domingo, 26 de agosto de 2018

Educação 4.0 X Educação 1.0 – Gestão de IES em tempos de mudanças radicais


O futuro não é mais como era antigamente.
Renato Russo

O mundo passa por momentos impensáveis há uns vinte anos. Experimenta a quarta revolução industrial, em pleno e rápido desenvolvimento, envolvendo todos os setores da economia e da sociedade. Nesse ambiente, o virtual passa a ter uma relevância inédita, com a internet e os avanços extraordinários das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs).
Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, considera que a quarta revolução industrial “em sua escala, escopo e complexidade é algo diferente de tudo aquilo que já foi experimentado pela humanidade”. Diz, ainda, que “as mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso” (SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial; tradução Daniel Moreira Miranda. São Paulo: Edipro, 2016, p. 11).
A educação, em todos os níveis, não pode ficar alheia a essa revolução, repetindo fórmulas vigentes na terceira revolução industrial, ultrapassada há décadas.
A gestão da educação superior em tempos de mudanças radicais, que identificamos como Educação 4.0, há que ser uma educação que tem o educando no centro do processo de aprendizagem e o professor como um orientador qualificado para auxiliar, colaborar e estimular os seus discípulos nesses momentos de transformações. E as metodologias ensino-aprendizagem mediadas pelas TDICs.
A Educação 4.0 exige uma gestão de líderes perfeitamente identificados com esses tempos inusitados e cada vez mais capacitados para a inovação disruptiva, o empreendedorismo, a criatividade, antecipando-se às mudanças, com a oferta de cursos e programas de educação superior que atendam às novas necessidades da sociedade e do setor produtivo.
Como aumentar a produtividade, com menos evasão escolar e mais eficácia e eficiência gerencial, é o desafio que se apresenta inexorável para os líderes da gestão universitária neste ciclo da economia digital ou economia compartilhada.
A gestão vai abandonando o seu formato vertical para o horizontal, inclusivo, compartilhado, mediada pelas TDICs. A estrutura organizacional deve passar por mudanças radicais, compatíveis com os novos tempos que surgem com mais velocidade neste século 21, a Nova Era.
A qualidade da Educação 4.0, contudo, deve ser conduzida de forma simples, não importa a metodologia de aprendizagem adotada. Deve ser como ensina o mestre Rubem Alves em Conversa com quem gosta de ensinar,(Campinas, SP: Papirus, 2000, p. 135):
A qualidade que não seja meio para a felicidade é como panela importada que faz angu encaroçado. É melhor parar de importar panelas. É preciso desenvolver, antes, a capacidade de sentir prazer. Mas, para isso, as escolas teriam de ser diferentes, as cabeças dos pais teriam que ser diferentes, as cabeças dos professores teriam que ser diferentes: menos saber e mais sabor, como nos aconselharam Barthes e Borges, ao final de suas vidas.
Não bastam as TDICs, computadores, tablets, smartphones ou qualquer outro mobile a ser inventado para que a revolução da Educação 4.0 aconteça. E seja êxito completo. A educação trabalha somente com o ser humano. O seu “produto” final é um ser humano, que deve ser um educando pleno para o exercício da profissão escolhida e em condições de influenciar a sociedade com o seu conhecimento, felicidade e valores éticos para o exercício da cidadania. E a aprendizagem do conhecimento e da felicidade é um espaço artesanal entre educandos e educadores, como ilumina o mestre Rubem Alves (Idem, p. 19):
Eu diria que os educadores são como as velhas árvores. Possuem uma face, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” sui generis, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer nesse espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. Espaço artesanal.
A Educação 4.0 depende de educadores que saibam construir esse espaço artesanal, comprometidos com a aprendizagem, e de gestores universitários que liderem a si mesmos e sejam fonte de felicidade na tomada de decisões e na liderança para a construção, monitoramento e consolidação dos projetos institucionais: Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI); e dos projetos de cursos de graduação e pós-graduação: Projeto Pedagógico de Curso (PPC). São reconhecidos instrumentos que devem ser elaborados a partir de uma visão sistêmica e estratégica que analise o presente e investigue o futuro, em todos os setores da sociedade. Um futuro “potencialmente promissor ou perigoso”.
Voltaremos ao tema Educação 4.0 X Educação 0.0 no próximo dia 2

domingo, 19 de agosto de 2018

Candidatos a presidente da República: os mesmos mais um novo



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu, no prazo legal (15/8), o pedido de registro de treze nomes como candidatos à Presidência da República, nas eleições do próximo dia 7 de outubro.
