Neymar,
em comercial da Gillette, divulgado em horário nobre, no último domingo, 29,
fez um mea culpa de sua atuação profissional e comportamento, em campo, nos
jogos do Brasil na Copa do Mundo realizada na Rússia. Levou pancada crítica de
todos os lados. Os seus críticos devem ser seres humanos perfeitos, infalíveis,
os mais corretos, honestos, dignos, competentes em suas atividades
profissionais. Somente seres acima dos humanos podem fazer aquele tipo de
crítica, que não é construtiva, mas comprometida com a paixão, o ciúme ou a
raiva. Um deles afirmou que, assim, “a mídia tradicional fica em segundo plano”.
Esse é um dos pontos relevantes das críticas. Neymar não se submete à
prepotência da “mídia tradicional” (TV Globo e similares e jornais como O
Globo, a Folha de S. Paulo). Ele tem os seus próprios meios de comunicar-se com
a sociedade. As redes sociais são o seu principal veículo de comunicação. Mas
por uma peça publicitária? Qual o problema? Foi em horário nobre, incluindo a
TV Globo. As críticas recebidas, quase unânime, surgiram dos comentaristas da
grande “mídia tradicional”. Os que estão acostumados a ter a maioria dos
jogadores aos seus pés, ansiando por uma entrevista. Não é o caso de Neymar.
Futebol
é assunto sempre polêmico. Sei disso desde os tempos de garoto peladeiro, que
se perde nos tempos, lá em Cantagalo (RJ), minha querida terra natal. Mas, não
resisto ao massacre que estão fazendo com o ser humano e o profissional Neymar.
É desumano, cruel.
Em
primeiro lugar, uma declaração que, sei, não é unanimidade no Brasil. Mas, para
mim, Neymar, depois de Ronaldinho Gaúcho, é o melhor do mundo como atleta de
futebol. Não tem para Pelé, Messi, Ronaldo, Cristiano Ronaldo ou o “deus”
Maradona. Vi todos esses craques jogarem. Pelé tem a seu crédito a fidelidade a
um clube, o Santos, e a regularidade de seu desempenho dentro de campo, além de
conduzir a sua vida pessoal com discrição e sem qualquer vício. Messi tem a seu
favor ter como meta o gol e, nesse caminho para a grande área, consegue uma
porcentagem de aproveitamento excepcional. Maradona teve momentos de
genialidade, gols de mão, manchados pelo uso de drogas. Cristiano Ronaldo é um
profissional do gol, o objetivo do jogo, competente e disciplinado. Só. Não há
arte em seu futebol. Ronaldo, o “Fenômeno”, teve momentos de extraordinária
atuação, também visando sempre o gol, mas as lesões e a balança prejudicaram
sua longevidade nos gramados. Ronaldinho Gaúcho jogava – e ainda joga – futebol
para brincar, alegre, descontraído, arte pura. Com isso, realizava – e realiza
– jogadas incríveis, com uma visão de jogo que não encontrei em nenhum outro
jogador. Mas, seu reinado foi curto, por motivos publicamente conhecidos.
Neymar
é uma exceção. É um craque de uma visão de jogo como poucos, capaz de realizar
jogadas inusitadas, criativas, que surpreendem os dois ou três marcadores
adversários. É o melhor de todos, exceto, repito, os poucos momentos de glória
de Ronaldinho.
Mas,
Neymar não é perfeito. Primeiro: é um ser humano comum, como qualquer um de
nós, erra e acerta, na vida pessoal e profissional. É jovem. As críticas sobre
o comportamento profissional de Neymar não são profissionais, são passionais,
como amores traídos ou perdidos. Nenhum ser humano pode “atirar a primeira
pedra” dessa forma não construtiva. Nem em Neymar e nem em ninguém. Segundo: é
um craque em construção, em processo de aprendizagem, de lapidação. Está
aprendendo a fazer fazendo. A teoria no futebol é bem-vinda, mas, primeiro, “precisa
combinar com os russos”, parodiando Garrincha em uma de suas antológicas frases
carregadas de ingenuidade e, também, perspicácia, na Copa do Mundo de 1958 na
Suécia.
Fico
curioso por uma estatística de resultado sobre os atletas que, ao longo do
jogo, são chamados a substituírem um colega. O técnico ou seu auxiliar mostra
ao atleta uma planilha, informando-lhe onde e como ele pode atuar. É coisa de
robô. Neymar jamais precisou de planilha. Ele constrói sua própria planilha,
seu modo de agir, de atuar.
