segunda-feira, 22 de junho de 2020

Terra-século 21: Mundo de regeneração e progresso


Terra ‒ século 21: mundo de regeneração e progresso

Teorias espíritas apontam o século 21 como início de mudanças radicais para o nosso planeta. Uma nova era. Uma profunda transformação de mundo de "provas e expiações" para um mundo de "regeneração e progresso". O expurgo dos não regenerados já está acontecendo para outros planetas. Segundo diversos médiuns espíritas, teve início no final do século 20 e ocorrerá ao longo deste século. Mas quem ficará na Terra para construir este mundo de “regeneração e progresso”? O Espírito Hammed, pela psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, dá-nos algumas dicas. Vamos a elas.

Quem são os regenerados
Hammed
“Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes, a alma que se arrepende neles encontra a calma e o repouso, acabando de se depurar. Sem dúvida, nesses mundos, o homem está ainda sujeito às leis que regem a matéria...” (Capítulo 3, item 17.)
Regenerados são todos aqueles que aprenderam a compartilhar deste mundo, contribuindo sempre para a sua manutenção e continuação, e que ao mesmo tempo, por perceberem que recebem à medida que doam, sustentam com êxito esse fenômeno de “trocas incessantes”. São os homens que descobriram que todos estamos ligados por inúmeras formas de vida, desde o micro ao macrocosmo, e que os ciclos da natureza é que vitalizam igualmente plantas, animais e eles próprios. Portanto, respeitam, cooperam e produzem, não pensando somente em si mesmos, mas na coletividade.
Sabem que ao mesmo tempo, sozinhos ou juntos, somos todos viajantes nas estradas da vida universal, em busca de crescimento e perfeição.
Voltaram-se para si mesmos e descortinaram a presença divina em sua intimidade e, em vista disso, agora não buscam somente a exterioridade da vida, mas a abundância da vida íntima, fazendo quase sempre uma jornada cósmica para dentro do seu universo interior, na intimidade da própria alma.
Regenerados são os seres humanos que notaram que não podem modificar o mundo dos outros, mas apenas o seu próprio mundo. Que os indivíduos, lugares e ambientes não podem ser mudados, e que as únicas coisas que podem e devem ser alteradas são suas atitudes pessoais, reações e atos relacionados a esses mesmos indivíduos, lugares e ambientes de sua vida.
Conseguiram angariar sabedoria em decorrência das vivências anteriores. Diferenciam o que lhes cabe fazer e, por conseguinte, o que são deveres dos outros. Só fazem, portanto, autojulgamento, deixando a cada um realizar sua própria avaliação.
Na realidade, trazem certas competências e destrezas alicerçadas no poder de observação, por já possuírem uma considerável “coleta de dados”. São consideradas criaturas sábias, por seus constantes “insights”, isto é, compreensões súbitas diante de decisões e resoluções da vida.
São homens que adquiriram a habilidade de resolver suas dificuldades com recursos novos e criativos, usando maneiras inovadoras de solucionar os acontecimentos do cotidiano. Reconhecem que a vida é uma sucessão de ocorrências interdependentes, por possuírem a capacidade de observar as relações existenciais. Sempre lançam mão dos fatos passados e os entrelaçam aos atuais, chegando à profunda compreensão das situações e de seus problemas.
Descortinaram horizontes novos, porque reservaram no dia-a-dia algum tempo para se conhecer melhor, anotando ideias e sensações a fim de esclarecer para si próprios o porquê de sentimentos desconexos, emoções variáveis e ações contraditórias, visto que tal conhecimento os ajudará a viver de forma mais serena e previsível.
Obtiveram transformações íntimas, surpreendentes, pois conseguiram se ver como realmente são.
Retiram máscaras, que inicialmente lhes davam um certo conforto e segurança, já que depois, eles mesmos reconheceram que elas os aprisionavam por entre grilhões e opressões.
Aprenderam que não vale a pena representar inúmeros papéis, como se a vida fosse um grande teatro, mas sobretudo assumir sua própria missão na Terra, porque constataram que cada um tem uma quota própria de contribuição perante a Criação, e que não nasce no Planeta nenhuma criatura cuja tarefa não tenha sido predeterminada.
Regenerados são os reabilitados à luz das verdades eternas. Adotaram Jesus como o “Sábio dos Sábios” e, por seguirem Seus passos, fazem sempre o seu melhor. Reconheceram que o erro nunca será motivo de abatimento e paralisação e sim de estímulo ao aprendizado. Por isso, seguem adiante, pacientes consigo mesmos e com os outros, ganhando cada vez mais autonomia e discernimento ante as leis de amor que regem o Universo.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 73/75)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Tempo certo