Por ordem alfabética, estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 19/8/2018, 35 partidos políticos. Eem ordem alfabética: Avante (AVANTE), Democracia Cristã (DC), Democratas (DEM), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido da Causa Operária (PCO), Partido da Mobilização Nacional (PMN), Partido da Mulher Brasileira (PMB), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Novo (NOVO), Partido Pátria Livre (PPL), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Progressista (PP), Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido Republicano Brasileiro (PRB), Partido Republicano da Ordem Social (PROS), Partido Republicano Progressista (PRP), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Democrático (PSD), Partido Social Liberal (PSL), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Trabalhista Cristão (PTC), Partido Verde (PV), Patriota (PATRI), Podemos (PODE), Rede Sustentabilidade (REDE), Solidariedade (SOLIDARIEDADE) − (Disponível em: <http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse>).
Nós temos 35 partidos políticos. Todos alimentados pelo Fundo Partidário, pago por todos nós, pelos tributos recolhidos à Receita Federal. Oito pretendem cuidar do trabalhador brasileiro: PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido da Causa Operária (PCO), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Trabalhista Cristão (PTC). Coitado do trabalhador brasileiro! Temos três partidos republicanos: Partido Republicano Brasileiro (PRB), Partido Republicano da Ordem Social (PROS) e Partido Republicano Progressista (PRP). Mas não temos nenhum Partido Monarquista e nem anarquista. Temos o Partido da Mulher Brasileira (PMB), mas não temos o Partido da Mulher do Brasil (PMdoB), nem o Partido do Homem do Brasil (PHdoB) ou Partido do Homem Brasileiro (PHB). Brincadeiras à parte, os Estados Unidos da América (EUA), descoberto na mesma época que o Brasil, tem, de fato, apenas dois partidos: Partido Democrata e Partido Republicano. Os 35 partidos brasileiros não conseguem tirar o Brasil da miséria. Dois partidos, na democracia capitalista dos EUA, conseguem administrar um país liberal e líder planetário. Será por quê?
Mas, vamos aos possíveis candidatos, caso tenham a candidatura registrada pelo TSE.
1. Álvaro (Fernandes) Dias, pelo partido Podemos (Pode), coligado ao PRP, PSC e ao PTC. Uma coalização de quatro partidos com programas diferentes, incluindo dois que pretendem ser “cristãos”. Onde está Jesus nesses pretensos cristãos? Nasceu em Quatá (S), está com 73 anos. É formado em História. Álvaro Dias é o preferido dos repórteres da TV Globo. Dá entrevistas desde o primeiro mandato como deputado federal, não importa o partido em que esteja. Já passou por sete partidos: MDB, PMDB, PST, PSDB, PP, PV e Pode (Ex-Partido Trabalhista Nacional). Sete! É um profissional da política partidária, tendo iniciado sua carreira em 1968, os anos de chumbo da ditadura, em partido que fingia ser oposição ao regime militar, o MDB, transformado em Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMD) e, agora, novamente MDB. Atualmente é senador. Não apresenta nenhuma renovação como candidato a presidente da República. Seu Vice: Paulo Rabello (PSC).
2. Cabo Daciolo (Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos), pelo partido Patriota (Patri), ex-Partido Ecológico Nacional (PEN). Foi filiado ao PSOL, PTdoB e ao Avante. Não conseguiu apoio de outros partidos. Tem 42 anos, nasceu em Florianópolis, é Cabo do Corpo de Bombeiros (RJ) e deputado federal (Patri-RJ). O Cabo Daciolo disse ao que veio em seu discurso no lançamento de sua candidatura: “Digo sim à família tradicional brasileira, ao patriotismo, ao nacionalismo, ao civismo e ao compromisso com Deus”. Um radical da direita. Vice: Suelene Balduino (Patri)
3. Ciro Gomes (PDT). Apoiado pelo Avante, ex-Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB). Tem 60 anos, é paulista, mas radicado no Ceará, por onde fez a sua carreira política. Empresário, iniciou-se na política como prefeito de Fortaleza. Serviu ao PSDB, como ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco. Mais tarde foi ministro da Integração Nacional no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. É a terceira vez que disputa a Presidência da República. Está sem mandato. É um político eclético. Iniciou sua carreira no Partido Democrático Social (PDS), transitando pelo PMDB, PSDB, PPS (Ex-Partido Comunista Brasileiro), PSB, Frente Trabalhista (PTB, PDT e PPS), PROS. Pelo seu conhecido destempero verbal, Ciro Gomes esteve e está envolvido em 80 processos por danos morais. É da velha política nordestina. Vice: Kátia Abreu (PDT).
4. Geraldo Alckmin (Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho), pelo PSDB, coligado ao PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB e PSD. Um dos fundadores do PSDB, junto com um grupo ligado ao MDB, liderado por Tancredo Neves. Tem 65 anos, é natural de Pindamonhangaba (SP). Iniciou sua carreira política em 1972, como vereador em sua cidade natal e, em seguida, prefeito da cidade. Foi deputado estadual, federal, vice-governador e, finalmente, governador do Estado de São Paulo, por quatro vezes. desincompatibilizou-se para ser candidato à Presidência da República. Disputa a eleição presidencial pela segunda vez. Está envolvido em denúncias de corrupção em seus governos. Vice: Ana Amélia Lemos (PP).
