nas gripes e alguns achaques da infância, e livrou-me do “mau olhado”, “olho grande”, “espinhela caída” e tudo mais...
Mas a Jota cuidava do garoto Celso. Até hoje não sei o verdadeiro nome da Jota. Um “pecado” imperdoável. Não era uma simples letra do alfabeto. Era – e continua a ser, onde quer que se encontre – um anjo encarnado. Não me lembro das travessuras que fazia, mas não esqueço do amoroso carinho e disponibilidade que a Jota me dedicava. Na fazenda, ela me carregava nos ombros, brincando, cantando, rindo. Humildade suprema. A humildade segundo Jesus Cristo, em suas Bem-aventuranças: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus, 5:3). “Pobres de espírito”, ricos de coração, de amor. Aos 82 anos de idade tenho uma memória “seletiva” – bela desculpa para a falta de memória –, mas, entre as seletivas, destacam-se vivas as lembranças da Jota, na minha bucólica infância.
Aos onze anos de idade mudamos para a cidade de Cantagalo, para continuar meus estudos. A jota ficou na fazenda. Eu a reencontrei anos mais tarde, em Cantagalo, na residência dos queridos tios Walter e Nita. Era a mesma Jota. Quando eu ia visitar meus tios ela me tratava como se fosse aquela criança dos anos 30/40. Não se esquecia do angu e da banana frita. Angu, feijão, arroz e banana frita. Às vezes um ovo frito. Pra que mais!?
Tinha apenas uma foto da Jota, que não sei mais onde ficou, depois de tantas mudanças, como um cigano. Está apenas na minha memória, para sempre.
Este não é um artigo para ser lido. Mas eu não consegui refrear esse desejo de registrar neste blog o encanto de ter vivido sob o amor de um Anjo. E não sabia...
 (Crédito da imagem: <https://twitter.com/blancaluza>)

domingo, 23 de junho de 2019

Imunização cognitiva: fatos X fake news mental



Fiquei impressionado, durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a quantidade de amigos e intelectuais que afirmavam, contra os fatos, que o processo seria “golpe”, mesmo realizado sob os dispositivos constitucionais e de acordo com a legislação eleitoral. Acrescia a isso a atitude dos mesmos defensores de Dilma irem para as ruas pedirem “Lula livre”, contra todas as evidências dos crimes de corrupção cometidos pelo ex-presidente, condenado já em dois processos em mais de duas instâncias, por cerca de 25 anos, além de outros processos em tramitação na Justiça. Pelas condenações julgadas por colegiado em segunda instância, o ex-presidente está inelegível “desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena”, nos termos da alínea “e”, inciso I do art. 2º da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, com a redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010. Ou seja, caso a lei seja cumprida, apenas pelos dois processos até agora julgados por colegiado em segunda instância, o ex-presidente, ora presidiário, Lula estará inelegível por mais de quarenta anos.
À época, fiquei impressionado com a posição de pessoas que transpareciam lucidez, integridade e competência, adeptas da teoria do “golpe”, do “Lula livre” e de outras “ordens de comando”, como os antigos “Fora ianques”, contra os EUA. Procurei algum tipo de amparo ou justificativa para essas posições fundamentalistas, sectárias. Li livros e vários artigos. Neste momento, quando o crime organizado, aparentemente comandado por presidiários, atentam contra a soberania nacional e a integridade moral de pessoas como o ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Nacional, fui reler alguns artigos sobre a teoria da imunização cognitiva e encontrei o mais lúcido e claro, de autoria do jornalista, cartunista e escritor Luciano Pires. Deixo de assinar o Blog desta semana para entregá-la a Luciano Pires, em artigo postado em 31/3/2016, sob a título A imunização coletiva, transcrito a seguir, na íntegra.
Luciano Pires
O ano é 1995. Um vídeo escandaloso mostrado no Jornal Nacional apresenta o bispo Edir Macedo ensinando sua equipe como tirar o máximo de dinheiro dos fiéis. Se você não lembra, está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=W7wqqJFtaYc .
Quando assisti àquelas imagens, pensei: o bispo acabou… Passados 20 anos, o bispo e sua igreja nunca estiveram tão fortes, tão ricos, tão poderosos. O escândalo veiculado no Jornal Nacional não destruiu nem o bispo nem seu projeto, sua base de fiéis cresceu assustadoramente, transformando a Igreja Universal num negócio bilionário, mesmo diante da evidência dos fatos.
Coisas assim acontecem ao longo de toda história da humanidade: grupos de pessoas que, mesmo diante das mais claras evidências de perigo, de más intenções, de risco, permanecem seguindo líderes visionários, malucos ou simplesmente desonestos. Como é possível que tanta gente se recuse a ver a verdade?
Os estudiosos explicam com a imunização cognitiva.
Cognitiva vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo.
imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.
E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público o indefensável. Como é que essas pessoas chegam a esse ponto?
Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.
Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo de sua atenção, quem pensa diferente.
Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. Passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.
Terceira fase: conexão dos credos à emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra do “se você pecar, vai para o inferno”? Se você não votar naquele candidato, sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo…
Quarta fase:  associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.
Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito “não vai ter golpe”, por exemplo, não é uma criação espontânea, obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment.
Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e, especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.
E aí, meu caro, minha cara, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico… O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.
Tá explicado então? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.
E você nem percebeu que tá dando a grana pro bispo.

