domingo, 15 de novembro de 2020

Como nossos pais. Ou não.

Antonio Carlos Belchior, conhecido como Belchior (1946-2017), foi um compositor, cantor, músico, produtor e artista plástico. Fez grande sucesso como compositor e cantor na década de 70. Uma das músicas mais marcantes de sua carreira teve vários intérpretes, inclusive ele e na voz inconfundível de Elis Regina.

Nesta manhã chuvosa de domingo, em Brasília, parei para pensar na vida. O que passou, o que está sendo e o que virá. Parodiando o ministro da Justiça, Armando Falcão, dos tempos do regime ou ditadura militar ‒ cada leitor deve ter a sua certeza ‒, q56494555671404/6114980125404594660uando um repórter perguntava a ele usando a conjunção subordinativa condicional “se”, ele respondia sempre: “O futuro só a Deus pertence”. Essa frase é um bordão que me acompanha desde que a ouvi pela primeira vez.

“Como nossos pais” é uma volta ao passado, quando o poeta fala do presente. Trata do conflito de gerações, acentuado pelos “anos de chumbo” dos anos 60/70.  É, na realidade, uma crítica amarga à inércia da juventude, acomodada, deixando a vida fluir, sem contestar o regime político da época.

Esta crônica, escrita ao léu dos pensamentos, tendo presente o poema de Belchior, faz parte do meu ócio criativo. Não se trata, no meu caso,  da teoria do professor e sociólogo italiano Domenico de Masi. Para ele, o ócio criativo seria o futuro do trabalho na sociedade, a ser marcado pela união entre estudo e lazer. Parece que a pandemia Covid-19 apressou essa união, com o teletrabalho, a telemedicina e outras teles...

O meu ócio criativo é só ócio. Nada mais. Para mim, escrever é um prazer, não é trabalho e nem lazer. Não penso se haverá leitores. É um parto sem gestação prévia. E nem espera ansiosa.

Eu não quero falar das coisas que aprendi e nem contar como eu vivi. Viver é melhor do que sonhar. E eu sei que o Amor é uma coisa boa. É divino. Também sei que qualquer canto, “Como nossos pais”, é menor que a vida de qualquer pessoa.

Há perigo na esquina. Na Vida, sempre existe. O sinal ‒ obstáculos, problemas ‒ pode estar fechado para nós. Mas podemos superá-los, transpô-los. Eles não venceram. A nossa vida está em nossas mãos, atitudes, escolhas. Nada está fechado para nós, que somos jovens no interior. Nós somos os únicos herdeiros de nosso futuro.

O meus lábios e os meus abraços foram feitos para abraçar minha menina. Quando a conheci tinha dezessete anos. E continua menina. O mesmo sorriso. A mesma postura e atitudes nobres, únicas. Ainda somos jovens, apesar da velhice, porque o Amor não envelhece, não acaba. A paixão, sim. O Amor, não. É para ela que Deus fez o meu lábio , o meu braço, o meu coração e a minha voz.

Você me pergunta pela minha paixão. Ela não existe. Há simplesmente Amor.

Eu não vou ficar nesta cidade, que me acolheu por 32 anos, onde tive glórias e derrotas. Onde caí e me levantei. “Dei a volta por cima”. Digo que estou encantado com uma nova invenção, uma nova fase na Vida. Não vou voltar para o sertão, onde nasci e vivi durante onze anos. Vou voltar para outra cidade ‒ Cantagalo, no centro-norte fluminense ‒, que me acolheu aos onze anos de idade. Onde fiz amigos e conheci o Amor. “Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação”.

Nós não somos os mesmos. Não vivemos como os nossos pais, literalmente. Agregamos, ao longo de nossas vidas, a experiência dos erros e dos acertos.

Os meus ídolos não são os mesmos. Che Guevara, Fidel Castro são ídolos de um passado que não volta mais. Ídolos de barro. Eles não me enganam mais. Ditadores e criminosos não podem ser meus ídolos. Depois deles apareceram líderes democráticos, ao redor de nosso planeta. Menos no Brasil.

Mas Você pode até dizer que eu estou por fora ou então que eu estou enganado, mas é Você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.

Estou guardado por Deus, mas não estou contando meus vis metais. Esses eu não levarei para a outra Vida.