5. Guilherme Boulos (PSOL), coligado ao PCB. O PSOL é a sigla de Partido Socialismo e Liberdade. É uma coligação que está na extrema esquerda, sem qualquer menção ao futebol, mas a uma mastodôntica classificação de políticos franceses. Para simplificar: direita, os conservadores; esquerda, os progressistas. No Brasil isso não funciona. É natural de São Paulo e tem 35 anos. Aos 15 anos era militante na União da Juventude Comunista. Não exerceu nenhum mandato político. É ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e coordena o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). É contra a iniciativa priva e lidera invasão de casas e prédios. Um “progressista” à moda antiga. Vice: Sônia Guajajara (PSOL).
6. Henrique Meirelles (MDB), coligado ao PHS. É natural de Anápolis (GO), tem 72 anos. Começou sua carreira política como deputado federal pelo PSDB de Goiás. Renunciou ao mandato para ser presidente do Banco Central, de 2003 a 2010, no governo Lula. Comandou o Ministério da Fazenda, de 2016 a 2018, no governo Temer. Economista, com experiência no mercado internacional, exerceu a presidência mundial do BankBoston, no qual ingressou em 1974. Exerceu a presidência da filial brasileira desse banco em 1984. Foi Chairman do Lazard Americas, banco de investimento sediado em Nova York, senior advisor da Kolberg, Kravis and Roberts (KKR) (KKR), uma empresa global de investimentos, membro do Conselho da Lloyd’s of London, empresa global de seguros,  membro do conselho consultivo da J&F Investimentos, empresa controlada por Joesley Batista e seus sócios, e  membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas Brasileira, entre outras empresas do ramo. À frente do Banco Central conseguiu administrar, com êxito, o Plano Real.  Vice: Germano Rigotto (MDB)
7. Jair (Messias) Bolsonaro (PSL), coligado ao PRTB. O PSL é alinhado ao social-liberalismo e o PRTB ao “trabalhismo participativo”. O PSL defende menor participação do Estado na economia, mas com o direcionamento total dos recursos arrecadados pelo Estado para a saúde, a educação e a segurança. Bolsonaro tem 63 anos e é natural de Glicério (RJ). É capitão da reserva do Exército. Está deputado federal há 28 anos.  O PSL é seu nono partido e construiu sua carreira política no Rio de Janeiro. É um candidato polêmico, “sem papas na língua”, e se diz da direita. Vice: General Mourão (PRTB).
8. João (João Dionisio Filgueira Barreto Amoêdo) Amoêdo (Novo). Amoêdo é natural da cidade do Rio de Janeiro e tem 55 anos. É banqueiro, político, engenheiro e administrador de empresas. Foi diretor executivo do Banco BBA Creditanstalt, presidente da Finaústria CFI, vice-presidente e membro do Conselho de Administração do Unibanco e integrante do Conselho de Administração do Banco Itaú BBA e do Conselho de Administração da João Fortes Engenharia. É um dos fundadores do Partido Novo, ocorrido em 12 de fevereiro de 2011, um partido político de direita, alinhado às ideias do liberalismo econômico. Jamais exerceu a política partidária. Parece ser o candidato “fora da caixinha”, sem qualquer alusão ao caixa dois ou, no entendimento jurídico de Lula, “despesas não contabilizadas”. Vice: Professor Christian (Novo)
9. João Goulart Filho (PPL). Filho do ex-presidente João Goulart (Jango), deposto em 1964 pelo golpe militar. É natural da cidade do Rio de Janeiro, quando foi registrado como João Vicente Goulart e tem 61 anos. O candidato diz que adotou o nome político de João Goulart Filho para homenagear o pai. Viveu a sua infância e adolescência no Uruguai, onde seus pais (Jango e Maria Thereza) ficaram exilados durante a ditadura militar. É poeta, filósofo, escritor e fundador do Instituto João Goulart, dedicado à pesquisa histórica sobre o processo político brasileiro. O único mandato que exerceu foi o de deputado estadual, em 1982, no Rio Grande do Sul, pelo PDT, partido que ajudou a fundar e deixou em 2017, filiando-se ao PPL. Parece, mas não é novo na tradicional política brasileira. Vice: Léo Alves.