Defeitos
ou fragilidades do profissional Neymar, no meu ponto de vista: driblar ou fazer
firulas no meio do campo ou em seu próprio campo, sem objetividade, ao
contrário de Messi. Ele há de aprender que a sua meta é o gol e é na direção
dos “três paus” que a sua arrojada corrida deve ser dirigida. Ou faz o gol ou
sofrerá falta nas proximidades da área ou dentro desta – pênalti. Neymar ainda
não encontrou um técnico de futebol competente em sua jornada como profissional
do futebol. Nada de “paixão”, porque isto não funciona. Nem “família Felipão”
ou “família Tite”. Isso é amadorismo e não deu nenhum título de campeão do
mundo ao Brasil. O esporte é profissional e como tal deve ser gerido, em toda a
estrutura de uma equipe, seja o meu Flamenguinho, de Cantagalo (RJ), ou o
Barcelona. Ainda falta um técnico como Guardiola na vida de Neymar. Este iria
treiná-lo para o gol, com o uso de seus extraordinários e infindáveis recursos
técnicos e artísticos. Vai despertar potenciais ainda não revelados e educados.
Vai lapidar com mais destreza esse diamante que não é mais bruto, mas ainda
necessita de uma lapidação mais fina, nobre. Só assim ele será o Melhor do
Mundo, reconhecido por “gregos e troianos”. Na Europa, onde atuam os melhores
técnicos de futebol, Neymar ainda não passou pela lapidação de nenhum técnico
competente. Quanto ao novo técnico do PSG, que eu não acompanhei seu desempenho
no futebol alemão, só resta esperar. Neymar precisa, agora, de respeito e
disciplina, ao lado do treinamento profissional competente e adequado a um
verdadeiro craque do futebol, em processo de aprendizagem.
A
teatralidade e as faltas. Quantos jogadores, das diversas seleções que
disputaram a Copa do Mundo, ao sofrerem uma falta, dentro ou fora da área não
“valorizaram” a falta recebida, com mais ou menos teatralidade? Digamos que
Neymar é um artista completo. Sofre a falta e a torna espetacular, creio que
para chamar a atenção do árbitro e, agora, também do “árbitro de vídeo”. Na
foto que ilustra esta matéria, Neymar sofreu falta claríssima, dentro da área:
pênalti! Mas o Galvão Bueno entendeu que foi uma “graça” ou “gracinha”. O
árbitro não deu pênalti por que o “arbitro de vídeo” não viu falta nenhuma. Os
comentaristas disseram que o teatro da queda prejudicou a interpretação dos
árbitros. Com teatro ou sem teatro foi falta. E dentro da área. Pênalti! A
câmera lenta, nesses casos, realça desmesuradamente a teatralidade do atleta. Todos
cegos. Caso aquela falta fosse fora da grande área teria sido marcada. Dois
pesos e duas medidas. Isso não quer dizer que o pênalti seria transformado em
gol. A equipe do Brasil foi mal em todos os jogos. Quando jogou as
eliminatórias, com equipes fracas e uma Argentina desorganizada, com Messi
desmotivado, foi muito mais fácil. Nas partidas amistosas idem. Mas, quando foi
para valer, à vera foi o fiasco que nós vimos, em cores e ao vivo, com Tite
fazendo sinais e gritos que os jogadores não podiam ver nem ouvir, macaquice dos
treinadores brasileiros, que jamais fizeram sucesso em times da Europa.
Leio,
ouço e vejo comentaristas totalmente arrebatados pela indignação, a
extravasarem em seus escritos, entrevistas ou comentários pela televisão,
sentimentos altamente negativos, sem, antes, fazerem uma autoavaliação de seu próprio
desempenho como profissional da mídia, dedicado ao futebol. Vi todos os jogos
da Copa do Mundo, a partir das oitavas de final, e ouvi cada barbaridade... Não
houve isenção. É como se voltássemos aos anos 70 e fôssemos defrontados com o
rancoroso “ame-o ou deixe-o", slogan
criado nos tempos da ditadura Médici, quando o Brasil foi tricampeão no México.
Deixem
o Neymar jogar o futebol arte! Preocupem-se com os “pernas de pau”...


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