O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
recebeu, no prazo legal (15/8), o pedido de registro de treze nomes como
candidatos à Presidência da República, nas eleições do próximo dia 7 de
outubro.
Por ordem alfabética, estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), em 19/8/2018, 35 partidos políticos. Eem ordem alfabética: Avante
(AVANTE), Democracia Cristã (DC), Democratas (DEM), Movimento
Democrático Brasileiro (MDB), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido
Comunista do Brasil (PCdoB), Partido da Causa Operária (PCO), Partido da
Mobilização Nacional (PMN), Partido da Mulher Brasileira (PMB), Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido
dos Trabalhadores (PT), Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Novo
(NOVO), Partido Pátria Livre (PPL), Partido Popular Socialista (PPS), Partido
Progressista (PP), Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido
Republicano Brasileiro (PRB), Partido Republicano da Ordem Social (PROS), Partido
Republicano Progressista (PRP), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social
Democrático (PSD), Partido Social Liberal (PSL), Partido Socialismo e Liberdade
(PSOL), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Socialista dos
Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido
Trabalhista Cristão (PTC), Partido Verde (PV), Patriota (PATRI), Podemos (PODE),
Rede Sustentabilidade (REDE), Solidariedade (SOLIDARIEDADE) − (Disponível em: <http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse>).
Nós temos 35 partidos políticos. Todos alimentados pelo Fundo Partidário,
pago por todos nós, pelos tributos recolhidos à Receita Federal. Oito pretendem
cuidar do trabalhador brasileiro: PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PTdoB
(Partido Trabalhista do Brasil), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido
Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido
Democrático Trabalhista (PDT), Partido da Causa
Operária (PCO), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido
Trabalhista Cristão (PTC). Coitado do trabalhador brasileiro! Temos três
partidos republicanos: Partido Republicano Brasileiro (PRB), Partido
Republicano da Ordem Social (PROS) e Partido Republicano Progressista (PRP).
Mas não temos nenhum Partido Monarquista e nem anarquista. Temos o Partido da
Mulher Brasileira (PMB), mas não temos o Partido da Mulher do Brasil (PMdoB),
nem o Partido do Homem do Brasil (PHdoB) ou Partido do Homem Brasileiro (PHB). Brincadeiras à
parte, os Estados Unidos da
América (EUA), descoberto na mesma época que o Brasil, tem, de fato, apenas dois
partidos: Partido Democrata e Partido Republicano. Os 35 partidos brasileiros
não conseguem tirar o Brasil da miséria. Dois partidos, na democracia
capitalista dos EUA, conseguem administrar um país liberal e líder planetário.
Será por quê?
Mas, vamos aos possíveis candidatos, caso
tenham a candidatura registrada pelo TSE.
1.
Álvaro (Fernandes) Dias, pelo partido Podemos (Pode), coligado ao PRP, PSC e
ao PTC. Uma coalização de quatro partidos com programas diferentes, incluindo
dois que pretendem ser “cristãos”. Onde está Jesus nesses pretensos cristãos? Nasceu
em Quatá (S), está com 73 anos. É formado em História. Álvaro Dias é o
preferido dos repórteres da TV Globo. Dá entrevistas desde o primeiro mandato
como deputado federal, não importa o partido em que esteja. Já passou por sete
partidos: MDB, PMDB, PST, PSDB, PP, PV e Pode (Ex-Partido Trabalhista Nacional).
Sete! É um profissional da política partidária, tendo iniciado sua carreira em
1968, os anos de chumbo da ditadura, em partido que fingia ser oposição ao
regime militar, o MDB, transformado em Partido do Movimento Democrático
Brasileiro (PMD) e, agora, novamente MDB. Atualmente é senador. Não apresenta
nenhuma renovação como candidato a presidente da República. Seu Vice: Paulo
Rabello (PSC).
2.