10. José Maria Eymael (DC). Disputa a eleição a presidente da República pela quinta vez. É natural de Porto Alegre (RS) e tem 78 anos. É advogado e empresário. Foi um dos líderes da Juventude Operaria Católica (JOC). Foi filiado ao PDS, ao PTB e ao Partido Democrata Cristão (PDC), desde 1962. É o fundador do DC (ex-Partido Social Democrata Cristão). O mesmo do mesmo. Vice: Helvio Costa (DC)
11. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), coligado ao PCdoB e PROS. É natural de Garanhuns (PE), tem 72 anos. Sua carreira política teve início no movimento sindical, como diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em 1969. Esse é um dos sindicatos, entre mais de dezessete mil registrados no Brasil, recorde mundial. Os Estados Unidos, com economia plena e alta empregabilidade, tem somente 190 e o nosso vizinho, Argentina, apenas 91. É fundador PT. Foi presidente da República por dois mandatos (2003-2010). Denunciado pela Operação Lava Jato foi condenado por unanimidade do colegiado da 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região),  a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além do pagamento de multa correspondente a 1.400 salários mínimos. Lula é o mesmo desde o início de sua carreira. É bom de papo. Em um de seus pronunciamentos, durante o exercício da Presidência, disse que governar para os pobres é muito fácil. Talvez seja o resultado da política romana de “pão e circo” para os pobres e “liberalismo” para banqueiros e empresários. Vice: Fernando Haddad (PT)
12. Marina (Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima) Silva (Rede), em coligação com o PV. É natural de Rio Branco (AC), tem 60 anos. É historiadora, professora, psicopedagoga e ambientalista. Sua trajetória política teve início em 1984, como vice-coordenadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 1985,  filiou-se ao  PT. Em 1988, elegeu-se como vereadora da Câmara Municipal de Rio Branco. Em 1990, foi eleita deputada estadual no Acre. Em 1994, elegeu-se senadora pelo Acre, sendo reeleita em 2002. Exerceu o cargo de ministra do Meio Ambiente, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2008). Foi candidata à Presidência da República em 2010, pelo PV e, em 2014, pelo PSB. É sua terceira tentativa de chegar ao Palácio do Planalto. Tem sido omissa em relação aos grandes problemas brasileiros e à Operação Lavajato. Entre uma candidatura e outra é praticamente muda sobre os acontecimentos sociais, econômicos e políticos. Vice: Eduardo Jorge (PV)
13. Vera Lúcia, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Vera Lúcia é natural de Inajá (PE) e tem 51 anos. Tem trajetória no movimento sindical e popular. É natural do sertão pernambucano. Sua família mudou-se para Aracajú, onde radicou-se e iniciou sua carreira sindical e política. É formada em Ciências Sociais, dedicando-se à formação política de ativistas. Prega o comunismo de Estado, como todos os comunistas e socialistas brasileiros – com uma casta de privilegiados dirigentes ditatoriais, à moda cubana −, e o fim da propriedade privada. Vice: Hertz Dias (PSTU).
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É a primeira vez, na história do Brasil, que um presidiário tem o pedido de sua candidatura à Presidência da República ao TSE. Trata-se de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, condenado em segunda instância, por um colegiado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a doze anos e um mês de prisão. Cumpre a pena em cela privilegiada na Polícia Federal em Curitiba. Sua candidatura não deve prosperar, caso a Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010 (Lei da Ficha Limpa), seja aplicada a todos os candidatos, indistintamente. A referida lei, em seu art. 1º, inciso I, alínea “A”, número 6, torna inelegível os que forem condenados por corrupção passiva, “lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores” (lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP), em “decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena”. Ou seja, Lula é inelegível por vinte anos e um mês, desde de janeiro de 2018. Somente a partir de 2038 ele poderá ser candidato a algum cargo eletivo, quando completará 92 anos de idade. É oportuno lembrar que Lula ainda responde a vários processos em tramitação no Judiciário, em diversas instâncias. Sua condenação poderá ser ampliada em mais alguns anos... Sua pregação é populista, eivado de assistencialismo que dá o peixe, mas não ensina a pescar.
Todos os candidatos, com exceção de um, são políticos militantes há décadas. São profissionais da política e não devem trazer nenhuma contribuição positiva para o desenvolvimento socioeconômico de nosso País. Estamos nas mãos dos grandes partidos, que dominam o horário gratuito na televisão e conseguem apoio financeiro, legal ou ilegal, com muito mais facilidade. A exceção é o candidato João Amoêdo, empresário e um dos fundadores do Partido Novo. Mas dificilmente conseguirá se eleger. É uma disputa inglória.
O Brasil tem um regime presidencialista, onde quem dá as cartas é o Congresso Nacional, com a frequente intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem o apoio da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nada poderá fazer o presidente eleito. Desde a Constituição de 1988, os presidentes têm se submetido ao Congresso Nacional, legal ou ilegalmente, como provou o “Mensalão” e, agora, a “Operação lavajato”.