Tempo certo
Hammed
“... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho...” “... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou sessenta, ou trinta por um.” (Capítulo 17, item 5.)
Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício de cada um.
A humanidade, em geral, recebe as sementes do crescimento espiritual a todo o instante. Constantemente, a “Organização Divina” emite ideias de progresso e desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo com suas possibilidades e habilidades existenciais.
A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas por achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser todas iguais conforme nossa maneira de ver.
Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.
Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo consentimento, porque cada ser tem seu próprio “marco individual” nas estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua maneira de entender, comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que “cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria ser.
Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”?
Nossa ansiedade não faz com que as árvores deem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as possibilidades e as limitações de cada indivíduo.
Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas, comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram semeadas.
As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram, representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula. São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.
Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.
Foram logo ressecadas porque não suportaram o “calor da prova”; e, por serem qualificadas como pessoas de convicção “flutuante”, torraram rapidamente seus projetos e intenções.
Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem. São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante, nos processos de iluminação interior. Quando os “caules” não são suficientemente profundos e vetustos, há bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela informação ou ensinamento recebido.
Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona nas bases do “potencial” e da “viabilidade evolutiva” e, portanto, impor às pessoas que “sejam sensíveis” ou que “progridam”, além de desrespeito à individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de relacionamento.
Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as “ideias sociais” que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois, no tempo do Mestre, as leis do “Torah” asfixiavam e regulamentavam não somente a vida privada, mas também a pública.
Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos domínios das “normas e regras”, sem poder erguer em demasia a sua mente, restrita pelas ideias vigentes, o que os sentencia a viver numa “frustração grupal”, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis permitidos pela comunidade.
Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os “espinhos da opressão” na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo espírito de casta entre as criaturas de sua época.
As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos abundantes. O que é um “solo fértil”?
Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de discernimento não ocorrem por acaso, porquanto nenhum aprendizado nos envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e habilidades propiciadoras.
A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no conteúdo real quer dizer: “Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca”. Mas para “quebrar a noz” é preciso senso e noção, base e atributos que requerem tempo para se desenvolverem convenientemente. A consciência da criatura, para que seja receptiva, precisa estar munida de “despertamento natural” e “amadurecimento psicológico”.
Reforçando a ideia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde encontramos: “porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga” (Marcos 4:28).
O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana. Ele se opunha a todo e qualquer “nivelamento psicológico” e, portanto, lançou a Parábola do Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio que prestaríamos a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete “semear”, sem esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da “chuva da determinação humana” e do “solo generoso” da psique do ser, onde houve a semeadura.
(Extraído do livro Renovando atitudes / ditado pelo Espírito Hammed; [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2008, pp. 69/72)

sábado, 6 de junho de 2020

Ódio: uma doença do Espírito


Na Questão 257, em O Livro dos Espíritos (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 194), Allan Kardec, em Ensaio teórico da sensação nos Espíritos, recomenda:
Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, en­tão, embora revestido do invólucro corporal, já estará de­purado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando dei­xar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. Nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradá­vel eles lhe deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma. Sentir-se-á feliz por se haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer sofrimento moral.
Kardec, na Questão 292 (p. 209), pergunta aos Espíritos: “Alimentam ódio entre si os Espíritos?”. E a resposta é imediata e clara: “Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões”.
Espíritos impuros, aqueles que ainda não alcançaram a luz, que não seguem os ensinos do Cristo. Normalmente, o Espírito para alcançar o estágio de não praticar essas paixões animais leva alguns milênios. O progresso é individual. Há uma regra, delineada por Kardec, mas cada Espírito tem o seu ritmo de volta ao Pai, da periferia para o Centro, onde reina o Amor incondicional, pleno, sem quaisquer resquícios de ódio, inveja, ciúme, egoísmo, orgulho.
O poeta espanhol Antonio Machado, em um de seus poemas, tem uns versos que esclarecem essa jornada individual: “Caminante, no hay camiño; el camiño se hace al andar”. O caminhante abre o seu próprio caminho. Os bons espíritos orientam, ajudam, mas a decisão de seguir a retidão dos ensinos cristãos, pela voz de Kardec, é individual, porque ninguém consegue mudar ninguém, caso não haja empatia, boa vontade.
O ódio é um dos sentimentos mais destruidores entre as paixões animalescas. É uma doença do Espírito.
O Espírito Hammed, pela psicografia do médium espírita Francisco do Espírito Santo Neto, no livro Estamos prontos (Catanduva-SP: Boa Nova, 2012, p. 45), esclarece que: “A inconstância emocional é compreensível em nossa idade evolutiva e ela pode ser considerada um  caminho para o equilíbrio, um indicativo para a saúde mental, pois faz emergir de nossas profundezas as emoções negadas, trazendo-as à luz da consciência”. E conclui, sabiamente: “Tanto nosso corpo como nosso espírito abrigam possibilidades de renovação, fazendo aumentar a nossa capacidade de desenvolvimento. Guardamos em nossas mãos livre-arbítrio, mudança e flexibilidade para compor e recompor nosso modo de agir, de pensar; enfim, de viver”.
O ódio que sentimos por outra pessoa nós temos a capacidade de transformar em perdão ou, pelo menos, em esquecimento, para aliviar nossa alma desse peso doentio. E quando nós somos alvo do ódio de outra pessoa? Como agir?
Para Emmanuel, o ódio asfixia corações e anula energias; é fogo invisível na consciência. Mas ele nos dá, pela psicografia do divino médium Chico Xavier, em Pão Nosso, um conselho infalível para quando nos odeiam: “Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais” (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 348) ‒ “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.” – Paulo. (Romanos, 12:20).¨