Cabo Daciolo (Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos), pelo partido
Patriota (Patri), ex-Partido Ecológico
Nacional (PEN). Foi filiado ao PSOL, PTdoB e ao Avante. Não conseguiu apoio de outros partidos. Tem
42 anos, nasceu em Florianópolis, é Cabo do Corpo de Bombeiros (RJ) e deputado
federal (Patri-RJ). O Cabo Daciolo disse ao que veio em seu discurso no
lançamento de sua candidatura: “Digo sim à família tradicional brasileira, ao patriotismo, ao
nacionalismo, ao civismo e ao compromisso com Deus”. Um radical da direita. Vice: Suelene
Balduino (Patri)
3.
Ciro Gomes (PDT).
Apoiado pelo Avante, ex-Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB). Tem 60 anos, é
paulista, mas radicado no Ceará, por onde fez a sua carreira política. Empresário,
iniciou-se na política como prefeito de Fortaleza. Serviu ao PSDB, como
ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco. Mais tarde foi ministro da Integração
Nacional no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. É a
terceira vez que disputa a Presidência da República. Está sem mandato. É um
político eclético. Iniciou sua carreira no Partido Democrático Social (PDS),
transitando pelo PMDB, PSDB, PPS (Ex-Partido Comunista Brasileiro), PSB, Frente Trabalhista (PTB, PDT e
PPS), PROS. Pelo seu conhecido destempero verbal, Ciro Gomes esteve e está
envolvido em 80 processos por danos morais. É da velha política nordestina. Vice: Kátia
Abreu (PDT).
4.
Geraldo Alckmin (Geraldo José Rodrigues
Alckmin Filho), pelo PSDB,
coligado ao PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB e PSD. Um dos fundadores do PSDB,
junto com um grupo ligado ao MDB, liderado por Tancredo Neves. Tem 65 anos, é
natural de Pindamonhangaba (SP). Iniciou sua carreira política em 1972, como
vereador em sua cidade natal e, em seguida, prefeito da cidade. Foi deputado
estadual, federal, vice-governador e, finalmente, governador do Estado de São
Paulo, por quatro vezes. desincompatibilizou-se para ser candidato à
Presidência da República. Disputa a eleição presidencial pela segunda vez. Está
envolvido em denúncias de corrupção em seus governos. Vice: Ana Amélia Lemos
(PP).
5.
Guilherme Boulos (PSOL), coligado ao PCB. O PSOL é a sigla de Partido
Socialismo e Liberdade. É uma coligação que está na extrema esquerda, sem
qualquer menção ao futebol, mas a uma mastodôntica classificação de políticos
franceses. Para simplificar: direita, os conservadores; esquerda, os
progressistas. No Brasil isso não funciona. É natural de São Paulo e tem 35
anos. Aos 15 anos era militante na União da Juventude Comunista. Não exerceu
nenhum mandato político. É ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
(MST) e coordena o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). É contra a
iniciativa priva e lidera invasão de casas e prédios. Um “progressista” à moda
antiga. Vice: Sônia Guajajara (PSOL).
6.
Henrique Meirelles (MDB), coligado ao PHS. É natural de Anápolis (GO), tem
72 anos. Começou sua carreira política como deputado federal pelo PSDB de
Goiás. Renunciou ao mandato para ser presidente do Banco Central, de 2003 a 2010,
no governo Lula. Comandou o Ministério da Fazenda, de 2016 a 2018, no governo
Temer. Economista, com experiência no mercado internacional, exerceu a
presidência mundial do BankBoston, no qual ingressou em 1974. Exerceu a
presidência da filial brasileira desse banco em 1984. Foi Chairman
do Lazard Americas, banco de investimento sediado em Nova York, senior advisor da Kolberg, Kravis and
Roberts (KKR) (KKR), uma empresa global de investimentos, membro do
Conselho da Lloyd’s of London, empresa global de seguros, membro do
conselho consultivo da J&F Investimentos, empresa controlada por Joesley
Batista e seus sócios, e membro do
Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas Brasileira, entre outras
empresas do ramo. À
frente do Banco Central conseguiu administrar, com êxito, o Plano Real. Vice: Germano Rigotto (MDB)
7.