As eleições deste ano devem ser um marco na política brasileira. Se não conseguirmos eleger um presidente, com maioria no Congresso Nacional comprometida com a democracia, o Estado de Direito e serviços públicos de qualidade – educação, saúde, segurança e transporte −, chegaremos ao “fundo do poço”. Sem prazo de saída.
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domingo, 12 de agosto de 2018

Educação 4.0 X Educação 1.0 – as DCNs, cursos & profissões



As diretrizes curriculares nacionais (DCNs), em substituição aos engessados currículos mínimos, surgiu no bojo da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, por conversão da Medida Provisória nº 1.159, de 26 de outubro de 1955. Essa novela teve início em 18 de outubro de 1994, pela Medida Provisória nº 661, que extinguiu o então Conselho Federal de Educação e criou, em substituição, o Conselho Nacional de Educação. Grande mudança! Essa MP foi firmada pelo então presidente da República, Itamar Franco, e pelo seu ministro da Educação, Murilo de Avellar Hingel. A MP nº 661 foi reeditada por doze vezes, até a MP nº 1.159, de 1995, quando foi convertida na citada Lei nº 9.131, recepcionada pela Lei no 9.394, de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional – LDB. Durante treze meses, o CFE ou CNE foi substituído por uma Comissão Especial, sobre a presidência do ministro da Educação, mas operacionalizada por seu gabinete.
A Lei nº 9.131, de 1995, deu nova redação aos arts. 6º, 7º, 8º e 9º da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, a 1ª LDB. O Conselho Nacional de Educação (CNE) foi instituído com duas câmaras: Câmara de Educação Básica (CEB) e Câmara de Educação Superior (CES). Entre as atribuições da CES a mencionada lei inclui a de “deliberar sobre as diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação e do Desporto, para os cursos de graduação” (Art. 9º, § 2º, alínea “c”), há tempos Ministério da Educação (MEC). Tiraram a cultura da Educação, mas mantiveram a sigla MEC. E o Ministério do Esporte é aquele cabide de emprego que conhecemos.
A CES/CNE desencadeou o processo das DCNs, com a designação de uma comissão com a atribuição de estabelecer as diretrizes gerais para a elaboração das diretrizes curriculares de cada curso de graduação – bacharelado, licenciatura e tecnólogo. Esses estudos resultaram no Parecer CNE/CES nº 776/1997. Esse parecer tem por objetivo “assegurar a flexibilidade e a qualidade da formação oferecida aos estudantes”. Na elaboração das propostas das DCNs, a CES deveria:
1.     assegurar, às instituições de ensino superior, ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida para a integralização dos currículos, assim como na especificação das unidades de estudos a serem ministradas;
2.     indicar os tópicos ou campos de estudo e demais experiências de ensino-aprendizagem que comporão os currículos, evitando ao máximo a fixação de conteúdo dos específicos com cargas horárias pré-determinadas, as quais não poderão exceder 50% da carga horária total dos cursos;
3.     evitar o prolongamento desnecessário da duração dos cursos de graduação;
4.     incentivar uma sólida formação geral, necessária para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional e de produção do conhecimento, permitindo variados tipos de formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa;
5.     estimular práticas de estudo independente, visando uma progressiva autonomia profissional e intelectual do aluno;
6.     encorajar o reconhecimento de habilidades, competências e conhecimentos adquiridos fora do ambiente escolar, inclusive os que se refiram à experiência profissional julgada relevante para a área de formação considerada;
7.     fortalecer a articulação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa individual e coletiva, assim como os estágios e a participação em atividades de extensão;
8.     incluir orientações para a condução de avaliações periódicas que utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e a discentes acerca do desenvolvimento das atividades didáticas. (grifei)
O Parecer CNE/CES no 492/2001 fixou as primeiras diretrizes curriculares, contemplando os cursos de graduação em Filosofia, História, Geografia, Serviço Social, Comunicação Social, Ciências Sociais (Antropologia, Ciência Política e Sociologia), Letras, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Esses pareceres e os que se seguiram descumpriram integralmente as diretrizes gerais estabelecidas pela própria CES, em especial, as que determinam:
§ assegurar às IES “ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida para a integralização dos currículos, assim como na especificação das unidades de estudos a serem ministradas” − essa “ampla liberdade” deixou de existir a partir do excessivo conteúdo obrigatório de disciplinas, além da fixação de carga horária mínima para diversas unidades curriculares, como acontecia com os currículos mínimos;
§ indicar apenas “tópicos ou campos de estudo” e evitar “ao máximo a fixação de conteúdo dos específicos com cargas horárias pré-determinadas, as quais não poderão exceder 50% da carga horária total dos cursos” – em todas as DCNs esse limite de 50% foi ultrapassado, passando para 90 e até 100% e em vez de “tópicos ou campos de estudo”, voltou-se aos tempos dos currículos mínimos; algumas DCNs chegam perto da ementa de cada disciplina;
§ “evitar o prolongamento desnecessário da duração dos cursos de graduação” – a carga horária mínima de todos os cursos de graduação foi aumentada, algumas em até 35%, na contramão das recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), consagradas no documento “Educação para o Século XXI”, constantes do chamado “Relatório Delors”;
§ “incentivar uma sólida formação geral, necessária para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional e de produção do conhecimento, permitindo variados tipos de formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa” – a “sólida formação geral” foi um engodo, com a criação de “ênfases curriculares” em substituição às habilitações.