domingo, 16 de junho de 2019

Memórias...



Willian James (1842/1910), filósofo e psicólogo norte-americano, considerado por muitos “o pai da psicologia”, afirmava que, “se nos lembrássemos de tudo, estaríamos tão doentes quanto se não lembrássemos de nada”. É a tal memória seletiva.
Ao completar 82 anos de idade, alguns parentes e amigos próximos, começaram a me cobrar as “minhas memórias”. Mas que memórias? Pra quê? Pra quem? “Pra nós, uai”, afirmaram esses poucos parentes e amigos... Da onça? Não.
Mas o desafio ficou latente e, até agora, só tem um título provisório – “Histórias de um homem (quase) sem memória”... Se conseguirei escrevê-lo e publicá-lo só o tempo dirá. Se “o futuro a Deus pertence”, como afirmam os filósofos de plantão, tenho uma boa desculpa para não fixar nenhuma data ou meta. Maktub!
Quando comecei a escrever um livro sobre meu pai (Henrique Frauches & Cantagalo: duas histórias que se cruzam. Brasília: Andragogia, 2012), procurei rememorar os acontecimentos na família, na escola, na Prefeitura de Cantagalo (RJ), onde ele foi prefeito por duas vezes (1955/1958 e 1963/1966), descobri que a minha memória estava adormecida. Conseguia lembrar pouquíssimos acontecimentos da minha infância, havida na Fazenda Serra, no distrito de São Sebastião do Paraíba, Cantagalo, e na adolescência, já na cidade de Cantagalo, de onde saí aos dezoito anos de idade. Todavia, lembrei-me com mais facilidade dos fatos ocorridos na vida de meu pai como lavrador, comerciante, fazendeiro, funcionário da Prefeitura e como prefeito, em especial, em seu segundo mandato, quando participei ativamente de sua administração.
Fiquei intrigado com a “perda” de memória desses tempos. Tive uma infância e adolescência felizes, em um lar em que meus pais (Telva e Henrique) – sou filho único – foram educadores amorosos, sábios, respeitando as minhas escolhas, mas não deixando de colocar as suas opiniões, quando achavam necessário. Ou seja, não tenho nenhum trauma dessa época, em que fui feliz e não sabia, parodiando o poeta mineiro Ataulfo Alves, em sua pequenina Miraí. Olhando para traz, só reconheço dias felizes, com pouquíssimos momentos desagradáveis. No lar, na escola, na prática de esportes na juventude, no convívio com colegas e amigos, na vida profissional somente paz, amor e generosidade. Uma única decepção: no amor. Que não esqueci, mas compreendi.
Na fase da minha vida em que me encontro tenho boas lembranças e sou envolvido por amores dos entes queridos, como a esposa, filhos, netos, outros parentes "mais chegados", amigos próximos ou distantes... O amor e a amizade não reconhecem distâncias.  Constato, sim, que a memória é seletiva, mas, como a memória dos computadores, a nossa memória espiritual guarda todos os acontecimentos, da atual e de todas as encarnações. Quando eu estiver “do lado de lá”, a verdadeira vida, sei que tudo estará na minha memória, dos mais insignificantes aos mais importantes fatos da minha milenar trajetória de volta ao Pai. Isso é o que importa.
A minha memória seletiva me diz que as outras memórias estão guardadas em um cofre em que só eu tenho a senha para poder acessá-las, quando necessitar ou chegar o momento aprazado. Memória que nem psiquiatras e psicólogos conhecem ou não querem reconhecer. Essa minha postura não é consolo para um velho que está próximo do fim da estrada. É a verdade que eu reconheço desde os catorze anos de idade.  E disso eu me lembro...

domingo, 9 de junho de 2019

Manifesto Antigerundista: para você estar passando adiante



O gerundismo é uma praga que chegou ao Brasil para ficar. Infelizmente.