Jair (Messias)
Bolsonaro (PSL), coligado ao PRTB. O
PSL é alinhado ao social-liberalismo e o PRTB ao “trabalhismo participativo”. O PSL defende menor
participação do Estado na economia, mas com o direcionamento total dos recursos
arrecadados pelo Estado para a saúde, a educação e a segurança. Bolsonaro tem 63
anos e é natural de Glicério (RJ). É capitão da reserva do Exército. Está
deputado federal há 28 anos. O PSL é seu
nono partido e construiu sua carreira política no Rio de Janeiro. É um
candidato polêmico, “sem papas na língua”, e se diz da direita. Vice: General
Mourão (PRTB).
8.
João (João Dionisio Filgueira Barreto Amoêdo) Amoêdo (Novo). Amoêdo é natural da
cidade do Rio de Janeiro e tem 55 anos. É banqueiro, político, engenheiro e
administrador de empresas. Foi diretor executivo do Banco BBA Creditanstalt,
presidente da Finaústria CFI, vice-presidente e membro do Conselho de
Administração do Unibanco e integrante do Conselho de Administração do Banco
Itaú BBA e do Conselho de Administração da João Fortes Engenharia. É um dos fundadores do Partido Novo, ocorrido em 12 de
fevereiro de 2011, um partido político de direita, alinhado às ideias do
liberalismo econômico. Jamais exerceu a política partidária. Parece ser o
candidato “fora da caixinha”, sem qualquer alusão ao caixa dois ou, no
entendimento jurídico de Lula, “despesas não contabilizadas”. Vice: Professor
Christian (Novo)
9.
João Goulart Filho (PPL).
Filho do ex-presidente João Goulart (Jango), deposto em 1964 pelo golpe
militar. É natural da cidade do Rio de Janeiro, quando foi registrado como João
Vicente Goulart e tem 61 anos. O candidato diz que adotou o nome político de
João Goulart Filho para homenagear o pai. Viveu a sua infância e adolescência
no Uruguai, onde seus pais (Jango e Maria Thereza) ficaram exilados durante a
ditadura militar. É poeta, filósofo, escritor e fundador do Instituto João
Goulart, dedicado à pesquisa histórica sobre o processo político brasileiro. O
único mandato que exerceu foi o de deputado estadual, em 1982, no Rio Grande do
Sul, pelo PDT, partido que ajudou a fundar e deixou em 2017, filiando-se ao PPL.
Parece, mas não é novo na tradicional política brasileira. Vice: Léo Alves.
10.
José Maria Eymael (DC).
Disputa a eleição a presidente da República pela quinta vez. É natural de Porto
Alegre (RS) e tem 78 anos. É advogado e empresário. Foi um dos líderes da
Juventude Operaria Católica (JOC). Foi filiado ao PDS, ao PTB e ao Partido
Democrata Cristão (PDC), desde 1962. É o fundador do DC (ex-Partido Social Democrata Cristão). O mesmo do
mesmo. Vice: Helvio Costa (DC)
11.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), coligado ao PCdoB e PROS. É natural de Garanhuns
(PE), tem 72 anos. Sua carreira política teve início no movimento sindical,
como diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em 1969. Esse é um dos
sindicatos, entre mais de dezessete mil registrados no Brasil, recorde mundial.
Os Estados Unidos, com economia plena e alta empregabilidade, tem somente 190 e
o nosso vizinho, Argentina, apenas 91. É fundador PT. Foi presidente da
República por dois mandatos (2003-2010). Denunciado pela Operação Lava Jato foi
condenado por unanimidade do colegiado da 8ª Turma do TRF-4
(Tribunal Regional Federal da 4ª Região),
a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem
de dinheiro, além do pagamento de multa correspondente a 1.400 salários
mínimos. Lula é o mesmo desde o início de sua carreira. É bom de papo. Em um de
seus pronunciamentos, durante o exercício da Presidência, disse que governar
para os pobres é muito fácil. Talvez seja o resultado da política romana de “pão
e circo” para os pobres e “liberalismo” para banqueiros e empresários. Vice: Fernando
Haddad (PT)
12.