Por outro lado, a CES não acompanhou a evolução das profissões e da educação superior mundo afora e as transformações eletrizantes que estão ocorrendo, quando a 4ª revolução industrial (Revolução 4.0) está em pleno desenvolvimento, atingindo de forma radical todos os setores da economia. Profissões novas, profissões extintas, profissões em perspectivas latentes são totalmente ignoradas pelo Conselho Nacional de Educação e os demais órgãos do Ministério da Educação (MEC). Nesses quase vinte anos, a CES alterou somente as DCNs para a formação do magistério para a educação básica, para o curso de Medicina, em decorrência da Lei do Mais Médicos – ou melhor a “Lei do Mais Médicos Cubanos” –, Arquitetura e Urbanismo, desmembrou algumas habilitações do curso de Comunicação, uma  herança da ditadura militar, e uma ínfima alteração no estágio supervisionado do curso de Direito. As DCNs para o curso de Engenharia é uma aberração. Neste segundo semestre de 2018, existem em funcionamento mais de quarenta cursos de engenharia com denominações e objetivos diferenciados, mas que estão engessados pelas DCNs da Engenharia, fixadas há dezessete anos – Resolução CNE/CES nº 11/2002 (Parecer CNE/CES nº 1.362/2001).
Na contramão da história ainda temos a regulação de profissões, impondo restrições ou, na prática, ampliando as DCNs, com exigência de conteúdos ultrapassados. Algumas corporações tentam interferir no processo de formação profissional, quando o seu objetivo, por lei, é supervisionar, fiscalizar o exercício da profissão de seus membros. Esse é um atraso difícil de ser rompido, por se tratar de órgãos do Estado, altamente burocratizados, que empregam milhares de pessoas.
As IES da livre iniciativa, controladas abusivamente pelo Estado, estão impedidas de avançar na oferta de cursos para novas profissões, porque serão considerados “experimentais”, levando insegurança jurídica aos demandantes a esses possíveis cursos inovadores.
O CNE e a sua Câmara de Educação Superior são, na realidade, um grande cartório, envolvido no emaranhado dos processos de credenciamento e recredenciamento de IES e de autorização, reconhecimento e renovação de cursos superiores mantidos pela livre iniciativa. E só. Desde que foi criada, a CES não desenvolveu e publicou qualquer estudo que pudesse contribuir para a evolução da educação superior. São milhares de pareceres, nesses 23 anos de existência, voltados para a burocracia da regulação, a ânsia de poder sobre a livre iniciativa, para controlar e intervir indevidamente. Mas é o que temos... Infelizmente.
Mas, outros aspectos do referido Parecer CNE/CES nº 776/1997 ainda são ignorados ou trabalhados sem o devido comprometimento com os seus princípios. Tanto pelo MEC quanto por grande parte das instituições de ensino superior (IES). Vamos destacá-los:
§  “estimular práticas de estudo independente, visando uma progressiva autonomia profissional e intelectual do aluno” – o “estudo independente” foi transformado em “atividades complementares”; esse “estímulo” não é contemplado com a ênfase que se espera para o desenvolvimento das atividades complementares, uma inovação que poderia oxigenar as graduações, mas que não são avaliadas pelo MEC e são operacionalizadas burocraticamente por grande maioria das IES da livre iniciativa, restringindo-se apenas a carimbar certificados ou relatórios, sem a oferta de eventos diversos, que poderiam ampliar a formação do egresso;
§  “encorajar o reconhecimento de habilidades, competências e conhecimentos adquiridos fora do ambiente escolar, inclusive os que se refiram à experiência profissional julgada relevante para a área de formação considerada” – o MEC não  tem nenhum indicador no instrumento de avaliação in loco que avalie o “reconhecimento de habilidades, competências e conhecimentos adquiridos fora do ambiente escolar”; as IES da livre iniciativa muito menos, algumas nem possuem normas para esse processo ou dificultam, ao máximo, a análise de possíveis pedidos nesse sentido;
§  “fortalecer a articulação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa individual e coletiva, assim como os estágios e a participação em atividades de extensão” – o instrumento de avaliação in loco adotado pelo MEC é igual para todos os cursos; a teoria com a prática não tem avaliação diferenciada; trata-se de avaliação superficial, somente mais detalhada para as licenciaturas e os “cursos imperiais” – Direito e Medicina; por questões mais financeiras do que didático-pedagógicas, os estágios supervisionados, com as raras exceções de praxe, são realizados burocraticamente, com mero reconhecimento de relatórios; as metodologias ativas, como, por exemplo, o PBL (Problem Based Learning) ou Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), são uma inovação adequada ao desenvolvimento da teoria e prática juntas, um dos pilares da educação para o século 21, segundo recomendação da Unesco, desde seu congresso de 1998, em Paris; a iniciação científica não tem nenhum indicador e critério de análise para a produção científica dos discentes;
§  “incluir orientações para a condução de avaliações periódicas que utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e a discentes acerca do desenvolvimento das atividades didáticas” – “instrumentos variados” não existem, como afirmei anteriormente, o instrumento é único; por outro lado, as avaliações in loco são apressadas e, na prática, reduzidas a dois dias. Não há como avaliar a qualidade de um curso superior numa rápida passagem de dois dias por uma IES.