O governador de Brasília (2007/2010), José Roberto Arruda, chamou a atenção sobre o excesso de uso do gerúndio, com a edição do Decreto 28.314, de 1º de outubro de 2007, que “demite” esse tempo verbal em todos os órgãos da administração pública da capital federal. O Decreto tem apenas quatro artigos:
Art. 1° Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário. (grifei)
Foi um protesto isolado, que não envergonhou os usuários do gerundismo. Ele acabou por ser disseminado pelos call center, telemarketing e SACs (Serviço de atendimento ao consumidor), como qualquer um de nós pode constar ao ligar para um desses serviços on line. Contaminou, ainda, os diálogos nosso de cada dia.
Em 2010, foi publicado um Manifesto Antigerundismo, sem autoria, no saite de Odi Melo. Passados mais de oito anos o tema permanece atual, uma vez que a praga do gerundismo continua feroz, influenciando gerações. Eis o seu criativo texto, na íntegra:
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo.
Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.
Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.
Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito.
Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho.
Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.
As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.
Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We'll be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós vamos estar mandando isso amanhã" acabou por estar sendo só um passo.
Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.
A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo.
A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade linguística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas.
Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O que cê vai tá fazendo domingo?", ou "Quando que cê vai tá viajando pra praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa".
Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?
A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma ideia" e outros menos votados.
A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

(Crédito da imagem: <http://www.blogconcurseiradedicada.com/2014/03/gerundismo-evite-esse-vicio-de-linguagem.html>)

domingo, 2 de junho de 2019

Conhecimento & poder pelo poder



Thomas Jefferson (1743-1826), duas vezes presidente dos Estados Unidos (1801 e 1809), foi o redator do texto da Declaração da Independência. Era um verdadeiro estadista, como na definição de James Freeman Clark (1810/1888), pregador e escritor americano: “Um político pensa na próxima eleição. Um estadista, na próxima geração”.
"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível” é uma das frases mais famosas de Thomas Jefferson. Mais de dois séculos passados, permanece atual.
Todavia, uma antiga expressão latina − Scientia potentia est. Scientia potentia – significa “Conhecimento é poder. Saber é poder”.
Estamos, segundo alguns, ingressando em um Nova Era, identificada também como a Era da Informação, Era do Conhecimento, Era Digital e outras eras, neste início do século 21.
Informação não é conhecimento. Pode gerar conhecimento ou simplesmente ser ignorada. Para ser transformada em conhecimento a informação deve passar por estudos e pesquisas científicas e ser consagrada em teses de reconhecimento universal. Sem conhecimento, a informação é mera notícia, que pode, por exemplo, ser uma fake news. Em português claro: mentira.
O conhecimento pode levar ao poder, mas o que Thomas Jefferson disse há mais de dois séculos é que o poder usado para a corrupção (dinheiro) e pela simples perpetuação no poder – o Poder pelo Poder – não é objetivo de estadistas, mas de oportunistas, pelegos, populistas e outros “istas”...
O conhecimento em si é neutro. Pode ser usado para o bem ou para o mal. Um exemplo: o conhecimento gerado por Santos Dumont possibilitou a construção de um objeto voador identificado como avião. O seu uso mais intenso foi na segunda guerra mundial, para conduzir bombas e armamentos para matar pessoas. Esse uso foi um dos motivos do suicídio de Santos Dumont.
A busca pelo conhecimento é interpretada como o desenvolvimento da ciência, dentro e fora das universidades. Uma sociedade que investe em gerar conhecimento, patentes tem na educação a sua prioridade das prioridades. A educação pode levar ao uso do conhecimento para a melhoria das condições de oferta de serviços públicos de qualidade – educação, saúde, transportes, segurança. Já a busca pelo dinheiro (corrupção) e pelo simples deleite de estar no poder gera pobreza, atraso e conduz às políticas equivocadas de assistencialismo, para criar os conhecidos currais eleitorais brasileiros, em pleno do século 21.
As universidades públicas, que funcionam financiadas com o dinheiro gerado pelos elevados tributos que todos os brasileiros pagam – do miserável que recebe a esmola do bolsa família aos trilionários – não constroem conhecimento. Com as raríssimas exceções de alguns pesquisadores comprometidos com a Ciência, essas universidades são insignificantes em relação à produção científica de universidades até de países com desenvolvimento socioeconômico inferior ao do Brasil. Basta verificar a origem das patentes registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Não há busca pelo conhecimento que possa contribuir para o desenvolvimento nacional. Mesmo a pesquisa básica, importante para a ciência aplicada, é uma atividade burocrática, morosa, com os recursos públicos perdendo-se nos escaninhos sinuosos da burocracia estatal.
Conhecimento gera conhecimento. O poder pelo poder gera corrupção. Eis a diferença.
(Crédito da imagem: <https://www.facebook.com/porquetudo/>)