¨

A letra de “Como nossos pais”, está disponível em: <https://www.letras.mus.br/belchior/44451/>

A música, na voz de Elis Regina, em: <https://www.youtube.com/watch?v=VMq6EMpLi4E>

Na voz de Belchior, em: <https://www.youtube.com/watch?v=Y3HTEKQ-rh8>

Proclamação da República & eleições municipais

Hoje, 15 de novembro, celebra-se a Proclamação da República e, por causa da pandemia Covid-19, estão sendo realizadas as eleições municipais para prefeitos e vereadores. Essa eleição é realizada no primeiro domingo de outubro, nos termos da Constituição de 88.

A Proclamação da República é um evento cada vez menos comemorado. Quando cai numa sexta ou segunda-feira, geralmente ocorre o chamado feriadão. Quem pode, aproveita para visitar os parentes distantes ou para o lazer os mais diversos. Os líderes do movimento nem são lembrados e, muito menos, o marechal Deodoro, o primeiro presidente da República. O nosso país saía, em 1889, de uma monarquia constitucionalista parlamentarista para o presidencialismo que conhecemos hoje.

Os que não têm memória curta devem se lembrar de que a Constituição de 1988, vigente, caminhava para estabelecer o regime parlamentarista. Um plebiscito de última hora elegeu o presidencialismo como a forma de governo da nossa República Federativa do Brasil. E deu no que deu. Um país ingovernável. Temos um “presidencialismo parlamentarista”. Mais uma jabuticaba brasileira. Só tem aqui.

Com 33 partidos e um festival de siglas exóticas MDB, PTB, PDT, PT, DEM, PCdoB, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, CIDADANIA, PV, AVANTE, PP, PSTU, PCB, PRTB, DC, PCO, PODE, PSL, REPUBLICANOS, PSOL, PL, PSD, PATRIOTA, PROS, SOLIDARIEDADE, NOVO, REDE, PMB, e o caçula, UP (Unidade Popular) torna-se inegociável qualquer projeto de interesse nacional legítimo, Os políticos brasileiros não pensam no Brasil. Pensam neles, em primeiro, segundo, terceiro lugares. Depois os parentes, os cabos eleitorais, os possíveis eleitores. Há raríssimas exceções.

O comunismo está abrigado em uma dezena de partidos PCdoB, PCO, SB, PT,  PV, PSTU, PCB, PSOL, REDE e UP , sem contar os políticos enrustidos, que pululam o PSDB, o PDT e outros. Os outros são liberais ou do chamado “centrão”, estes da turma do “toma lá dá cá”.

O Partido da Mulher Brasileira (PMB) tem candidatos do sexo masculino. Não existe o Partido do Homem Brasileiro (PHB) e nem partido de LGBTQ+. Este já nasceria com uma sigla cada vez mais longa.

Brincadeiras à parte, as eleições municipais são importantíssimas. Tudo acontece no município. Prefeitos e vereadores estão mais próximos de seus eleitores, do povo das comunas ‒  não confundir com uma abreviatura livre para classificar os comunistas...

Os serviços públicos essenciais funcionam ali, com verbas públicas do município, das unidades federativas e do governo federal. Produto dos escorchantes tributos pagos por trabalhadores e empresas. Serviços públicos de educação, saúde, segurança, transporte urbano, água, energia elétrica, infraestrutura sanitária são entregues ao público pelas prefeituras, pelos estados e pela União. A qualidade do serviço público no Brasil ainda é lastimável. A educação de qualidade está ausente em 99% das escolas públicas de educação básica. A saúde, via SUS, é outra prova de que o Estado não é competente para administrar esses serviços. Há exceções? Há, mas elas servem apenas para validar a regra geral de incompetência gerencial nesses serviços. O Estado mínimo está longe de ser realidade no Brasil, dominado pelo clientelismo.

Que o povo que está indo às urnas neste domingo possa eleger políticos comprometidos com o bem público e serviços de qualidade. Que os vereadores façam o dever de casa – fiscalizar a administração dos p

refeitos, em particular, o orçamento e a contabilidade públicos.

Ave Caesar, morituri te salutant. “Salve César, os que vão morrer te saúdam”. Palavras dirigidas pelos gladiadores ao imperador romano, antes de entrarem em luta. Ave Caesar, vivere te salutant, pode ser a saudação aos novos gestores municipais, para que tenham vida saudável, dedicada a uma administração eficiente, eficaz e transparente.¨