Voltaremos ao tema Educação 4.0 X Educação 0.0 no próximo dia 26

domingo, 5 de agosto de 2018

Neymar: um diamante em processo de lapidação




Neymar, em comercial da Gillette, divulgado em horário nobre, no último domingo, 29, fez um mea culpa de sua atuação profissional e comportamento, em campo, nos jogos do Brasil na Copa do Mundo realizada na Rússia. Levou pancada crítica de todos os lados. Os seus críticos devem ser seres humanos perfeitos, infalíveis, os mais corretos, honestos, dignos, competentes em suas atividades profissionais. Somente seres acima dos humanos podem fazer aquele tipo de crítica, que não é construtiva, mas comprometida com a paixão, o ciúme ou a raiva. Um deles afirmou que, assim, “a mídia tradicional fica em segundo plano”. Esse é um dos pontos relevantes das críticas. Neymar não se submete à prepotência da “mídia tradicional” (TV Globo e similares e jornais como O Globo, a Folha de S. Paulo). Ele tem os seus próprios meios de comunicar-se com a sociedade. As redes sociais são o seu principal veículo de comunicação. Mas por uma peça publicitária? Qual o problema? Foi em horário nobre, incluindo a TV Globo. As críticas recebidas, quase unânime, surgiram dos comentaristas da grande “mídia tradicional”. Os que estão acostumados a ter a maioria dos jogadores aos seus pés, ansiando por uma entrevista. Não é o caso de Neymar.
Futebol é assunto sempre polêmico. Sei disso desde os tempos de garoto peladeiro, que se perde nos tempos, lá em Cantagalo (RJ), minha querida terra natal. Mas, não resisto ao massacre que estão fazendo com o ser humano e o profissional Neymar. É desumano, cruel.
Em primeiro lugar, uma declaração que, sei, não é unanimidade no Brasil. Mas, para mim, Neymar, depois de Ronaldinho Gaúcho, é o melhor do mundo como atleta de futebol. Não tem para Pelé, Messi, Ronaldo, Cristiano Ronaldo ou o “deus” Maradona. Vi todos esses craques jogarem. Pelé tem a seu crédito a fidelidade a um clube, o Santos, e a regularidade de seu desempenho dentro de campo, além de conduzir a sua vida pessoal com discrição e sem qualquer vício. Messi tem a seu favor ter como meta o gol e, nesse caminho para a grande área, consegue uma porcentagem de aproveitamento excepcional. Maradona teve momentos de genialidade, gols de mão, manchados pelo uso de drogas. Cristiano Ronaldo é um profissional do gol, o objetivo do jogo, competente e disciplinado. Só. Não há arte em seu futebol. Ronaldo, o “Fenômeno”, teve momentos de extraordinária atuação, também visando sempre o gol, mas as lesões e a balança prejudicaram sua longevidade nos gramados. Ronaldinho Gaúcho jogava – e ainda joga – futebol para brincar, alegre, descontraído, arte pura. Com isso, realizava – e realiza – jogadas incríveis, com uma visão de jogo que não encontrei em nenhum outro jogador. Mas, seu reinado foi curto, por motivos publicamente conhecidos.
Neymar é uma exceção. É um craque de uma visão de jogo como poucos, capaz de realizar jogadas inusitadas, criativas, que surpreendem os dois ou três marcadores adversários. É o melhor de todos, exceto, repito, os poucos momentos de glória de Ronaldinho.