Marina (Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima) Silva (Rede), em coligação com o PV. É
natural de Rio Branco (AC), tem 60 anos. É historiadora, professora, psicopedagoga e ambientalista. Sua trajetória
política teve início em 1984, como vice-coordenadora
da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 1985, filiou-se ao PT. Em 1988, elegeu-se como vereadora da
Câmara Municipal de Rio Branco. Em 1990, foi eleita deputada estadual no Acre. Em
1994, elegeu-se senadora pelo Acre, sendo reeleita em 2002. Exerceu o cargo de
ministra do Meio Ambiente, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2008).
Foi candidata à Presidência da República em 2010, pelo PV e, em 2014, pelo PSB.
É sua terceira tentativa de chegar ao Palácio do Planalto. Tem sido omissa em
relação aos grandes problemas brasileiros e à Operação Lavajato. Entre uma
candidatura e outra é praticamente muda sobre os acontecimentos sociais, econômicos
e políticos. Vice:
Eduardo Jorge (PV)
13.
Vera Lúcia,
pelo Partido
Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Vera Lúcia é natural de Inajá (PE) e tem 51 anos. Tem trajetória no movimento
sindical e popular. É natural do sertão pernambucano. Sua família mudou-se para
Aracajú, onde radicou-se e iniciou sua carreira sindical e política. É formada
em Ciências Sociais, dedicando-se à formação política de ativistas. Prega o
comunismo de Estado, como todos os comunistas e socialistas brasileiros – com uma
casta de privilegiados dirigentes ditatoriais, à moda cubana −, e o fim da
propriedade privada. Vice: Hertz Dias (PSTU).
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É a primeira vez, na história do Brasil,
que um presidiário tem o pedido de sua candidatura à Presidência da República ao
TSE. Trata-se de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, condenado em segunda
instância, por um colegiado do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, a
doze anos e um mês de prisão. Cumpre a pena em cela privilegiada na Polícia
Federal em Curitiba. Sua candidatura não deve prosperar, caso a Lei
Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010 (Lei da Ficha Limpa), seja aplicada
a todos os candidatos, indistintamente. A referida lei, em seu art. 1º, inciso
I, alínea “A”, número 6, torna inelegível os que forem condenados por corrupção
passiva, “lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores”
(lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP), em
“decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde
a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da
pena”. Ou seja, Lula é inelegível por vinte anos e um mês, desde de janeiro de
2018. Somente a partir de 2038 ele poderá ser candidato a algum cargo eletivo,
quando completará 92 anos de idade. É oportuno lembrar que Lula ainda responde
a vários processos em tramitação no Judiciário, em diversas instâncias. Sua condenação
poderá ser ampliada em mais alguns anos... Sua pregação é populista, eivado de
assistencialismo que dá o peixe, mas não ensina a pescar.
Todos os candidatos, com exceção de um,
são políticos militantes há décadas. São profissionais da política e não devem
trazer nenhuma contribuição positiva para o desenvolvimento socioeconômico de
nosso País. Estamos nas mãos dos grandes partidos, que dominam o horário
gratuito na televisão e conseguem apoio financeiro, legal ou ilegal, com muito
mais facilidade. A exceção é o candidato João Amoêdo, empresário e um dos
fundadores do Partido Novo. Mas dificilmente conseguirá se eleger. É uma
disputa inglória.
O Brasil tem um regime presidencialista,
onde quem dá as cartas é o Congresso Nacional, com a frequente intervenção do
Supremo Tribunal Federal (STF). Sem o apoio da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, nada poderá fazer o presidente eleito. Desde a Constituição de 1988,
os presidentes têm se submetido ao Congresso Nacional, legal ou ilegalmente,
como provou o “Mensalão” e, agora, a “Operação lavajato”.
As eleições deste ano devem ser um marco
na política brasileira. Se não conseguirmos eleger um presidente, com maioria
no Congresso Nacional comprometida com a democracia, o Estado de Direito e serviços
públicos de qualidade – educação, saúde, segurança e transporte −, chegaremos
ao “fundo do poço”. Sem prazo de saída.
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