Mas, Neymar não é perfeito. Primeiro: é um ser humano comum, como qualquer um de nós, erra e acerta, na vida pessoal e profissional. É jovem. As críticas sobre o comportamento profissional de Neymar não são profissionais, são passionais, como amores traídos ou perdidos. Nenhum ser humano pode “atirar a primeira pedra” dessa forma não construtiva. Nem em Neymar e nem em ninguém. Segundo: é um craque em construção, em processo de aprendizagem, de lapidação. Está aprendendo a fazer fazendo. A teoria no futebol é bem-vinda, mas, primeiro, “precisa combinar com os russos”, parodiando Garrincha em uma de suas antológicas frases carregadas de ingenuidade e, também, perspicácia, na Copa do Mundo de 1958 na Suécia.
Fico curioso por uma estatística de resultado sobre os atletas que, ao longo do jogo, são chamados a substituírem um colega. O técnico ou seu auxiliar mostra ao atleta uma planilha, informando-lhe onde e como ele pode atuar. É coisa de robô. Neymar jamais precisou de planilha. Ele constrói sua própria planilha, seu modo de agir, de atuar.
Defeitos ou fragilidades do profissional Neymar, no meu ponto de vista: driblar ou fazer firulas no meio do campo ou em seu próprio campo, sem objetividade, ao contrário de Messi. Ele há de aprender que a sua meta é o gol e é na direção dos “três paus” que a sua arrojada corrida deve ser dirigida. Ou faz o gol ou sofrerá falta nas proximidades da área ou dentro desta – pênalti. Neymar ainda não encontrou um técnico de futebol competente em sua jornada como profissional do futebol. Nada de “paixão”, porque isto não funciona. Nem “família Felipão” ou “família Tite”. Isso é amadorismo e não deu nenhum título de campeão do mundo ao Brasil. O esporte é profissional e como tal deve ser gerido, em toda a estrutura de uma equipe, seja o meu Flamenguinho, de Cantagalo (RJ), ou o Barcelona. Ainda falta um técnico como Guardiola na vida de Neymar. Este iria treiná-lo para o gol, com o uso de seus extraordinários e infindáveis recursos técnicos e artísticos. Vai despertar potenciais ainda não revelados e educados. Vai lapidar com mais destreza esse diamante que não é mais bruto, mas ainda necessita de uma lapidação mais fina, nobre. Só assim ele será o Melhor do Mundo, reconhecido por “gregos e troianos”. Na Europa, onde atuam os melhores técnicos de futebol, Neymar ainda não passou pela lapidação de nenhum técnico competente. Quanto ao novo técnico do PSG, que eu não acompanhei seu desempenho no futebol alemão, só resta esperar. Neymar precisa, agora, de respeito e disciplina, ao lado do treinamento profissional competente e adequado a um verdadeiro craque do futebol, em processo de aprendizagem.
A teatralidade e as faltas. Quantos jogadores, das diversas seleções que disputaram a Copa do Mundo, ao sofrerem uma falta, dentro ou fora da área não “valorizaram” a falta recebida, com mais ou menos teatralidade? Digamos que Neymar é um artista completo. Sofre a falta e a torna espetacular, creio que para chamar a atenção do árbitro e, agora, também do “árbitro de vídeo”. Na foto que ilustra esta matéria, Neymar sofreu falta claríssima, dentro da área: pênalti! Mas o Galvão Bueno entendeu que foi uma “graça” ou “gracinha”. O árbitro não deu pênalti por que o “arbitro de vídeo” não viu falta nenhuma. Os comentaristas disseram que o teatro da queda prejudicou a interpretação dos árbitros. Com teatro ou sem teatro foi falta. E dentro da área. Pênalti! A câmera lenta, nesses casos, realça desmesuradamente a teatralidade do atleta. Todos cegos. Caso aquela falta fosse fora da grande área teria sido marcada. Dois pesos e duas medidas. Isso não quer dizer que o pênalti seria transformado em gol. A equipe do Brasil foi mal em todos os jogos. Quando jogou as eliminatórias, com equipes fracas e uma Argentina desorganizada, com Messi desmotivado, foi muito mais fácil. Nas partidas amistosas idem. Mas, quando foi para valer, à vera foi o fiasco que nós vimos, em cores e ao vivo, com Tite fazendo sinais e gritos que os jogadores não podiam ver nem ouvir, macaquice dos treinadores brasileiros, que jamais fizeram sucesso em times da Europa.
Leio, ouço e vejo comentaristas totalmente arrebatados pela indignação, a extravasarem em seus escritos, entrevistas ou comentários pela televisão, sentimentos altamente negativos, sem, antes, fazerem uma autoavaliação de seu próprio desempenho como profissional da mídia, dedicado ao futebol. Vi todos os jogos da Copa do Mundo, a partir das oitavas de final, e ouvi cada barbaridade... Não houve isenção. É como se voltássemos aos anos 70 e fôssemos defrontados com o rancoroso “ame-o ou deixe-o", slogan criado nos tempos da ditadura Médici, quando o Brasil foi tricampeão no México.
Deixem o Neymar jogar o futebol arte!  Preocupem-se com os “pernas de pau”...